CARAS Brasil
Busca
Facebook CARAS BrasilTwitter CARAS BrasilInstagram CARAS BrasilYoutube CARAS BrasilTiktok CARAS BrasilSpotify CARAS Brasil
Teatro / DE VOLTA AOS PALCOS

Helena Ranaldi reestreia no teatro e não descarta novelas: ‘Sempre gostei de fazer televisão’

Em entrevista à CARAS Brasil, a atriz Helena Ranaldi comemora retorno ao teatro com a peça Por trás das Flores e entrega seu amor pelas novelas

Thaíse Ramos
por Thaíse Ramos
tramos_colab@caras.com.br

Publicado em 22/10/2024, às 08h00 - Atualizado às 16h54

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
Helena Ranaldi volta aos palcos em 29 de outubro - Reprodução/Instagram/Pino Gomes
Helena Ranaldi volta aos palcos em 29 de outubro - Reprodução/Instagram/Pino Gomes

Ao lado de Martha Meola (58), a atriz Helena Ranaldi (58) volta aos palcos a partir de 29 de outubro com a segunda temporada da peça Por trás das Flores, texto de Samir Yazbek (57) e direção de Marcelo Lazzaratto. Em entrevista à CARAS Brasil, a artista dá detalhes sobre o projeto, comemora o retorno em peso do público ao teatro e não descarta voltar a fazer novelas após nove anos de seu último trabalho na telinha. “Sempre gostei de fazer televisão”, confessa.

Por meio de uma linguagem poética, o espetáculo aborda a relação entre filha (Helena Ranaldi) e mãe (Martha Meola). Localizada no Norte do Líbano, mas também na imaginação da filha, a ação da peça acompanha a tentativa da mãe de convencê-la a voltar para o Brasil e viver entre os seus. Contrapondo tradição e modernidade, a história enfatiza as diferenças entre a cultura libanesa e a brasileira, além de revelar o abismo que separa o mundo de hoje daquele de meados do século XX, quando a mãe migrou para o Brasil.

"Quando li o texto pela primeira vez, fiquei muito tocada (...) Trata-se de um encontro entre duas mulheres. Uma delas vem para ajudar a outra. É um acerto de contas entre elas (...) Uma, não quer que a outra cometa os mesmos erros que ela cometeu no passado. Ela vem para tentar salvar, resgatar a outra personagem, que está indo por um caminho difícil e sem leveza, vivendo em estado de dor e depressão.  Trat a- se de uma mãe, que vem para tirar a filha desse lugar. Essa mãe é a principal responsável pela filha estar vivendo dessa forma, sentindo que a vida já não é mais tão atraente pra ela”, explica.

"Há um diálogo profundo, muito forte, onde é apontado, entre outras coisas, falta de afeto. Isso mexeu muito comigo quando eu li, porque fala de amor, ou a falta de amor, o cuidado, a falta do olhar atento... Me chamou muito a atenção isso tudo(...) É um texto que fala muito sobre relação humana. Sempre que a história vai para esse lugar, me sinto muito atraída. Agradeço por ter recebido o convite para encenar esse texto do Samir", emenda a atriz.

De acordo com Ranaldi, o projeto foi apresentado durante a pandemia, por meio de duas leituras online, e foi um grande sucesso. Com a reabertura dos espaços públicos, aconteceram oito apresentações presenciais, no Itaú Cultural. Agora, com a segunda temporada, a atriz subirá ao palco do Teatro Multiplan, no Shopping Morumbi, em São Paulo.

“Essas oitos apresentações foram muito importantes, porque tivemos um retorno ainda mais satisfatório do público”, diz. “O teatro precisa do público, precisa do contato ao vivo, da atmosfera da sala, onde as pessoas recebem a história (...) O teatro nos permite receber a resposta de como o público recebe a história que está sendo contada, de como o público é afetado pelas personagens”, destaca.

Após um esticado período pandêmico, que levou as salas a fechar as portas, os palcos da cidade voltam a todo o vapor, e Helena comemora. “A gente tem necessidade dele (...) Acho que por mais que haja o progresso, a tecnologia, e tudo que a gente conquista através da tecnologia – que tem um lado positivo e um lado negativo –, o contato humano dentro da arte é fundamental. O encontro do artista com o público (...)”, reflete a artista.

"E tem muita gente que pergunta: ‘Como é que você aguenta, toda noite, fazer a mesma peça, falar o mesmo texto?”. É completamente diferente. Todos os espetáculos são diferentes uns dos outros, porque o público é outro, os atores estão diferentes daquele dia. E tudo pode acontecer. Você mesmo como ator se surpreende às vezes, encontra uma forma de falar determinada frase, que durante toda a temporada você não havia encontrado, e você se surpreende com isso.  E o público pode te surpreender também. Essa troca de energia, influencia muito”, continua.

Helena Ranaldi reestreia no teatro e não descarta novelas: ‘Sempre gostei de fazer televisão’
Martha Meola e Helena Ranaldi estão no elenco da peça Por trás das Flores - Reprodução/Instagram

VOLTA PARA AS NOVELAS

Helena Ranaldi está há quase dez anos longe das novelas. A última que participou foi Em Família (2014), de Manoel Carlos (91), onde interpretou a pianista Verônica. Desde então, a atriz tem se dedicado a outras atividades. “Recebi alguns convites de outras emissoras. Record, SBT, e também duas em Portugal. Mas estava sempre envolvida com o teatro e não pude fazer. Em um primeiro momento, não estava querendo muito voltar, sabe? Estava envolvida com o teatro. Comecei a produzir algumas peças e depois um longa-metragem, coisa que até então nunca havia acontecido”, conta. 

"Produzi duas peças que tiveram uma trajetória longa. Fizemos várias temporadas de cada uma dessas peças. Umas delas foi Cordel do Amor Sem Fim (texto de Cláudia Barral e direção Daniel Alvim) (...) Depois de um tempo produzimos também, eu e Danile Alvim, um longa- metragem, que é uma extensão do projeto do Cordel do Amor Sem Fim, a peça. Daniel roteirizou o texto da Claudia Barral para o cinema e eu colaborei no roteiro. O filme foi realizado com um orçamento muito baixo. Foi uma experiência muito intere ssante. Atualmente, o filme está circulando em festivais, onde já recebeu alguns prêmios”, acrescenta a artista.

“Se  eu receber um convite superbacana, com certeza vou fazer. Sempre gostei de fazer televisão e considero que tive muita sorte por ter personagens que me agradaram muito. Tenho uma referência muito positiva (das novelas), por conta de boas personagens (que fez). Então, com certeza, se eu receber um convite bacana e se eu tiver disponibilidade em fazer, vou fazer”, completa.

PERSONAGENS MARCANTES

Ranaldi diz que até hoje sua personagem mais lembrada pelo público é Raquel, de Mulheres Apaixonadas (2003).“Até hoje muitas pessoas comentam, porque realmente foi uma personagem que tratou de um assunto muito importante, que é a questão da violência doméstica; um tema que, infelizmente, continua muito atual. Foi uma personagem que chamou muito a atenção também, pelo fato de ser uma professora, de classe média, que passava por esse tipo de problema. As pessoas acham que a violência não está nas classes média e alta. Não é verdade. Infelizmente, a violência está em todos os lugares”, pontua.

“Teve uma repercussão muito positiva no sentido de conscientizar as pessoas, houve um aumento significativo do número de denúncias durante a novela. Por isso, considero que essa seja a personagem mais marcante para o público”, completa.

Mas para Ranaldi, outra personagem foi muito marcante também. “Tive várias personagens que eu tenho muito carinho. A Lúcia Helena, por exemplo, de Presença de Anita (minissérie exibida pela TV Globo em 2001) é uma que gostei muito de fazer porque se tratar de um projeto fechado, uma minissérie de 16 capítulos. Pude saber exatamente o que aconteceria com a personagem do início ao fim. E, através disso, pude traçar um desenho emocional dela. Foi um trabalho que me deu muito prazer em fazer, apesar de ter sido difícil, pois era uma personagem que sofria muito, e sofrer não é fácil”, frisa.

Para finalizar, a atriz ressalta a importância de abordar temas fortes em novelas por conta do alcance que é muito maior do que no teatro. “Quando temas que são importantes de serem abordados, são mostrados na televisão, há uma resposta positiva, você consegue realmente atingir uma massa enorme de pessoas muito rapidamente. E hoje em dia, com as redes sociais, vira discussão. Elas se complementam”, reforça.