Em entrevista à CARAS Brasil, o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato esclarece sobre a importância de estar atento para tireoide das crianças
Publicado em 03/07/2024, às 12h02
A glândula tireoide é uma das mais importantes para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Por conta disso, os pais precisam estar atentos se os filhos apresentem alguma alteração na região. Em entrevista à CARAS Brasil, o médico endocrinologista pediátrico Miguel Liberato reforça sobre a importância de acompanhar a tireoide desde a infância: "Crucial".
Segundo o especialista, é necessário esclarecer que, em formato de borboleta, a glândula tireoide está localizada na parte da frente do pescoço e é responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo, o crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes. Entre suas funções:
"O controle do peso, os ciclos menstruais, a temperatura corporal e o ritmo intestinal, além do desenvolvimento neurológico. Quando a tireoide não funciona corretamente, pode causar uma série de problemas de saúde", avalia.
Engana-se quem pensa que crianças e recém-nascidos não apresentam doenças endócrinas, o especialista declara que problemas na tireoide podem surgir em qualquer fase da vida, inclusive desde o nascimento.
“Existem alterações que podem estar presentes em qualquer fase da vida. Não são só os adultos que podem apresentar problemas na tireoide, mas as crianças e também os recém-nascidos”, explica ele. Quando a tireoide não funciona corretamente, pode causar uma série de problemas de saúde. Entre as alterações estão:
"O hipotireoidismo, que ocorre quando a tireoide não produz hormônio suficiente; o hipertireoidismo, que é caracterizado pelo excesso de produção dos hormônios; e também os nódulos de tireoide, que podem evoluir para o câncer. A tireoide é fundamental para funcionamento do corpo e tem impacto em todos os nossos sistemas. Quando ela não funciona bem, todo o metabolismo se torna comprometido”,
Por conta desse papel fundamental, o Dr. Miguel menciona que é importante estar atento: “Não existe um consenso sobre de quanto em quanto tempo se deve avaliar a tireoide de uma criança, mas, ao menor sinal de comportamento diferente do habitual, recomendamos procurar um especialista”.
Mesmo que necessite atenção, o endocrinologista afirma que não há motivo para pânico caso seja identificado alguma alteração na glândula. Há tratamento: “Cuidar do hipotireoidismo é simples, basta fazer reposição do hormônio, via oral, em jejum. No caso de crianças menores, esse comprimido pode ser diluído em água para permitir uma melhor ingestão".
"O tratamento do hipertireoidismo é um pouco mais complexo e delicado. Também se usa remédio via oral. Porém, em alguns casos em que o controle não é atingido dessa forma ou em situações específicas, terapias definitivas são uma opção. Então, é indicada cirurgia para retirada da tireoide ou tratamento com iodo radioativo”, finaliza.
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