Após Felipe Neto relatar crise de pânico, o Dr. Luiz Scocca explicou as diferenças para o infarto e quando buscar ajuda em entrevista à CARAS Brasil
Publicado em 31/03/2025, às 15h15
Em entrevista recente à apresentadora Fátima Bernardes, o influenciador digital Felipe Neto relembrou sua primeira crise de pânico, ocorrida há 15 anos, durante a madrugada. Na ocasião, ele sentiu uma intensa aceleração cardíaca e acreditou estar sofrendo um infarto.
Para esclarecer dúvidas sobre o transtorno, o psiquiatra Dr. Luiz Scocca, do Hospital das Clínicas da USP e membro da Associação Americana de Psiquiatria (APA), conversou com a CARAS Brasil e explicou como identificar os sintomas, diferenciá-los de um infarto e quando buscar tratamento adequado.
A crise de pânico é caracterizada por um episódio súbito de medo intenso, acompanhado por sintomas físicos e mentais. "No corpo, dispara o coração, há falta de ar, aperto no peito, tontura, calafrios, sensação de formigamento e ondas de calor. Já na mente, a pessoa sente um medo intenso de morrer, sensação de que o mundo ao redor não é real ou que está desconectada de si mesma, algo que chamamos de despersonalização", explicou o psiquiatra, acrescentando as diferenças entre uma crise de pânico e um infarto, já que os sintomas podem ser semelhantes.
"Às vezes, não é possível diferenciar, mesmo em uma pessoa jovem. Se a pessoa já teve síndrome do pânico e fez exames recentes, pode reconhecer os sintomas. O infarto, por sua vez, geralmente apresenta uma dor no peito intensa e prolongada, que pode irradiar para o braço, mandíbula e costas. Em caso de dúvida, o ideal é procurar atendimento médico.", disse ele.
Casos como o do influenciador Felipe Neto, que recentemente relatou ter pensado que estava infartando durante uma crise, são comuns. "O corpo entra em um modo de SOS, porque o que é ativado é um sistema de proteção do organismo, que faz com que nós tentemos sobreviver. Ativa-se o sistema nervoso, libera adrenalina e isso provoca certos sintomas físicos. Por exemplo, a taquicardia é importante para a corrida, para bombear sangue no corpo, acreditar que vai morrer é um mecanismo de defesa, se você estiver diante de um leão, você não se protegeria se não tivesse esse medo. No ataque de pânico, são outras coisas que podem desencadear ou, às vezes, a gente nem esclarece o que desencadeou, como parece que foi o caso do Felipe Neto, simplesmente aconteceu."
Ainda durante o bate-papo, o Dr. Luiz Scocca aconselhou sobre quando se deve procurar ajuda médica. "Se for a primeira crise, não há dúvida, deve-se procurar um médico. Se os sintomas forem intensos e não passarem após 30 minutos, ou se houver histórico pessoal e familiar de problemas cardíacos, a recomendação é buscar atendimento. Uma das medidas que recomendamos é tomar uma certa dose de aspirina, o ácido acetilsalicílico. Se as crises forem frequentes e afetarem a qualidade de vida, também é importante procurar ajuda médica", ressaltou o profissional.
Embora uma crise isolada não cause danos físicos, o estresse crônico pode trazer consequências à saúde. "Se for uma crise isolada, não causa necessariamente danos físicos, mas o estresse crônico pode aumentar a pressão do organismo, dar problemas cardiovasculares e imunológicos, problemas musculares, e cair a qualidade de vida a ponto de a pessoa desenvolver outros transtornos ansiosos e até depressão."
No momento da crise, algumas estratégias podem ajudar a aliviar os sintomas. "A gente recomenda estratégias de respiração, uma respiração compassada, profunda: Espira-se pelo nariz por 4 segundos, segura por 4 segundos e expira pela boca por 6 a 8 segundos. Tentamos também focar nos sentidos, sentir os objetos, ouvir as coisas ao redor, tentar reafirmar a realidade, dizer a si mesmo que aquilo vai passar. Fazer um exercício leve, como uma caminhada, e fazer o exercício respiratório enquanto caminha também pode ajudar a controlar."
Sobre os fatores que podem desencadear uma crise, Luiz pontuou: "Estresse, traumas, consumo excessivo de cafeína, álcool, drogas e fatores genéticos podem desencadear crises. A prevenção está ligada à qualidade de vida: manter atividades físicas, sono regulado, um ambiente de trabalho saudável e boas relações interpessoais. Em alguns casos, o uso de medicamentos pode ser necessário.", recomendou o doutor.
O tratamento da síndrome do pânico pode envolver diferentes abordagens. "O tratamento principal é a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a identificar os gatilhos e mudar a maneira como a pessoa pensa em relação àquele gatilho. Medicamentos a gente normalmente usa antidepressivos, ansiolíticos no momento da crise e por um tempo, mas o psiquiatra sabe quais medicamentos são necessários, até aqueles que não são tarja preta, mas há outras estratégias."
"Se as crises forem recorrentes e afetar a qualidade de vida, como a pessoa começar a ter até limitações das atividades diárias, já pode estar com síndrome do pânico e já é importante procurar ajuda de um profissional de saúde mental. O psiquiatra é fundamental para fazer o diagnóstico e o psicólogo é muito importante para a aplicação da terapia cognitiva comportamental.", explicou o médico.
Além disso, o apoio de amigos e familiares também é fundamental durante uma crise de pânico. "Ficar calmo, tentar transmitir segurança, ajudar a pessoa a controlar a respiração e manter a voz tranquila. Evitar frases como “calma, é só ansiedade”, procure dizer “estou aqui com você e vou ficar até passar”. E se necessário, levar a pessoa para um lugar tranquilo, sem estímulos excessivos, e procurar o hospital se houver a desconfiança de que não se trata apenas de um ataque de pânico. Se a pessoa tem crises recorrentes é extremamente importante incentivá-la a procurar um profissional de saúde.", finalizou o Dr. Luiz Scocca.
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