A notícia sobre a cirurgia do papa Leão XIV voltou os olhares do mundo para o adenocarcinoma de pulmão. O religioso foi submetido a um procedimento no Hospital Gemelli, em Roma, para a retirada de um nódulo em seu pulmão direito após o diagnóstico de câncer.

Apesar de a intervenção ter corrido conforme o planejado e sem intercorrências, o caso levanta um importante debate sobre a necessidade de identificar esse tipo de tumor logo nos primeiros estágios.

O que causa o câncer de pulmão e quais são os sintomas?

Nas fases iniciais, a condição costuma não apresentar manifestações claras, o que atrasa a procura por um médico. À medida que avança, o corpo passa a emitir alguns sinais de alerta, entre eles tosse que não passa, falta de ar inexplicável, dores no peito, alteração na voz, escarro com traços de sangue, fadiga constante e perda involuntária de peso.

Como esses sintomas são facilmente confundidos com males respiratórios simples, o diagnóstico precoce torna-se um desafio. O oncologista Dr. William Nassib William Jr., especialista e líder de tumores torácicos da Oncoclínicas, explica que, diferente do que muitos imaginam, essa variação do câncer não afeta exclusivamente quem consome tabaco.

Originado nas células glandulares do órgão, o adenocarcinoma também é diagnosticado com frequência em indivíduos que nunca fumaram na vida. Nesses casos, fatores como poluição do ar, tabagismo passivo e exposição prolongada a compostos químicos como sílica e amianto desempenham um papel relevante no surgimento do problema.

“É importante reforçar que o câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de fumantes. O tabagismo é o principal fator de risco, mas existem outros fatores ambientais e ocupacionais, além de alterações moleculares que podem estar presentes em diferentes perfis de pacientes. Por isso, cada caso precisa ser investigado individualmente“, diz o especialista à CARAS Brasil.

Como é o tratamento contra o câncer de pulmão?

A remoção cirúrgica de parte do pulmão, conhecida como lobectomia, é uma das principais estratégias para conter o avanço de lesões localizadas. No entanto, o médico esclarece que a operação é apenas o ponto de partida e não determina sozinha o caminho a ser seguido no tratamento.

“O diagnóstico de câncer de pulmão não determina, por si só, qual será o desfecho do paciente. É fundamental entender em que estágio a doença se encontra, se está restrita ao pulmão ou se atingiu os linfonodos e outras estruturas. Essas informações orientam a escolha do tratamento e ajudam a estimar as chances de controle da doença“, explica o Dr. William Nassib William Jr.

Análise apontará o melhor tratamento

Após a retirada do tumor, o tecido passa por análises laboratoriais para mapear com precisão o nível de comprometimento do organismo. É esse estudo que vai indicar se o paciente precisará realizar sessões de quimioterapia, imunoterapia ou terapias direcionadas.

“Mesmo quando o tumor é retirado, precisamos avaliar o risco de a doença voltar. Dependendo do estágio e das características encontradas na análise anatomopatológica, pode haver indicação de quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo. Em outros casos, a cirurgia pode ser suficiente, seguida de acompanhamento periódico. Não existe uma única conduta aplicável a todos os pacientes“, destaca o oncologista.

“O câncer de pulmão ainda representa um importante desafio para a saúde pública, mas os avanços da oncologia têm ampliado as possibilidades de tratamento e controle da doença. A combinação entre diagnóstico adequado, estadiamento preciso e terapias individualizadas permite oferecer aos pacientes uma abordagem cada vez mais direcionada. Por isso, além de investir em prevenção, especialmente no combate ao tabagismo, é fundamental valorizar a investigação de sinais suspeitos e o acompanhamento especializado“, finaliza o Dr. William Nassib William Jr.

Papa Leão XIV
Papa Leão XIV – Foto: Getty Images
Como foi a cirurgia do papa Leão XIV?

Após quatro dias de internação, o papa Leão XIV recebeu alta médica e deixou o Hospital Gemelli, em Roma, no último sábado, 17. O pontífice havia passado por uma cirurgia, que foi um sucesso, para tratar um câncer de pulmão.

Durante o procedimento, a equipe médica identificou um nódulo suspeito e realizou a remoção do lobo inferior do pulmão direito do líder religioso. Os exames confirmaram o diagnóstico de adenocarcinoma, um tipo de tumor que exige acompanhamento contínuo e cuidados bastante específicos de oncologistas.

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