A classe artística e os fãs lamentam a perda precoce da atriz e cantora Lua Blanco, que faleceu aos 39 anos neste domingo, 18, em decorrência de complicações de um câncer de intestino. A partida da artista reacende o alerta sobre o impacto do câncer colorretal na população e a urgência de debater a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.
Em entrevista à CARAS Brasil, o Dr. Jorge Abissamra explica a natureza do tumor que acometeu a atriz. “O câncer de intestino (também conhecido como câncer colorretal) é um dos tipos de tumor mais frequentes no mundo, mas possui altas chances de cura quando diagnosticado precocemente”, ressalta o médico oncologista. “O câncer de intestino refere-se aos tumores malignos que se desenvolvem na parte do aparelho digestivo chamada intestino grosso (dividido em cólon e reto). Na imensa maioria dos casos, ele começa a partir de pequenas lesões benignas chamadas pólipos (crescimentos na parede interna do intestino). Se não forem identificados e removidos a tempo, esses pólipos podem passar por alterações celulares ao longo dos anos e transformar-se em câncer”, detalha.
Por que os diagnósticos estão aumentando entre os mais jovens?
A identificação do câncer colorretal em pacientes abaixo dos 50 anos — conhecido como câncer de início precoce — é uma tendência mundial que tem mobilizado a comunidade médica. O especialista aponta que hábitos modernos desempenham papel central nessa mudança de perfil. “O aumento de diagnósticos de câncer colorretal em adultos com menos de 50 anos é uma tendência mundial observada por médicos e cientistas nas últimas décadas”, afirma o oncologista.
O Dr. Jorge Abissamra destaca que as razões envolvem estilo de vida e fatores ambientais acumulados desde a juventude. “Os principais motivos estudados incluem mudanças nos hábitos alimentares desde a infância, como o consumo crescente de alimentos ultraprocessados, refrigerantes, açúcares refinados e gorduras saturadas; um estilo de vida mais sedentário, com maior tempo em frente a telas; e alterações na microbiota intestinal provocadas pelo uso frequente de antibióticos e pela dieta moderna. Além disso, diagnósticos mais precisos e maior conscientização sobre os sintomas em pessoas jovens têm levado à realização de exames como a colonoscopia mais cedo do que ocorria no passado”, pondera.
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Fatores de risco e a importância da prevenção
Para compreender e combater o desenvolvimento da enfermidade, é preciso estar atento às causas que podem ser evitas e aos fatores genéticos. “Os fatores de risco dividem-se em modificáveis (estilo de vida) e não modificáveis. Entre os modificáveis estão alimentação inadequada (alta ingestão de carnes vermelhas e processadas e baixo consumo de fibras), sedentarismo, obesidade, consumo de álcool e tabagismo. Já os não modificáveis englobam idade avançada, histórico familiar, síndromes genéticas hereditárias e doenças inflamatórias intestinais de longa data”, explica o médico.
Diante desses fatores, o rastreamento preventivo surge como a ferramenta mais eficaz na redução do risco. “A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para reduzir a mortalidade pelo câncer de intestino. Uma das principais características dessa doença é que ela se desenvolve lentamente. A colonoscopia é um exame especialmente importante porque permite identificar e retirar pólipos antes que se tornem malignos. Ou seja, além de diagnosticar precocemente, o exame pode efetivamente prevenir o aparecimento do câncer”, orienta o Dr. Jorge Abissamra.
Avanços no tratamento e possibilidades de cura
Apesar da gravidade do diagnóstico, a oncologia moderna evoluiu significativamente, oferecendo caminhos terapêuticos cada vez mais eficazes e personalizados. “O câncer de intestino tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Nos estágios iniciais, principalmente no estágio I, as taxas de sobrevida em cinco anos ultrapassam 90%, e muitos pacientes são curados apenas com a cirurgia, sem necessidade de quimioterapia”, pontua o oncologista.
O especialista reforça que o tratamento é adaptado para cada fase da doença e perfil do paciente. “Atualmente, contamos com cirurgia, quimioterapia, radioterapia, além de imunoterapia e terapias-alvo, que representam importantes avanços ao estimular o sistema imunológico e atuar diretamente sobre alterações específicas do tumor. O mais importante é compreender que receber um diagnóstico de câncer de intestino não significa receber uma sentença de morte. Os avanços da medicina transformaram significativamente o tratamento dessa doença”, conclui o oncologista.
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