O Papa Leão XIV, de 71 anos, foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar após passar por uma cirurgia bem-sucedida nesta terça-feira, 13, no Hospital Gemelli, localizado em Roma. Segundo as informações oficiais divulgadas pelo Vaticano, o procedimento médico foi realizado para a retirada de um nódulo no pulmão que havia sido identificado anteriormente durante a realização de exames de rotina, estando bem delimitado.

O que é adenocarcinoma pulmonar?

O especialista Prof. Dr. Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e PhD em câncer do pulmão pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, explicou que o adenocarcinoma é o tipo mais frequente da doença. De acordo com o médico, a condição exige atenção especial da equipe de saúde.

“O adenocarcinoma pulmonar é um câncer que se origina nos alvéolos e tem alta chance de metástase, além de ser uma das principais causas de mortalidade relacionadas ao câncer. Para se ter uma ideia, a sobrevida de pacientes com esse tipo de câncer é de cinco anos, mesmo com o avanço nos tratamentos, o que é insatisfatório”, explica o médico.

Leia Mais

O especialista ressaltou que a doença pode surgir inclusive em quem não fuma. “Embora o tabagismo seja um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão, o adenocarcinoma também pode ocorrer em pessoas que nunca fumaram. É um tumor que pode permanecer silencioso durante bastante tempo. Mas, quando identificado em fases iniciais, apresenta possibilidades de tratamento com intenção curativa”, explica o Dr. Ramon.

A remoção cirúrgica é uma das principais condutas quando a doença é detectada no início. “Em determinados casos, principalmente quando o tumor é pequeno, está restrito ao pulmão e foi completamente removido, o procedimento pode ser suficiente para o controle da doença. No entanto, isso depende do estadiamento definitivo, das características do tumor e da avaliação dos linfonodos”, afirma o especialista sobre o caso.

Avanços terapêuticos

O médico esclareceu que os exames de linfonodos e a análise anatomopatológica orientam os próximos passos do paciente. “Esses fatores ajudam a determinar se a cirurgia foi suficiente ou se outros tratamentos podem trazer benefícios ao paciente”, pontua. Ele acrescentou que “a definição depende de fatores como o tamanho do tumor, o comprometimento dos linfonodos, o estágio da doença e as características moleculares das células cancerígenas”.

Atualmente, a oncologia dispõe de imunoterapia e terapias-alvo para combater esse tipo de tumor. “Dependendo do estágio e do perfil molecular do tumor, podemos utilizar imunoterapia e terapias-alvo, que atuam sobre mecanismos específicos relacionados ao desenvolvimento da doença. Esses tratamentos podem ser indicados em situações selecionadas, inclusive após a cirurgia, com o objetivo de reduzir o risco de o câncer retornar”, destaca o especialista.

Dr. Ramon explicou a diferença entre as técnicas modernas de tratamento individualizado para cada paciente. “A escolha dessas estratégias exige exames específicos e deve considerar as características de cada paciente. Um dos grandes avanços da oncologia nos últimos anos foi justamente a possibilidade de personalizar o tratamento”, pontuou o profissional de saúde durante a sua explicação.

O especialista reforçou a importância do acompanhamento médico focado na individualidade do tumor. “Dois pacientes com adenocarcinoma pulmonar podem precisar de abordagens completamente diferentes, mesmo quando apresentam tumores aparentemente semelhantes. Por isso, o estudo molecular do câncer e o estadiamento são fundamentais para escolher a estratégia mais adequada”, explica o oncologista sobre a precisão médica.

O diagnóstico precoce

Para finalizar, o profissional destacou que a detecção precoce é determinante para o sucesso do tratamento do câncer de pulmão. “Em fases iniciais, o câncer de pulmão pode não provocar manifestações específicas, o que contribui para que muitos diagnósticos ocorram quando a doença já está mais avançada. Mas o diagnóstico precoce é um dos principais fatores que influenciam as chances de sucesso do tratamento”, ressaltou ele.

O médico concluiu alertando para a necessidade de avaliações preventivas frequentes entre os pacientes. “Quando conseguimos identificar um câncer de pulmão ainda localizado, as possibilidades terapêuticas são maiores e podemos trabalhar com estratégias de intenção curativa. Por isso, é importante que as pessoas com fatores de risco sejam avaliadas adequadamente e que o rastreamento seja considerado quando houver indicação”, conclui o Dr. Ramon Andrade de Mello.

+Siga os canais da CARAS Brasil no Instagram e no Whatsapp para receber as principais notícias dos famosos em tempo real: Clique aqui para seguir no Instagram e Confira aqui o canal no Whatsapp!