De Cleópatra a Suelen de Avenida Brasil: a evolução das piriguetes na história e o que elas nos ensinam

Juliana Cazarine Publicado em 29/08/2012, às 14h15 - Atualizado em 22/02/2013, às 00h14

"Piriguetes são mulheres que estão de bem com o corpo e com a sexualidade e querem expor essa condição", Bianca Cardoso, coordenadora da iniciativa Blogueiras Feministas - Foto-montagem

A mulher com atitude ousada e provocante, que usa seus atributos físicos para chamar atenção da ala masculina, sempre existiu. Ela está presente nas medievais cantigas de escárnio e maldizer, na letra da canção Folhetim, de Chico Buarque, e no funk Pra me provocar, de MC Koringa. O que mudou, com o passar do tempo, foi o nome que as caracteriza: hoje, essas mulheres são conhecidas como piriguetes e têm na personagem Suelen, de Avenida Brasil, sua representante mais ilustre. Mas, para ser uma autêntica piriguete, não basta mostrar o corpo: tem que ter o sex-appeal de Cleópatra, Lili St. Cyr - que inspirou Marilyn Monroe -, além de Jayne Mansfield, June Wilkinson, Brigitte Bardot, Betty Grable, Rita Hayworth, Jean Harlow, Mae West, Madonna, Bettie Page, Jane Fonda, Sophia Loren, Pamela Anderson, Paris Hilton, Angelina Jolie, Carmen Electra, Kim Kardashian, Ann-Margret, Anna Nicole Smith, Jennifer Lopez, Shakira, Rihanna, Beyoncé, Megan Fox e Britney Spears (piriguetes que você confere em nossa galeria). 

 

Não é difícil identificar uma piriguete. Independentemente da época em que está inserida, ela tem uma característica inconfundível: sua roupa. As peças são justíssimas e têm decotes, transparências e comprimentos mínimos. Segundo Denise Morais, consultora de moda do SENAC Moda e Informação, “as peças que deixam o corpo à mostra sempre existiram. Mulher usa minissaia desde que Mary Quant a inventou. A diferença é o intuito com que as piriguetes se vestem”.

 

Para Bianca Cardoso, coordenadora da iniciativa “Blogueiras Feministas”, “essa mulher está de bem com o corpo e com a sexualidade e quer expor essa condição. Não há problema nesse comportamento”, diz. Ainda hoje, mesmo com tanta piriguete na televisão e na vida real, há quem julgue o estilo de vida da mulher ousada. “O preconceito de que elas são fáceis e vulgares  provém de uma sociedade machista. A mulher está fazendo o que quer, assim como fazem os homens. Ninguém dá nomes a um homem que mostra demais o corpo ou ‘fica’ com várias mulheres na mesma noite”, diz.

 

As piriguetes usam o corpo para atingir seus objetivos. Marilyn Monroe, por exemplo, é sex symbol até hoje, 50 anos após sua morte. A atriz usou sua beleza e jeito provocante para fazer história no cinema e, literalmente, não ser apenas mais “um rostinho bonito” facilmente esquecido ao longo do tempo. “Em sua imagem mais famosa, Marilyn está com o colo e pernas à mostra, transmitindo uma sensação de poder que cria um elo com mulheres que têm o mesmo objetivo. Hoje, o número de piriguetes é maior porque tudo o que está dentro do universo pop, como as novelas, torna-se desejo de quem consome essas informações”, afirma a consultora Denise Morais.

 

O termo “piriguete” é relativamente novo. Foi parar na boca das mulheres e dos homens, é claro, há pouco mais de dois anos. Segundo Tiago Lupoli, psicanalista associado ao CEAAP (Centro de Estudos, Aprimoramento e Atendimento em Psicologia), “piriguetes são autossuficientes para bancar suas escolhas, característica que quebra conceitos morais da nossa sociedade”. E elas manifestam essa quebra de tabus através de uma linguagem universal, a moda. “A tendência fashion do ‘piriguetismo’ foi identificada no México, depois na Europa e nos EUA. Em pouco tempo, a moda chegou ao Brasil, onde é natural que as mulheres queiram se mostrar mais por conta do clima”, diz Denise. Antes disso, cada mulher fazia a sua própria “moda” sexy, como Paris Hilton, Nicole Scherzinger ou até Lady Gaga, que abusa de performances sensuais em seus videoclipes.


Simpáticas e sem vergonha de seus atributos físicos, mulheres com essas características mexem com o imaginário masculino, inclusive o dos comprometidos. Com esse perfil, as piriguetes tinha tudo para ser odiadas. Mas, ao que parece, Suelen, personagem de Isis Valverde em Avenida Brasil, Darlene ou Natalie Lamour, ambas vividas por Deborah Secco em Celebridade e Insensato Coração, ou Bebel (Camila Pitanga), de Paraíso Tropical, são vistas pelas mulheres como “musas”. “Se existem tantas piriguetes, é porque existem outros tantos admiradores. E que mulher não quer ser admirada?”, diz Denise.
 

E se você acha que esquecemos de falar de alguma piriguete histórica, acrescente sua sugestão ou deixe seu comentário sobre a nossa lista na fan page de Caras Fashion

 

Por Juliana Cazarine

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