Manoel Carlos visitou Ilha de CARAS antes de deixar a TV e revelou desejo de novas obras
Autor esteve em Angra dos Reis junto ao elenco de Em Família antes de se despedir da novela em 2014; relembre

Antes de se despedir da teledramaturgia, Manoel Carlos (1933-2026) viveu um momento simbólico de reflexão e celebração na Ilha de CARAS, em julho de 2014. À época, o autor encerrava seu ciclo como novelista da TV Globo com Em Família e revelava que, apesar de deixar as novelas, não pretendia se afastar da escrita.
“Amo televisão e talvez seja a pessoa que há mais tempo escreve para este veículo, faço isso desde 1951, mas realmente prefiro parar enquanto tenho condições de fazer. De maneira realista, não posso ficar me arrastando. Não desejo me aposentar, quero escrever obras menores, inclusive tenho minisséries prontas”, afirmou Maneco durante a visita, realizada ao lado da neta Sofia (13 à época) e da mulher, Beth Almeida (59 na ocasião), sua companheira desde 1979.
Mesmo diante das críticas direcionadas à trama que marcaria sua despedida da TV, o autor demonstrava tranquilidade e sensação de dever cumprido. “Agradeço a toda a equipe e aos atores, que estavam primorosos. Me impressionou também a qualidade do elenco jovem do início da novela”, disse.
Na conversa, Manoel Carlos falou ainda sobre sua rotina de trabalho pouco convencional. “Meu processo de trabalho é o caos. Escrevo para a TV há mais de 60 anos sem planejamento. Sou fruto da televisão ao vivo, onde tudo era feito improvisadamente”, explicou. O autor também destacou a importância da convivência familiar em sua trajetória, lembrando que sempre escreveu cercado pelos filhos e pela rotina da casa.

Despedida e Legado
No último sábado, 10, Manoel Carlos morreu aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo perfil Boa Palavra, no Instagram. “É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco”, dizia o comunicado. A causa da morte não foi divulgada.
Segundo o portal G1, o autor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde fazia tratamento contra a Doença de Parkinson, que afetou seu desenvolvimento motor e cognitivo no último ano. O velório será restrito a familiares e amigos próximos.
Manoel Carlos teve cinco filhos e enfrentou perdas marcantes ao longo da vida. Em 1988, perdeu o primogênito, Ricardo de Almeida, por complicações do HIV. Anos depois, em 2012, sofreu com a morte de Manoel Carlos Júnior, diretor de televisão, vítima de um ataque cardíaco. Em 2014, poucos meses após o fim de Em Família, a família voltou a ser abalada com a morte precoce de Pedro Almeida, o caçula do autor, aos 22 anos, em Nova York. O novelista deixa ainda duas filhas: a atriz Julia Almeida (43), fruto de seu casamento com Beth, e a roteirista Maria Carolina (53), filha de seu relacionamento com a jornalista e ex-deputada Cidinha Campos (83).
Nascido em 1933, em São Paulo, Manoel Carlos sempre se considerou carioca de coração. Iniciou a carreira como ator no Grande Teatro Tupi, aos 17 anos, e rapidamente se destacou também como produtor e diretor. A partir de 1952, passou a escrever para a televisão e construiu uma trajetória sólida por diversas emissoras, adaptando mais de 100 teleteatros e participando de projetos históricos da TV brasileira.
Na TV Globo, estreou em 1972 como diretor-geral do Fantástico. Em 1978, escreveu sua primeira novela na emissora, Maria, Maria, e consolidou seu estilo autoral ao longo das décadas seguintes, assinando sucessos como Baila Comigo, História de Amor, Por Amor, Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Viver a Vida e Em Família.
As chamadas “Helenas”, personagens recorrentes em suas novelas, tornaram-se a maior assinatura de Manoel Carlos, retratando mulheres intensas, complexas e profundamente ligadas aos filhos — um reflexo direto da sensibilidade que marcou sua obra.