Revista / SE REINVENTAR EM QUALQUER IDADE

Drica Moraes em um ato de liberdade e resistência: ‘Não gosto de me colocar rótulos’

Drica Moraes está em cartaz com a peça 'Férias'; em entrevista exclusiva à Revista CARAS, a atriz fala sobre carreira, vida amorosa e maturidade

No Rio de Janeiro, Drica Moraes celebra sucesso de espetáculo ao lado de Enrique Diaz. A atriz fala sobre questões estéticas e maturidade sem culpa - Fotos: Guilherme Lima 
No Rio de Janeiro, Drica Moraes celebra sucesso de espetáculo ao lado de Enrique Diaz. A atriz fala sobre questões estéticas e maturidade sem culpa - Fotos: Guilherme Lima 

Liberdade, humor e afeto: esses três elementos parecem costurar não só o novo trabalho de Drica Moraes (56), mas também sua própria trajetória. Em cartaz com a peça Férias — comédia na qual divide cena com Enrique Diaz (57) e traz à tona temas como amor, maturidade e choque de gerações —, a atriz reencontra os palcos com a leveza de quem aprendeu a transformar dor em riso, desafio em aprendizado e arte em resistência.

O caminho foi longo: além de somar mais de 40 anos de carreira, ela encarou a batalha contra uma leucemia, celebrou a cura e se reinventou. “Acho que voltei um pouco para a adolescência, no sentido que ainda me sinto para jogo, quero viver aventuras, não me defino e não gosto de me colocar rótulos. Tenho a vida que sempre quis. Uma adolescente que tem uma carreira e a casa própria!”, brinca ela, em papo exclusivo com CARAS.

– As temáticas abordadas na peça atravessam sua história…

– A peça é fruto de um desejo meu de voltar aos palcos depois de muito tempo, falando da mulher de 50+. Como estão nossos desejos, nossa percepção do mundo, a percepção de nós mesmas com nosso corpo, com os filhos, os parceiros. A peça reflete todas essas indagações que também são as minhas. É um casal totalmente fora da casinha, com uma compulsão sexual engraçada, que ganha uma viagem de cruzeiro para celebrar 25 anos de casamento e se envolver em situações bizarras. Esse casal é um símbolo da liberdade em qualquer idade, liberdade de ser feliz e de fazer o que quiser sem pensar nos julgamentos alheios.

– Como encara essa liberdade?

– Cresci em um ambiente livre. Minha mãe sempre teve liberdade, diálogo e carinho. A gente conversava sobre absolutamente tudo, então entrei na adolescência sem sentimentos de culpa. Culpa de conhecer meu corpo, meu prazer. Tenho isso desde menina e trouxe para a vida adulta, mas se acentuou depois da minha cura. Apesar de o mundo ser duro e cruel, a gente tem obrigação de ser feliz.

– A peça ajuda a construir esse olhar de liberdade?

– A arte funciona exatamente como o espelhamento da vida, é um apoio e um ponto de transcendência, porque abre novas perspectivas do mesmo tema e te ajuda a encarar seus próprios dilemas.

– E em cena vocês fazem isso com muito humor!

– Era o que eu queria, transcender um pouco a desgraça da vida. O ser humano deu errado como coletivo, mas existe beleza, delicadeza e a gente precisa olhar para isso, senão vira tortura. O humor é um bálsamo, ele ajuda a pensar temas difíceis de forma leve.

– Independentemente do gênero, é difícil fazer teatro no Brasil?

– Em todos os sentidos, o teatro é, foi e será sempre um movimento de resistência. Por exemplo, a gente não tem patrocínio, é um dinheiro bancado por mim e meu sócio para a peça acontecer. Graças a Deus, tem sido bem recebida e o público se multiplica pelo boca a boca. Além disso, tem um investimento emocional e físico. A peça tem uma fisicalidade absurda, eu pulo, rodo, rodopio o tempo todo… em 1h15 de peça eu perco 1,5 kg na balança!

– A peça fala sobre a mulher 50+ e você chegou a dizer que perguntas sobre etarismo estavam ficando velhas. Como vê isso?

– Quando falamos sobre a questão da aparência, uma menina de 15 anos passa pelo mesmo dilema da mulher de 50. A indústria da perfeição é tão cruel que a mesma pergunta pode ser feita para qualquer geração. Todo mundo quer ser aceito, então, não é uma questão só da mulher 50+. É uma questão de saúde pública, porque causa transtornos de autoestima em qualquer idade. A indagação tem que estar no porquê a sociedade massacra tanto a mulher.

– Você sempre lidou bem com essas questões?

– Pelo contrário. Fui uma adolescente gordinha, não gostava de biquíni, fui começar a malhar mais tarde, cuidar da alimentação mais tarde e isso me açoitava mais antes do que hoje. Hoje, tenho um estilo de vida mais saudável, mais estabilizado, os hormônios se acalmaram, porque entrei na menopausa muito cedo, quando tive o câncer, com 39 anos. Quando ouço sobre esse assunto, para mim, parece que faz muito tempo, que não foi nem nessa encarnação.

– Disse que não gosta de se colocar rótulos. Em que sentido?

– Eu gosto de ficar, eu não gosto de casar, não gosto de namorar.

– Mas você ainda acredita nas relações amorosas?

– Superacredito nas relações! Meu melhor casamento foi com o pai do meu filho. A gente nunca quis morar junto e foi a coisa mais assertiva que eu fiz na vida. Tinha cumplicidade, tinha compromisso e foram dez anos lindos. Até hoje ele é o meu parceirão de vida, de amizade. É importante um não sombrear o outro, preservar a solidão dentro da relação a dois é básico. Eu acredito nas duplas e nas novas maneiras de ser casal.

– E você gosta dessa solidão?

– Encaro esse lugar com alegria, com presença, é uma delícia estar sozinha, você está inteira com você, conectada com você.

– Você tem o espírito jovem!

– Tomara! Acho que tenho um Erê solto, sim. O Erê é a criança da cultura africana. Eu tenho uma criança solta dentro de mim que não fica quieta.

– Não fica quieta, mas tem juízo!

– Ela tem juízo, mas às vezes ela perde o juízo! (risos).

Leia mais: Drica Moraes impressiona ao postar foto com a mãe: ‘Lindonas’

FIQUE POR DENTRO DAS NOTÍCIAS DOS FAMOSOS ACOMPANHANDO À CARAS BRASIL NAS REDES SOCIAIS:

 

Tamara Gaspar é subeditora da revista CARAS e CONTIGO! Novelas. Formada em Jornalismo e Letras, possui extensão em Teoria da Comunicação e é especialista em monarquia. Escreve sobre celebridades, realeza, TV e novelas.