Vanessa Goulartt revela bastidor da peça Gertrude, Alice e Picasso: ‘Muito marcante’
Neta de Nicette Bruno, Vanessa Goulartt dirige a mãe em papel que foi da avó na peça Gertrude, Alice e Picasso

Vanessa Goulartt (50) assina a direção da nova montagem de Gertrude, Alice e Picasso em cartaz no MI Teatro, em São Paulo, até 5 de abril. Neta de Nicette Bruno (1933 — 2020), intérprete de Gertrude na primeira versão da peça original, ela recebe a honra de dirigir a própria mãe, Bárbara Bruno (68), que ficou com o papel que foi da sua matriarca.
Em entrevista à CARAS Brasil, a diretora conta suas principais referências para o projeto, fala da importância de homenagear a avó com uma nova roupagem do espetáculo criado para celebrar os 50 anos de carreira da atriz e revela bastidores.
“Foi um trabalho muito marcante da minha avó em 1996, eu lembro bastante do trabalho e além dela como referência, uma grande referência foi o Antônio Abujanja, que foi o diretor da montagem junto com o Márcio Aurélio. Eles dirigiram a peça e são as principais referências para mim, além da minha avó”, conta.
A diretora revela que o sonho de trazer a peça para São Paulo é de alguns anos. Em 2014, sua mãe, Bárbara Bruno, e seu tio, Paulo Goulart Filho (59), produziram a montagem no Rio de Janeiro, com tempo em cartaz de dois meses.
“A gente chegou no Mi Teatro, que é onde a gente está fazendo o espetáculo. Eu e ela, na verdade, para fazer uma outra coisa, um outro projeto nosso que a gente tem, as duas como atrizes, que chama Ciranda – estamos na luta para captar [apoio]. Enquanto conhecíamos o espaço para ver se a gente podia fazer uma leitura lá, alguma coisa, a gente se olhou e falou: ‘É a cara da Gertrude, né?’. Atrás de um restaurante espanhol, então tem o Picasso falando de paella, e o restaurante servindo paella, então é perfeito. E aí foi uma ideia que a gente teve conjuntamente, e foi assim, ela me chamou pra dirigir, que o Paulinho não tá aqui, tá morando em Orlando, e eu topei, apesar de nunca ter tido vontade de dirigir, eu resolvi experimentar, e foi uma grande surpresa, estou gostando muito”, confessa.
A montagem conta a história de figuras importantes na arte e na intelectualidade: Gertrude Stein, Alice B. Toklas e Pablo Picasso. Ao longo da trama, reflexões sobre os movimentos artísticos e na cultura no século passado convidam o público a pensar. Os acontecimentos atuais também são destacados.
Bárbara Bruno traz toda a sua experiência para uma personagem marcante e cheia de vivências. Vanessa tem aproveitado o convite da mãe para viver a sua primeira oportunidade como diretora com intensidade.
“Nossa, dirigir minha mãe é muito gostoso. Aliás, não só minha mãe. Minha primeira experiência como diretora, e eu tô tendo muita sorte de trabalhar com atores tão talentosos, tão criativos, que me dão tanto. O meu trabalho é só dar aquela polida, sabe? Porque eles me dão tudo. E tá tendo uma sintonia muito boa entre elenco e direção. Então, isso é muito, muito gostoso. Eu sempre disse que nunca queria dirigir, sempre falei isso, mas paguei a língua, porque eu tô descobrindo várias coisas em mim que têm a ver com uma boa diretora. Sou muito atenta, observadora. Tudo isso acrescenta para uma boa direção e dirigir a minha mãe tem sido um presente, um aprendizado muito grande e, acima de tudo, um grande prazer”, afirma.
Gertrude, Alice e Picasso retorna como uma merecida homenagem a Nicette, que interpretou tantos personagens marcantes na televisão, cinema e teatro. No elenco, também estão os atores Patrícia Vilela e Joca Andreazza.
“A minha avó é homenageada todos os dias, por todos nós, porque amamos demais, admiramos demais. Então, essa montagem, embora não tenha nada específico, uma homenagem clara, ela é sim uma homenagem, porque foi um trabalho muito marcante da minha avó, em 96, e o trabalho da minha mãe é maravilhoso também, é uma coisa que também não dá para comparar. O Tide, que é o autor da peça, fala isso sempre. Você vê um mesmo personagem sendo vivido por mãe e por filha de maneiras tão diferentes e brilhantes, cada uma à sua maneira”, afirma.
“A minha avó é homenageada todas as noites, a gente sempre fala dela porque a saudade é grande. Fazer teatro, uma peça que ela fez, então não tem como a gente não não pensar e não reverenciar a nossa ancestralidade. Embora não tenha nenhuma mensagem explícita, é uma homenagem sim, sem dúvida”, conclui a diretora.
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