Teatro / CARREIRA

Aos 79 anos, estrela de novelas que iniciou carreira escondida do pai brilha no teatro

Um dos rostos mais marcantes da teledramaturgia vive virada histórica na carreira e expõe bastidores de sua trajetória de seis décadas

Nívea Maria - Divulgação Globo

O público brasileiro está acostumado a ver os veteranos da televisão brilharem diariamente nos folhetins mais famosos do país. No entanto, a renomada atriz Nívea Maria (79) resolveu quebrar esse ciclo e redefinir o seu próprio destino artístico. Com mais de 60 anos de profissão dedicada quase inteiramente aos estúdios de TV, a paulistana está vivendo uma verdadeira reinvenção. Atualmente, ela se dedica de corpo e alma aos palcos teatrais, experimentando uma liberdade técnica que as câmeras nem sempre permitiram.

O início clandestino e o pai na Polícia Federal

De fato, a paixão pela atuação começou cedo, mas precisou enfrentar barreiras rígidas dentro da própria casa. Nívea Maria cresceu sob a criação estrita de seu pai, um advogado moralista que, posteriormente, atuou como censor da Polícia Federal. Para conseguir realizar o sonho de atuar, a jovem de 18 anos ingressou no elenco de A Moça que Veio de Longe (1964), na extinta TV Excelsior, completamente escondida do patriarca.

A única cúmplice da aventura foi a sua mãe, uma pianista que sempre incentivou o lado lúdico das filhas. Como a novela alcançou um sucesso estrondoso, o segredo logo foi descoberto. Felizmente, com o passar do tempo, o pai compreendeu a personalidade livre e a seriedade da jovem. De acordo com declarações recentes da artista ao portal O Globo, o episódio serviu para mostrar que todas as pessoas possuem pedras no caminho, mas o segredo é nunca parar de caminhar.

Uma fábrica de mocinhas e o título de ‘Primeira Helena’

A trajetória de Nívea Maria na TV Globo começou oficialmente em 1972, na novela O Primeiro Amor. Rapidamente, o seu biótipo dócil a transformou na escolha perfeita para viver as ingênuas e puras heroínas românticas da ficção. Ela deu vida a personagens marcantes como a doce Jerusa em Gabriela (1975) e a protagonista de A Moreninha (1975).

Além disso, a atriz carrega um título histórico nos bastidores da televisão. Ela foi a primeira “Helena” da consagrada dinastia de personagens do autor Manoel Carlos, ao protagonizar a novela Maria, Maria (1978). O status de mocinha boazinha só começou a ser quebrado em O Semideus (1973) e, anos mais tarde, na minissérie A Casa das Sete Mulheres (2003). Na pele da amarga Dona Maria, Nívea faturou o prêmio de Melhor Ator pela APCA e resgatou o seu total prazer em interpretar tipos complexos.

A redescoberta nos palcos e o retorno à TV

Por outro lado, o momento presente da artista pertence ao teatro. Ela está em cartaz com a peça Querida Mamãe, no Teatro dos Quatro, no Rio de Janeiro, contracenando diretamente com Regiane Alves. Sob a direção de Pedro Neschling, o espetáculo debate a polarização familiar por meio do embate entre uma mãe conservadora e uma filha contestadora. O projeto dá sequência a uma intensa trilha teatral iniciada com as peças Ensina-me a Viver (2022) e Norma (2024).

Conforme explicou a veterana, o teatro oferece a chance de mostrar uma atriz completamente diferente daquela que o público cristalizou no pedestal da televisão. Apesar de estar aposentada, Nívea reforça que atuar continua sendo o seu ganha-pão e a sua principal fonte de saúde e movimento. O hiato das novelas, inclusive, foi quebrado recentemente. A estrela retornou aos estúdios da Globo para integrar o elenco de Êta Mundo Melhor! (2025). Portanto, seja no palco ou na tela, a energia da artista prova que o talento não tem prazo de validade.

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Yasmin Lima é jornalista formada pela Universidade Paulista e graduanda em Marketing pelo MBA da USP. Tem experiência em redação, redes sociais e análise de dados, tendo atuado em empresas do grupo UOL e em contas do Governo e da Prefeitura de São Paulo. Apaixonada por comunicação digital, tem interesse especial em temas de entretenimento, política e esporte