Nikolly Fernandes quer ser exemplo: ‘Meninas negras são lindas e potentes’
No ar em Dona de Mim, a atriz Nikolly Fernandes comemora a estreia nas telinhas e exalta as influências familiares na caminhada profissional

Com apenas 19 anos, Nikolly Fernandes estreou nas novelas dando vida a Stephany da global das 7, Dona de Mim. Mas se engana quem pensa que a atriz é uma novata! Desde a infância, ela se dedica à atuação, dança e música, além de ser uma verdadeira apaixonada pelo carnaval.
Em papo exclusivo com CARAS, ela reflete sobre os rumos da carreira, a importância da família e o papel de destaque da irmã, a atriz Jeniffer Dias (34), na sua história.
– Qual a sensação ao ter sido aprovada para a novela?
– Foi um turbilhão enorme de sentimentos, mas eu não posso negar que sinto um alívio. E sinto isso porque, como uma artista mulher e negra, é quase impossível se imaginar realizando um sonho como este: estar em uma novela tão grandiosa que carrega tantos nomes de peso, interpretando uma personagem tão carismática e potente com 19 anos. É um êxtase enorme, mas também tem um frio na barriga, sinto que tem muita coisa em jogo.
– Como é viver essa experiência e estar ao lado de atores tão experientes?
– Tem sido mágico, realmente a realização de um sonho e também um aprendizado constante. Eu sou uma pessoa muito observadora, já fui ao estúdio mais de uma vez, mesmo estando de folga, apenas para ver Tony Ramos e Claudia Abreu em cena.
– Você é muito nova, mas já tem uma trajetória gigante de dedicação à arte. O que te despertou para isso?
– Minha mãe é dançarina, meu pai é músico e minha irmã é atriz, então eu brinco que foi algo que veio no meu sangue. Me dedico ao teatro desde os 6 anos, danço desde os 5 e me dediquei à música desde que aprendi a falar. Meu pai ficava preocupado dizendo que eu deveria ter momentos de lazer como criança, e eu dizia para ele que me divertia muito fazendo arte.
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– Além de atriz, você também tem muito talento para a música, canta e toca instrumentos…
– Sim! Estudei e me formei em piano e canto pela Escola de Música Villa-Lobos, uma das principais instituições de ensino e fomento à música no Brasil, onde também aprendi a ler partituras rítmicas e melódicas. Além de cantora, também toco flauta doce e vários instrumentos de percussão, como cuíca, tamborim, pandeiro, caixa, surdo, cajón, entre outros. A música é minha paixão, meu porto seguro, onde não tem estresse ou problemas.
– Qual é a sensação de poder servir de exemplo para outras meninas que se parecem com você?
– Eu digo para todos que tudo que eu faço na minha vida é para orgulhar minha família, que é composta majoritariamente por mulheres negras, mães solo e que não tiveram a oportunidade de realizar seus sonhos, porque a realidade da vida bateu na porta muito cedo. E hoje, depois de tudo que elas já passaram, eu ser um ponto de felicidade na vida delas é gratificante demais. E, mais ainda, é poder servir de exemplo para meninas negras retintas que sempre tiveram seus sonhos invalidados. Eu não quero só ser exemplo, mas também quero mudar a perspectiva de vida dessas meninas levando representatividade com a minha arte. Mostrar que elas são lindas, potentes. No futuro, me vejo sendo um símbolo de voz e empoderamento para mulheres como eu, trabalhando bastante e crescendo como artista. Sou apaixonada por novela e quero continuar nessa vertente, ficar craque na atuação para esse gênero, porque estou amando a experiência de fazer um trabalho que representa a nossa sociedade de forma tão verdadeira e de forma tão bonita.
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