Edvana Carvalho transforma sonhos em protagonismo: ‘Sinônimo de sucesso’

Em entrevista à Revista CARAS, Edvana Carvalho exalta a força da mulher negra e celebra novos horizontes

Edvana Carvalho transforma sonhos em protagonismo: 'Sinônimo de sucesso'
Edvana Carvalho transforma sonhos em protagonismo: 'Sinônimo de sucesso' - Foto: Selmy Yassuda

Há artistas que atravessam o tempo sem perder a capacidade de se reinventar. Edvana Carvalho é uma delas. Com mais de quatro décadas de carreira, a atriz chega aos 57 anos em um momento de plenitude: está no ar como Eunice no remake global de Vale Tudo, se prepara para a estreia do filme Malês, em outubro, e se mantém ativa em cartaz com o monólogo.

Aos 50 – Quem Me Aguenta, espetáculo que leva aos palcos a maturidade, o humor e a coragem de olhar para si mesma sem filtros.

“Para mim, fazer sucesso é trabalhar com o que eu realmente gosto de realizar. Ter começado aos 16 e chegar aos 57 fazendo a mesma coisa é sinônimo de sucesso, independentemente de ficar ou não conhecida pelo Brasil“, afirma ela, que em cada projeto relembra a força de sua jornada, marcada pela superação, pelo enfrentamento de barreiras e pela conquista de espaços historicamente negados às mulheres negras no país.

“É uma alegria muito grande quando conseguimos driblar certos marcadores sociais que trazem impedimentos de crescimento. Como mulher negra, quando você consegue ter sucesso, é como se estivesse resgatando sua mãe, sua avó e suas tias junto com você”, declara.

Herdeira de uma geração para quem a universidade parecia algo inalcançável, Edvana ainda lembra com orgulho que ela e um primo foram os primeiros da família a ingressar no ensino superior. O feito, para além do diploma, representava uma quebra de expectativas.

“Na minha família, ou se virava doméstica, ou se trabalhava em algum serviço interno. Poder estudar foi uma revolução”, entrega a atriz.

A conquista ecoa até hoje em sua carreira. Atualmente, por exemplo, Edvana segue estudando e vê na educação uma forma permanente de transformação. “A escola mudou completamente meu destino. Hoje encontro ex-alunos que são meus colegas de trabalho e isso me enche de orgulho”, conta ela, mestranda em Dramaturgia.

Embora viva um momento de plenitude, Edvana entrega que nem sempre as portas se abriram com facilidade e o reconhecimento demorou a vir.

“Os desafios que acompanharam a minha trajetória não foram nada leves. Enfrentei muitas coisas e ainda enfrento. O racismo estrutural é muito bem enraizado, muito difícil de romper. Por anos, fiz trabalhos com protagonistas brancos, e aquilo me dizia, e dizia ao público, quem podia ser visto como protagonista. Hoje as coisas estão mudando, mas foi um percurso longo”, analisa ela.

Ainda assim, esse reconhecimento tardio, como ela mesma chama, não apaga sua alegria em perceber que a luta de gerações produziu e continuará produzindo frutos.

Leia também: Edvana Carvalho explica sucesso de personagem em Renascer: ‘Veem todas as mães em uma só Inácia’

“A luta de quem veio antes de mim, dos movimentos antirracistas, do próprio movimento negro… tudo isso deu certo. Hoje podemos adentrar lugares onde antes não podíamos por meio da arte. É muito gratificante entender isso”, completa.

Aliás, é por intermédio dessa ideia que Edvana construiu a versão de Eunice, sua personagem em Vale Tudo, trama do horário nobre. Se nos anos 1988, quando foi exibida pela primeira vez, a novela refletia um Brasil em transição, hoje ela pede outras camadas de leitura.

“A Eunice precisa de outra força. É literalmente o papel da mulher atual, que precisa se reinventar todos os dias, equilibrando responsabilidades e, ao mesmo tempo, afirmando sua autonomia. Ela é um espelho das mulheres que conheço e admiro”, explica.

Em paralelo à televisão, Edvana encontra no teatro um território de liberdade criativa com seu monólogo, que, após rodar o País, segue com apresentações pontuais aos finais de semana.

No palco, a atriz reflete sobre a mulher negra e sua maturidade e a sororidade ao ultrapassar as barreiras trazidas pelos 50 anos, compartilhando como público a ideia de que a maturidade não é um fardo, mas um campo de possibilidades.

“A idade, às vezes, pesa, pois vivemos em um mundo etarista. E, claro, fisicamente enfrentamos mudanças e precisamos lidar com isso. O autocuidado, hoje, é diferente”, garante.

Prestes a estrear no cinema em Malês, de Antônio Pitanga (86), Edvana afirma que quer continuar
contando histórias com leveza e profundidade enquanto celebra a multiplicidade de seus papéis —ela é atriz, estudante, mulher, mãe e avó.

“A vida é múltipla e é isso que a torna tão bonita. Gosto de cozinhar, estar com meus amigos, tomar banho de mar. Ainda quero escrever mais, contar histórias, ter saúde para curtir os meus netos… o resto vem como consequência. A simplicidade me sustenta”, revela ela, sempre de braços abertos para a vida.

ACOMPANHE AS REDES SOCIAIS DA CARAS E FIQUE POR DENTRO DE TUDO O QUE ACONTECE NA VIDA DOS FAMOSOS:

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por CARAS (@carasbrasil)