O relato de Lúcio Mauro Filho (52) sobre o câncer de intestino chamou atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. O ator revelou que descobriu a doença durante uma colonoscopia e contou que o diagnóstico aconteceu em uma fase inicial, o que permitiu realizar o tratamento. Mas afinal, quando é preciso começar a prevenção contra o câncer colorretal? A colonoscopia deve ser feita a partir de qual idade? Quais sinais merecem atenção?

Para esclarecer essas dúvidas, a CARAS Brasil conversou com a médica Patrícia Almeida, gastroenterologista e hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia.

Câncer colorretal pode ser descoberto antes dos sintomas

De acordo com a especialista, a experiência relatada por Lúcio Mauro Filho mostra justamente como o diagnóstico precoce pode mudar o caminho de uma doença.

“O relato recente de Lúcio Mauro Filho, que contou ter descoberto um câncer de intestino durante uma colonoscopia realizada em exames de rotina, traduz de forma muito concreta uma mensagem que nós, médicos, repetimos com frequência: diagnosticar cedo pode mudar completamente a trajetória de um câncer.”

A médica explica que o câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no Brasil e destaca que a doença possui uma característica que torna a prevenção especialmente importante.

“O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no Brasil. Ao mesmo tempo, é um dos exemplos mais claros de como prevenção e rastreamento podem salvar vidas.”

Segundo Patrícia Almeida, muitos casos começam a partir de alterações que podem ser identificadas antes de se transformarem em um tumor.

“Isso acontece porque muitos desses tumores se desenvolvem lentamente, a partir de pólipos e outras lesões precursoras. Existe, portanto, uma janela preciosa em que podemos agir: antes que o câncer surja ou enquanto ele ainda está em uma fase inicial, com possibilidades de cura muito elevadas.”

Lúcio Mauro Filho - Foto: Globo/Bob Paulino
Lúcio Mauro Filho – Foto: Globo/Bob Paulino

Qual é a idade para fazer colonoscopia?

A colonoscopia é um dos principais exames utilizados no rastreamento do câncer colorretal. Além de permitir a identificação de alterações, o procedimento também pode possibilitar a retirada de pólipos durante o próprio exame.

“A colonoscopia tem um papel especial nesse cenário. Além de diagnosticar tumores precocemente, ela permite identificar e retirar pólipos durante o próprio exame, interrompendo, em alguns casos, o caminho que poderia levar ao câncer.”

Para pessoas que não apresentam sintomas e são consideradas de risco habitual, a médica explica que o rastreamento deve ser discutido a partir dos 45 anos.

“Para pessoas assintomáticas e de risco habitual, o rastreamento do câncer colorretal deve ser discutido a partir dos 45 anos. Mas essa idade não é uma regra para quem apresenta sintomas. Sangramento nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, anemia sem explicação, perda de peso ou dor abdominal recorrente precisam ser investigados independentemente da idade. Histórico familiar também pode indicar uma avaliação mais precoce.”

Isso significa que a idade indicada para o rastreamento não deve ser usada como motivo para adiar uma investigação quando existem sintomas de câncer colorretal ou fatores de risco.

Lúcio Mauro Filho revela desejo de cuidar da saúde em 2025
Lúcio Mauro Filho – Foto: Reprodução/Instagram

Sintomas do câncer de intestino que merecem atenção

Entre os sinais citados pela especialista estão sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, anemia sem explicação, perda de peso e dor abdominal recorrente.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que exista um câncer. Porém, segundo a médica, eles precisam ser avaliados por um profissional de saúde, independentemente da idade.

O histórico familiar de câncer colorretal também merece atenção, já que pode fazer com que o rastreamento precise começar mais cedo.

Lúcio Mauro Filho
Lúcio Mauro Filho – Foto: Globo

Alimentação e hábitos também fazem parte da prevenção

A prevenção do câncer colorretal não depende exclusivamente da realização de exames. Segundo Patrícia Almeida, alguns hábitos podem contribuir para a redução do risco da doença: “E prevenção não começa na sala de endoscopia.”

A médica recomenda atenção à alimentação, prática de exercícios e outros cuidados com a saúde.

“Manter atividade física regular, cuidar do peso, ter uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras, legumes e cereais integrais, reduzir carnes processadas, não fumar e moderar o consumo de álcool são atitudes que ajudam a diminuir o risco da doença.”

Ainda assim, adotar hábitos saudáveis não significa que uma pessoa esteja completamente protegida contra o câncer: “Nenhum hábito saudável oferece proteção absoluta. E é justamente por isso que estilo de vida e rastreamento caminham juntos.”

Lúcio Mauro Filho

Check-up não significa fazer todos os exames

A especialista também chama atenção para uma ideia comum quando o assunto é prevenção: a de que fazer uma grande quantidade de exames automaticamente significa cuidar melhor da saúde.

“Também não se trata de transformar o check-up em uma coleção de exames. Prevenção de qualidade significa conhecer os próprios riscos e realizar, no momento adequado, aquilo que realmente pode modificar um desfecho.”

A mensagem ganha importância diante do relato de Lúcio Mauro Filho, que descobriu o câncer de intestino durante uma investigação médica.

“A história de Lúcio Mauro Filho nos lembra de algo simples, mas poderoso: algumas doenças podem permanecer silenciosas por muito tempo. E, no câncer colorretal, muitas vezes temos a oportunidade de chegar antes delas.”

Para Patrícia Almeida, a prevenção deve ser encarada como uma oportunidade de agir antes que uma doença tenha consequências maiores.

“Cuidar da saúde não é viver procurando doenças. É não perder a chance de prevenir aquilo que pode ser prevenido e de descobrir cedo aquilo que pode ser curado.”

Lúcio Mauro Filho -Globo/ Angelica Goudinho

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