De cara, ela conquista qualquer um com o sorriso radiante e as piadas na ponta da língua. “Já quero ser convidada para a Ilha e para o Castelo! Nunca me achei tão famosa quanto hoje, estando na CARAS, e olha que já participei até do Fantástico”, avisa, aos risos, Bruna Louise (41), que abriu as portas de seu duplex na Vila Mariana, em SP, com exclusividade. “Infelizmente, eu vou ter que arranjar um esposo troféu para aparecer nas fotos… para combinar”, ironiza ela.
Uma das comediantes de maior sucesso no País e celebrando 15 anos de carreira, Bruna conquistou seu espaço em um mercado ainda dominado por homens e não se intimida pela presença deles. Em papo sincero — e divertido —, a artista fala sobre maturidade, intimidade e suas grandes inspirações para fazer humor.
– Mulheres humoristas ainda sofrem muita resistência de uma parte do público. Como você conseguiu vencer isso?
– Sempre vai ter gente duvidando. Não gosto de dizer que não venci porque acho que é desmerecer a minha batalha, mas também não posso dizer que a guerra acabou. Eu fico muito feliz de ver que tenho um público fiel e que gosta de consumir esse conteúdo, que é diferente do stand up feito há 15 anos. Quando eu comecei, o alvo das piadas era a mulher e hoje, por exemplo, meu alvo principal para a piada é o homem! Também tem um público masculino, de homem hétero, que consegue rir de si mesmo. A gente mudou completamente o cenário? Não, mas nós já avançamos muito e eu fico feliz de ver minhas plateias cheias. Gosto de trazer alguma reflexão, mas também gosto do texto por puro entretenimento. A comédia é um alívio para a rotina.
– Como o humor surgiu na sua vida?
– Eu venho de uma família só de mulheres. Para mim, foi um choque quando comecei a fazer comédia e ouvia que mulher não era engraçada. Na minha casa, todas as mulheres eram muito engraçadas! De onde tiraram isso? Para mim, foi meio natural por eu ter vindo desse lugar de mulheres engraçadas. Comecei a fazer teatro com 15 anos, mas eu era uma péssima atriz porque se fizesse comédia as pessoas riam e se fizesse drama as pessoas também riam. Então, meu negócio era mesmo a comédia. Eu fui uma adolescente muito feia, é como se Satanás tivesse me abraçado com 13 anos e me cuspido de volta aos 22! Eu era um prato cheio para ser zoada. Mas quando a zoeira chegava a mim, eu já fazia piada. O humor chegou à minha vida nesse lugar. A comédia nos ajuda a lidar com os próprios dramas e problemas. O que você está vivendo pode ser triste naquele momento, mas também pode ser engraçado. É uma superação de certa forma. Quando você não se leva tão a sério, você se permite errar e rir junto com as pessoas. Deixa a vida mais leve.
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– Esperava chegar tão longe?
– Nem sonhava com isso. Mas também não tinha outro plano. Sempre foi o que eu quis. Não sabia se ia dar certo. Nunca imaginei dar entrevista para CARAS, nunca imaginei conquistas como ser a primeira comediante mulher do Brasil a ter um especial na Netflix… Nunca pensei em tentar fazer comédia por cinco anos e, se desse errado, iria estudar para concurso. Era vai ou racha. Tinha que dar certo para pelo menos eu sobreviver disso. E aí tomou uma proporção muito maior graças a Deus e graças a muito trabalho. Eu sou muito paranoica e workaholic.
– Você sente que o humor perdeu espaço, especialmente na TV aberta do Brasil?
– Se você analisar o comportamento de consumo do brasileiro, nós consumimos muito humor. A novela tem humor, a campanha publicitária. Então, tudo que dá muito certo tem humor. Mas o humor enquanto arte é muito marginalizado. Não só no Brasil, mas no mundo. Um prêmio como melhor atriz de comédia parece uma arte menor, o que é um grande absurdo porque pessoas consomem muito o humor. O stand up é marginalizado pela própria classe artística. E eu acho uma besteira porque a gente está abrindo as portas para pessoas que nunca foram ao teatro. Se essa experiência for boa, aquele casal que foi assistir a um stand up pode voltar e assistir a uma peça de teatro. Quando você vai a um musical, por exemplo, você vê os comediantes roubando a cena. Quem faz humor consegue ter o mesmo brilho dos outros. Por isso eu acho que o humor é muito forte.
– Ser uma mulher segura e bem-sucedida ainda assusta os homens?
– Assusta homem frouxo! E eu não quero me relacionar com homem frouxo, então eu não me preocupo. O homem vai errar comigo e vai pirar piada. Não existe mais espaço hoje em dia para o homem que não quer estar com uma mulher tão bem-sucedida quanto ou mais do que ele. É um discurso ultrapassado, tenho preguiça desses machos assim. Prefiro ficar sozinha do que lidando com ego ferido. Não tenho tempo para isso. Não que eu queira ficar sozinha. Pretendo casar, ter filho, cachorro, papagaio. Mas não estou a fim de abrir mão da minha paz por pouco. Eu quero um homem com bom humor, que consiga rir das minhas piadas.
– Você ainda guarda um sonho que deseja realizar?
– Vai parecer até papo de coach, mas uma coisa que eu sempre peço, até em oração, é para que a minha história inspire outras mulheres, independentemente da carreira que elas tenham. Eu não acreditei em vários nãos que levei e quero que as pessoas que me assistam também tenham essa persistência, não importa qual o nicho delas.
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