Recentemente, Xuxa voltou a falar abertamente sobre a relação com Junno Andrade, com quem está desde 2012. Em entrevista à Quem, a apresnetadora de 63 anos afirmou que a vida a dois é marcada por cumplicidade, respeito e também por “muito amor, muito sexo e muito tesão”. Ela contou ainda que percebeu uma mudança positiva na própria vida sexual depois dos 50 anos.

A declaração levanta uma questão cercada por muitos tabus: o desejo sexual necessariamente diminui com a idade? Para entender o que pode mudar nessa fase, a CARAS Brasil conversou com a sexóloga Bárbara Bastos. Sem analisar especificamente a experiência de Xuxa, a especialista explica que envelhecimento e menopausa não significam, por si só, o fim da libido.

Desejo não desaparece automaticamente após os 50

Segundo Bárbara, ainda existe uma ideia equivocada de que mulheres inevitavelmente perdem o interesse por sexo conforme envelhecem. Na prática, a experiência pode ser bastante diferente.

“Cada vez mais mulheres com mais de 50 anos relatam justamente o contrário: que se redescobriram, que estão vivendo uma fase de maior liberdade e até de mais desejo sexual”, explica.

A especialista destaca que, nessa fase, muitas mulheres já conhecem melhor o próprio corpo e carregam menos cobranças relacionadas à aparência ou à performance. Essa segurança pode tornar a sexualidade mais leve e satisfatória.

Isso não significa que não existam mudanças físicas. Durante a menopausa, alterações hormonais podem causar ressecamento vaginal, redução da lubrificação e mudanças no assoalho pélvico. Ainda assim, Bárbara reforça que libido e hormônios não são a mesma coisa.

“O desejo começa na mente. Ele envolve imaginação, conexão emocional, autoestima, qualidade do relacionamento, estímulos e experiências”, afirma.

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Intimidade vai além da frequência sexual

Xuxa também relacionou a duração do relacionamento à cumplicidade e ao respeito pelos desejos de cada um. Para Bárbara, esses elementos ajudam a construir uma vida íntima saudável, mas sexo não deve ser entendido apenas como o ato sexual.

“A intimidade vai muito além disso. É o beijo mais demorado, o abraço, o toque, a troca de olhares, o carinho, as brincadeiras e toda a conexão afetiva e erótica que existe entre o casal”, explica.

Segundo a sexóloga, um problema frequente aparece quando uma das pessoas deixa de se sentir desejada. Por isso, preservar demonstrações de interesse e conversar abertamente sobre vontades, inseguranças e limites pode fortalecer a relação ao longo dos anos.

Paixão precisa ser alimentada no cotidiano

Para Bárbara, relacionamentos longos também não estão condenados a perder o desejo. Muitas vezes, o que diminui não é necessariamente o sentimento, mas as atitudes que mantinham a conexão viva.

“Aos poucos, o casal deixa de demonstrar carinho, admiração, interesse, afeto e curiosidade pelo outro. E, naturalmente, a conexão também enfraquece”, afirma.

A especialista reforça que não existe uma receita única. No caso da menopausa, especialmente quando surgem dor, desconforto ou outros sintomas, o acompanhamento médico deve ser individualizado. Ginecologistas e outros profissionais podem avaliar quais cuidados fazem sentido em cada situação.

Para Bárbara, a principal mensagem é que essa etapa não precisa representar uma despedida da sexualidade: “A menopausa representa uma nova etapa, mas não o fim da vida sexual”.

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