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Representante da Inglaterra, Anjoum Noorani vive em imóvel estiloso no Rio; veja fotos

Em entrevista à Revista CARAS, o Cônsul-Geral Anjoum Noorani recorda a visita de príncipe William ao Brasil e detalha sua profissão

Foto: Selmy Yassuda
Anjoum Noorani abre portas do seu apartamento; confira imagens do imóvel estiloso | Foto: Selmy Yassuda

Ele nasceu na Inglaterra e tem raízes indianas, mas o coração bate mesmo em ritmo de samba! Cônsul-Geral Britânico no Rio de Janeiro, Anjoum Noorani (46) descobriu no Brasil mais do que um posto diplomático: encontrou um verdadeiro lar, cheio de afeto, espontaneidade, calor humano e, por que não, algumas caipiroscas.

Sou apaixonado pelo Rio de Janeiro e pela brasilidade e, quando digo brasilidade, estou falando dos valores das pessoas, do respeito pela diversidade, da importância da família e de receber bem as pessoas —acho que tudo isso é brasileiro, mas também é britânico e indiano, ou seja, une três culturas diferentes”, explica o diplomata, que abriu as portas de seu apartamento, em Ipanema, após encarar uma missão real: estar na linha de frente da equipe responsável pela visita do príncipe William (43) ao Rio.

Qualquer visita para nós não é pouca coisa, ainda mais uma visita real. A gente planejou por 11 meses. Digo que superamos 120% as expectativas! Não só pela equipe do consulado e da embaixada, mas pela receptividade dos brasileiros”, aponta ele.

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Vivendo ao melhor estilo carioca desde 2022, quando assumiu o posto, Anjoum é fã de carnaval e já faz até planos para cruzar a avenida do samba. Ele também adora a praia e admite ter deixado a pontualidade britânica de lado. “Me acostumei a chegar um pouco atrasados nos compromissos”, diz, aos risos.

Casado com o americano Mike Mclean (37), que por sorte do destino também trabalha na área diplomática, no ano que vem, eles fazem as malas rumo a um novo desafio. O destino, no entanto, ainda é incerto. “Não queria sair daqui, meu sonho sempre foi morar no Rio, mas quem trabalha nessa profissão vive ciclos em cada país”, avisa ele, cuja brasilidade é tamanha, que até no cinema nacional ele foi parar! Anjoum fez uma pequena participação no longa O Agente Secreto, atuando como um professor britânico.

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Como foram os bastidores da visita real?
Foi incrível. Desde o início, pensamos em como casar os interesses dele e do Prêmio Earthshot com a cidade do Rio de Janeiro e os brasileiros. Também tivemos que lidar com mudanças, como quando descobrimos que além do príncipe viria o primeiro-ministro e o prefeito de Londres. Os brasileiros receberam o príncipe com muito carinho e ele respondeu positivamente à essa informalidade.

Teve espaço para quebra de protocolo?
Acho que o príncipe está modernizando a família real, então, há menos protocolos definidos. Por exemplo, existia um protocolo que era não tocar nem saudar o príncipe antes de ele te saudar. E claro que os cariocas não respeitaram isso, mas de uma forma gentil. Inclusive, falamos para o palácio, antes de ele chegar, que os cariocas são pessoas com paixão e o príncipe recebeu isso bem. Ele mostrou que é da nova geração da família real e que sabe lidar com essa informalidade.

Que imagem William levou do Brasil?
Eu usaria a palavra alegria. Em todos os momentos que ele estava com o público tinha essa alegria, que casa com a iniciativa que ele quis promover aqui, de otimismo. Estamos enfrentando uma crise climática, mas temos que chegar a essa crise com otimismo.

Como entrou na área diplomática?
A carreira começou na faculdade, quando estudava Filosofia, Política e Economia e não sabia direito o que fazer. Antes, tive uma luta interna, porque minha família é humilde, então meu cérebro queria que eu fosse banqueiro para ter estabilidade financeira. Mas meu coração queria ser professor, para fazer algo de bom para o mundo. No conflito entre cérebro e coração, fui para o serviço público e apliquei para uma vaga do serviço diplomático. Me apaixonei pela carreira por duas razões. A primeira é que sou curioso, adoro conhecer países, culturas e línguas e tenho a oportunidade de fazer isso. A segunda é que, como meus pais são indianos e migraram para o Reino Unido, na infância, eu tive o desafio de conectar meu lado britânico com o lado indiano. Esse é o papel do diplomata, entender e conectar culturas diferentes.

Quais hábitos cariocas incorporou?
Nos finais de semana, a gente vai à praia com os amigos, toma caipirosca. Adoro os almoços longos dos finais de semana, você chega à casa da pessoa e fica horas batendo papo, fofocando. E gosto de carnaval, de passar a noite dançando, entendendo os enredos…

Apesar das culturas diferentes, o que britânicos e brasileiros têm em comum?
Um ponto comum é o humor. Os britânicos adoram usar o humor, apesar de ser um pouco diferente do humor carioca. Outra coisa é a informalidade. As pessoas acham que os britânicos são formais, mas quando os britânicos conhecem bem uma pessoa, eles ficam informais, como os cariocas. E tem outras formas culturais de se conectar: esporte, música, futebol e até a cultura marítima. São lugares abertos para o mar, têm um pensamento internacional e a preocupação em receber bem as pessoas.

O trabalho, de certa forma, tem um pouco do professor que quer mudar o mundo…
A diplomacia para mim é uma profissão nobre, porque tenta criar convergências nas diferenças. Somos diferentes e isso é inegável, mas o importante é buscar valores comuns para poder construir pontes que possam nos ajudar a enfrentar todos os grandes desafios.

 

 

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Tamara Gaspar é subeditora da revista CARAS e CONTIGO! Novelas. Formada em Jornalismo e Letras, possui extensão em Teoria da Comunicação e é especialista em monarquia. Escreve sobre celebridades, realeza, TV e novelas.