Aos 50 anos, Patrícia Poeta admite: ainda tem o frio na barriga de quem estreia. Em vez de se acomodar nas certezas de uma carreira consolidada, a apresentadora do Encontro, da Globo, prefere trilhar novos caminhos e desbravar territórios inexplorados. “A idade pode trazer experiência, maturidade e segurança. Não precisa trazer limites”, afirma ela. A inquietação, aliás, vem de longe e é herança daquela menina que ouvia histórias, fazia perguntas e encontrou no jornalismo um jeito de compreender o mundo. Meio século depois, a curiosidade continua sendo sua bússola. “O segredo é não deixar a nossa curiosidade envelhecer”, define ela, sempre disposta a mudar o próprio roteiro. “Não chego aos 50 com aquela sensação de missão cumprida. Muito pelo contrário. Chego com uma vontade enorme de viver”, avisa a estrela, em conversa com CARAS.
Em meio às páginas em branco, Patrícia não descarta reservar um capítulo para o coração, mas nem de longe fica refém disso. “Acho importante falar sobre isso porque, muitas vezes, existe uma ideia de que a mulher precisa estar num relacionamento para estar completa. Não acredito nisso. A felicidade não pode ficar condicionada à chegada de alguém. Se um amor chegar para somar, maravilhoso. Mas a minha vida não fica em suspenso esperando por isso. Ela está acontecendo agora. E está muito boa!”, dispara ela.
– Cinquenta anos! A idade é um marco?
– Sim! Mas não pelo número em si. Acho que os 50 têm um simbolismo bonito. É meio século de histórias, de encontros, de escolhas, de acertos e, claro, de alguns erros também. Quando olho para trás, vejo uma menina que tinha sonhos e que trabalhou muito para realizar boa parte deles. E o mais interessante é perceber que, mesmo depois de tantas conquistas, continuo tendo sonhos. Continuo querendo aprender, conhecer pessoas, descobrir lugares, viver experiências. Isso é o mais bonito dessa fase: você já tem bagagem, mas continua com espaço para colocar coisas boas dentro dela.
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– O que ainda carrega da menina que começou no jornalismo?
– A curiosidade! Essa é uma característica minha que o tempo não conseguiu mudar. E ainda bem! Também carrego daquela menina a vontade de trabalhar, a disciplina e a consciência de que nada vem de graça. Comecei cedo, trabalhei de graça no início porque precisava de experiência e de oportunidade. E, quando ela apareceu, agarrei com unhas e dentes. Aquela menina teria muito orgulho da mulher que me tornei. Mas acredito que ficaria ainda mais feliz em descobrir que a gente não perdeu a capacidade de se surpreender com a vida.
– E o que deixou para trás?
– A necessidade de ter todas as respostas. Quando somos mais jovens, existe uma certa ansiedade de acertar, de corresponder às expectativas e de mostrar que estamos no caminho certo. Com o tempo, você entende que não precisa saber tudo, controlar tudo e nem agradar a todo mundo. E isso é libertador. A maturidade vai ensinando a gente a escolher melhor onde coloca a própria energia. Também aprendi que dizer não pode ser tão importante quanto dizer sim. E que mudar de ideia não significa fraqueza, significa que você cresceu, aprendeu e enxergou alguma coisa de outra maneira.
– Os 50 trouxeram reflexões?
– Sim, principalmente, uma reflexão sobre o tempo. Não no sentido de que ele está passando, porque isso é inevitável, mas sobre o que a gente faz com ele. Durante muitos anos, minha vida foi muito pautada pelo trabalho, pelos horários, pelos compromissos e pelas responsabilidades. Continuo amando tudo isso. Mas cada vez mais percebo a importância de estar presente na própria vida. De aproveitar um jantar sem pressa, uma conversa boa, uma viagem ou uma risada daquelas que fazem a barriga doer. Parece simples, né? E é. Só que, muitas vezes, a gente complica. Hoje, penso muito na qualidade das minhas memórias. Quero chegar lá na frente, olhar para trás e pensar: caramba, eu fui feliz. Minha grande meta é ser feliz. E não deixar essa felicidade sempre para depois.
– Sente-se mais livre para ser você mesma?
– Muito mais e essa é uma das vantagens da maturidade. Você vai se conhecendo melhor, entendendo seus limites, suas vontades e aquilo que realmente faz sentido para você. E vai perdendo um pouco o medo do julgamento. Claro que ninguém vive numa bolha, todos nós somos afetados pelo olhar do outro em algum momento. Mas hoje esse olhar tem um peso muito menor nas minhas decisões. Eu me permito mais. Me permito experimentar, mudar, ousar e até pagar um mico de vez em quando! Acho maravilhoso chegar a uma fase da vida em que você não precisa ficar se explicando o tempo inteiro. Você simplesmente é. E existe uma felicidade muito grande nisso.
– Sua relação com o espelho mudou?
– Mudou porque meu olhar também mudou. Quando somos mais jovens, muitas vezes olhamos para o espelho procurando o que gostaríamos de mudar. Hoje, procuro enxergar a mulher que está ali. E essa mulher tem uma história. Tem conquistas, alegrias, algumas noites maldormidas, muitas horas de trabalho e momentos difíceis que foram superados. Uma mulher que viveu. Tudo isso faz parte de quem sou. Gosto de me cuidar, gosto de me sentir bonita e gosto de me arrumar, mas não quero que a minha relação com o espelho seja uma disputa com o tempo. Não tenho a pretensão de parecer a Patrícia de 20 ou 30 anos. Quero estar bem sendo a Patrícia de 50.
– As cobranças da sociedade em cima da mulher são inevitáveis. Como lida com elas?
– A mulher é muito cobrada. Se envelhece, é criticada. Se se cuida, também. Se usa uma roupa mais ousada, alguém questiona. Se prefere algo mais discreto, aparece alguém para opinar. É curioso, né? Parece que existe sempre uma expectativa sobre como a mulher deveria se comportar em cada idade. Precisamos, cada vez mais, nos libertar dessas caixinhas. Não existe um manual dizendo o que uma mulher pode ou não fazer aos 30, aos 40, aos 50 ou aos 70 anos. Trabalho com TV, com imagem, então é natural que exista uma exposição. Mas procuro não transformar isso numa prisão. Gosto de moda, de beleza, de me cuidar, mas faço essas coisas por mim. A gente precisa parar de perguntar se uma mulher tem idade para determinada coisa e perguntar se aquilo a faz feliz.
– Ou seja, não existe idade, tempo ou barreiras para você! É assim?
– Acredito que a gente não pode perder a capacidade de viver primeiras vezes. Olha que coisa interessante: estou chegando aos 50 anos e continuo fazendo coisas que nunca tinha feito antes! E não significa que eu não tenha medo, insegurança ou aquele friozinho na barriga. Às vezes, as pessoas acham que, depois de determinada idade, você precisa desacelerar, seguir um roteiro já estabelecido. Mas quem escreveu esse roteiro? Não quero viver presa a ele. Quero continuar me surpreendendo.
– E recentemente você se desafiou ao desfilar pela primeira vez em uma passarela!
– Foi uma aventura! Imagine uma pessoa que passou a vida inteira fazendo perguntas, entrevistando os outros, de repente tendo que entrar numa passarela na NYFW. É um universo completamente diferente do meu. Tive que aprender a caminhar, a postura e até o olhar. Foi um nervosismo gostoso, de quem está diante de um desafio novo. Acho que, quando disseram que estava chegando a hora de desacelerar, resolvi fazer o contrário: acelerar em direção a uma coisa que nunca tinha feito. E adorei!
– Como é a Patrícia por trás das câmeras?
– Sou mais simples do que talvez as pessoas imaginem. Gosto de estar com a família, meus amigos, ver séries, uma boa conversa e de doce, hamburguer e Coca Cola. Adoro viajar, conhecer lugares, culturas e histórias. Tenho uma curiosidade enorme pelo mundo. Também valorizo muito os meus momentos de tranquilidade. Até porque minha rotina começa muito cedo. Acordo às 4h30 da manhã para trabalhar, então aprendi a dar valor aos pequenos prazeres do dia a dia. No fundo, a Patrícia de fora da TV é uma mulher que gosta de coisas parecidas com as de qualquer outra pessoa: afeto, boas companhias, paz e momentos felizes. O que muda é que, às vezes, preciso dormir antes de todo mundo!
– E o coração?
– Meu coração está muito bem, obrigada! A vida já tem tantas responsabilidades, tantos desafios, que as relações precisam ser um lugar de acolhimento e não de cobrança. É bonito quando duas pessoas conseguem caminhar juntas sem que uma precise diminuir o espaço da outra. E sabe uma coisa que valorizo? Ter assunto. Gosto de gente interessante, que queira conhecer o mundo e que saiba rir de si mesma.
– São quatro anos de Encontro. Qual o segredo do programa para se manter relevante?
– A TV mudou, o comportamento do público mudou, assim como a maneira de consumir informação. O Encontro tem essa capacidade de conversar com o Brasil. De falar sobre assuntos importantes, mas também de divertir, emocionar, informar e prestar serviço. Em 2026, tivemos a oportunidade de levar o programa para diferentes lugares e de estar mais próximos das pessoas e de conhecer histórias que talvez não chegassem até nós. Mesmo após tantos anos, continuo aprendendo todos os dias com as pessoas que entrevisto. Esse é o segredo: nunca achar que você já sabe tudo sobre o seu público. No fim das contas, TV é tecnologia, é produção, é conteúdo, mas, acima de tudo, é conexão humana. E isso nunca sai de moda.
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