Estrela de Tremembé, Carol Garcia revela sobre outra profissão: ‘A depressão me impulsionou’
Intérprete de Elize Matsunaga na série Tremembé, Carol Garcia ainda revela os desafios da personagem em entrevista à Revista CARAS

Dona de currículo que inclui novelas como a global A Dona do Pedaço, e produções de comédia como Sem Filtro, da Netflix, a atriz Carol Garcia (35) viveu um dos maiores desafios de sua carreira ao mergulhar no drama real de Tremembé. Intérprete de Elize Matsunaga (44) na série, ela quase não fez o teste para o personagem. O motivo? Não acreditava que conseguiria se posicionar neste lugar.
“Achava que não ia passar, por isso relutei“, diz a artista, cuja trajetória sempre foi marcada pelas nuances do humor. Determinada, a carioca venceu seus próprios medos, passou no teste e provou que era capaz de viver a personagem. Definitivamente, ela se entregou de corpo e alma! O resultado foi uma chuva de elogios, novos fãs, além do reposicionamento de sua carreira.
“Quero que muita gente assista, que produtores e diretores que me conhecem pelo humor vejam esse trabalho e consigam pensar em mim para outros tipos de personagem. Eu estou muito esperançosa para isso acontecer”, diz ela, durante papo exclusivo com a Revista CARAS, no Hotel Nacional, no Rio de Janeiro.
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Antes mesmo da estreia, Carol acreditava que a história conquistaria o público, mas não imaginava que seria um fenômeno, muito menos que se tornaria a produção brasileira mais assistida na história do Prime Video. Para ela, narrativas baseadas em crimes reais fazem sucesso porque existe um imaginário coletivo.
“Além de uma tentativa de compreensão sobre o que essas pessoas passaram, como chegaram a atos tão duros, cruéis, perversos. Creio, estamos em busca da compreensão do ser humano e assistindo a uma série dessa, a gente está protegido, porque é uma ficção, então a curiosidade pode ser cessada ou ampliada por meio do que a gente vê“, aposta.
Para ela, esse foi seu trabalho mais desafiador após ter atuado no espetáculo Kafka e a Boneca Viajante. “Comecei a fazer teatro e sigo fazendo porque não gosto de ficar parada ou confortável. Eu gosto do não saber, da pesquisa, de descobrir coisas novas, gosto do risco. Tem gente que salta de paraquedas, eu faço teatro [risos]. O meu abismo é o personagem, é o que dá medo, frio na barriga, é de uma exposição muito grande porque a gente não sabe como vai chegar ao outro. É isso que me mantém viva“, afirma.
E olhando por esse lado, Tremembé foi um prato cheio. “Investiguei em mim como fazer algo que era muito distante por vários motivos, por estética, sotaque, gesto, o ambiente em que aquela personagem estava inserida, que eu nunca pisei e o nível de ódio que ela chegou até cometer o crime… são coisas que nunca passei. É fascinante poder viver isso na cena sem necessariamente viver“, fala.
Apesar de ter adorado a experiência, a atriz admite que não foi fácil lidar com a carga dramática que a série exige. “É pesado. Saí diversas vezes do set de filmagem exausta, com dores de cabeça, com uma tristeza que não sabia muito explicar o que era, mas é porque você passou o dia inteiro dentro de um cenário que era a reprodução de uma cadeia, tinham figurantes que eram egressas do sistema prisional, então eu ouvia muitas histórias e fabricava uma emoção para estar ali. E ao fabricar essa emoção o seu corpo sente, ele não sabe que é mentira“, explica a carioca. Ao chegar em casa, para aliviar a tensão, ela procurava assistir alguma coisa leve na TV, conversar com seu namorado, Guilherme Nascimento, e ter uma boa noite de sono.
A importância do trabalho na trajetória de Carol Garcia
Para muitas pessoas, Carol pode ser um rosto novo, mas ela está nas artes cênicas desde a infância. “Foi com 11 anos. Eu amava ir ao teatro e depois comecei a fazer. Era muito tímida, sonhadora e um pouco melancólica. O teatro era o lugar que eu conseguia sonhar mais e me libertar. Passei por muitos processos de aprovação comigo mesma, de aceitar quem eu era, o meu corpo, minha voz. Ao longo do tempo fui entendendo que realmente eu não tinha outro lugar para estar. Sou muito feliz fazendo o que faço. Até quando dói. O que sou não está separado de ser atriz“, afirma ela, que também é celebrante de casamento e mentora de oratória.
“Sempre quis ter um outro trabalho por segurança financeira e entendi que precisava fazer alguma coisa que me desse tanto prazer quanto a atuação, porque sou movida pelo prazer. Eu gosto muito de ser feliz. Primeiro veio a celebração de casamento, porque gosto de escrever, gosto de histórias, de ouvir as pessoas, falar à beça, e era uma forma de expressão, de celebrar algo que acredito, que é a união das pessoas numa era onde as relações são frágeis. E a oratória veio por conta da celebração. Não são um plano B. A celebração de casamento nem tanto, mas a mentoria de oratória e a atuação estão no mesmo pé de igualdade para mim, de importância, de valor e de prazer. Não me tornei mentora de oratória só por uma facilidade, mas por muita sombra também, por muita dor que já causei e que já senti proveniente de uma palavra que não foi bem-dita, que não foi usada da melhor forma. Vejo esses trabalhos que faço hoje como lugares de cura, não só para quem ofereço, mas para mim também“, avisa.
O amor pelo ofício também ajudou Carol a vencer a depressão. “Amo tirar férias, ficar na praia lendo meu livro, mas o que me dá estímulo para a existência é o trabalho. A depressão foi essa coisa horrorosa, mas me impulsionou a olhar para a vida de uma forma diferente, a buscar esses propósitos e não depender de estar em cena para estar feliz, para estar bem“, diz a atriz, que até hoje mantém aquela menina sonhadora da infância.
“Estou mais pé no chão, mas tenho muita fé nas coisas que quero colocar a mão. Então, se decido, por exemplo, escrever um espetáculo e levantá-lo, eu acredito e tenho muita fé de que tudo vai dar certo. A sonhadora não vai sair de mim. Eu vou sonhar, mas com o pé no chão e entendendo que a vida depende muito da ação“, finaliza a atriz.
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