Cantora de axé revela que médica a aconselhou a desistir da carreira: “Fiquei arrasada!”
Lutando contra depressão há anos, baiana não cogita abandonar a profissão e busca manter o equilíbrio entre a agenda de shows e a saúde mental

Um dos transtornos mais comuns da atualidade, a depressão vem atingindo a vida de muitas pessoas ao redor do mundo. Essa doença psiquiátrica afeta indivíduos de todas as classes sociais, tanto pobres quanto ricos, famosos ou anônimos. Cantora de axé de sucesso e ex-vocalista da banda Cheiro de Amor, Alinne Rosa (43) é uma delas. A artista revelou, em outubro de 2024, que estava enfrentando uma depressão profunda havia cerca de sete anos.
Mudança de carreira?
Em entrevista recente à Revista CARAS, a baiana contou que, ao longo das tentativas de tratamento, encontrou uma médica que a questionou se ela não deveria mudar de profissão. “Quando ela falou isso, eu fiquei arrasada. Mas foi porque, de fato, a rotina de shows, de artista, vai ao encontro da saúde mental, porque você perde a noite. E o sono, para quem tem transtornos mentais, é fundamental; é como um remédio. Então, você perde noites; com o estresse da correria de artista, acaba ficando mal”, disse.

Fotos: Yago Mesquita
Mesmo compreendendo o que levou a especialista a levantar aquela possibilidade, a cantora não deixou de se surpreender. “Soou como um absurdo. Isso é a minha vida; não tenho condição de viver sem”, afirmou a estrela do axé, que resolveu adotar medidas para continuar fazendo o que ama sem deixar a saúde mental de lado. “Eu tenho que achar um jeito de minimizar o estresse da estrada, tentar colocar o show um pouco mais cedo e ir fazendo o meu malabarismo mesmo”, explicou.
Virada de chave
Depois de encontrar o tratamento ideal, Alinne deu uma guinada na vida. “Estou me sentindo viva de novo”, disse a artista, que permanece sempre atenta aos sinais e aprendeu a compreender melhor os próprios sentimentos e gatilhos. “Eu tenho depressão recorrente, então preciso estar sempre observando, sempre com o acompanhamento do psiquiatra, da psicóloga e com rotinas. Posso dizer que estou bem, estável. Mas é aquilo: trabalhando sempre, observando sempre. É importante se auto-observar para perceber um sinal de que está saindo do prumo, para procurar ajuda e não mergulhar ainda mais na depressão. É com o tempo que você aprende a lidar consigo mesma. Mas estou bem acompanhada, bem assistida e com uma rede de apoio maravilhosa”, afirmou.

Consciente do poder da própria voz, a artista hoje usa sua visibilidade para quebrar o preconceito contra a doença e ajudar pessoas que enfrentam a mesma batalha. “Muitas pessoas se abriram comigo, por meio de mensagens, para dizer que estavam passando por situações parecidas. Vejo o quanto é importante falar e se despir dessa capa de artista intocável, distante. É importante porque é uma doença que ainda enfrenta preconceito. Quando alguém que tem voz alcança outras pessoas e fala sobre isso, dá força para que elas também procurem ajuda”, acredita a cantora que, acima de tudo, gosta de ser gente. “É importante dizer que, quando você encontra um médico que te entende e indica o tratamento certo, sua vida começa a voltar aos trilhos. Eu fiquei muito tempo em um tratamento que não estava dando certo, até por falta de força mesmo, de procurar outras saídas”, recorda.
Depois que assumiu as próprias vulnerabilidades, a estrela foi acolhida e passou a se sentir cada vez mais próxima dos fãs. “É difícil mostrar as suas rachaduras e sentir que as pessoas estão ajudando a tapá-las. Eu estou me sentindo assim: viva, plena!”, afirmou.