Há 12 anos na TV, Cadu Libonati (32) vive hoje um momento de virada na carreira. Em março, ele se despediu da novela Êta Mundo Melhor! e há pouco mais de uma semana chegou ao fim Guerreiros do Sol, outra trama global da qual participou. Dois personagens de destaque, complexos, divisores de águas. “Fico feliz de as pessoas estarem me vendo nesse lugar mais maduro, pude mostrar um pouco mais do meu trabalho”, festeja o artista. Ele acredita que não o enxergam mais como aquele garoto que estreou em Malhação Sonhos. “Tenho a cara de menino eterno e um olhar, talvez, na melhor maneira possível da palavra, infantil para certas coisas, até para as minhas militâncias. Foi importante para tirar um pouco esse lugar do menino, do bom moço, até porque sou caótico. É engraçado, eu tinha uma imagem de bom moço, mas não sou tão bom moço assim”, brinca.

Cadu Libonati. Foto: Victor Pollak

Nepo baby

Neto da atriz Irene Ravache (81), seguiu os passos da avó, mas não construiu a carreira em cima do nome dela. “Não tenho problema em relatar o parentesco, só não ando com isso tatuado. E não é nem como se eu não utilizasse, porque sempre vou utilizar da minha vó, já é um privilégio conviver com artistas desde criança, ela me conselha. Esse é o privilégio que, muitas vezes, a gente não comenta que faz parte, para além do financeiro e de se ela vai me indicar ou não para um trabalho”, diz o ator. Porém, por ser neto de um ícone, sente que precisa se provar mais. “Se o trabalho der certo, não correlacionam o nome, mas se der errado, já era. E deve ser assim mesmo, tem que cobrar nepo baby, porque a gente vive num mundo desigual. Então, se você é parente de alguém, vamos ver se vale a pena mesmo. Às vezes vale, às vezes não. Estou sujeito a isso”, afirma.

Cadu Libonati. Foto: Victor Pollak

Outra faceta

Atualmente, ele se coloca à prova de outra maneira: se expondo. Sem máscara de personagem, no podcast Salvando Cadu, ele conduz entrevistas e reflete sobre temas importantes. “A interação humana me salva. Gosto de gente, de conversar. Acho que sou ator porque gosto de ouvir histórias”, acredita o artista, que usa a visibilidade para tratar de assuntos caros à sociedade. “O público constrói muito quem a gente é, financeiramente, inclusive. Quem nos assiste, nos segue, curte e comenta as nossas coisas está financeiramente ajudando a gente. Então, senti necessidade de retribuir de alguma forma, seja levando alguém que pode falar um assunto legal, tem pessoas falando sobre ansiedade… O artista, mais do que tirar foto com os outros na rua, tem um dever para com as pessoas que fazem a gente conseguir se alimentar”, avalia.

Cadu Libonati. Foto: Victor Pollak