Revista / Autêntica

Bruna Lombardi quebra paradigmas com autenticidade: ‘Você não precisa caber em rótulos’

Em entrevista exclusiva à CARAS, atriz Bruna Lombardi fala sobre feminismo, autoconhecimento e a importância de viver o presente com liberdade e autenticidade

Bruna Lombardi - Foto: Reprodução/Revista CARAS

Aos 73 anos, Bruna Lombardi nunca foi refém do tempo — e talvez aí resida sua maior força. Sua jornada, atravessada por audácia, autenticidade e inquietude criativa, revela uma força feminina que não aceita rótulos e não se limita à imagem, mas se expande em pensamento, palavra e ação. Em sua fala, a beleza deixa de ser estética para se tornar essência, e o empoderamento não é apenas discurso, é a prática diária de permanecer fiel a si mesma — ontem, hoje e sempre.

“A sociedade quer te rotular, encolher, limitar e quer que você acredite nessa limitação, mas você não precisa caber em rótulos. Você precisa se provar para você, não para a sociedade. E o empoderamento vem disso, das provas que você dá para si, independentemente dos outros. Se colocamos nossa energia no que os outros dizem, estaremos sujeitas a sermos carregadas pela opinião dos outros, até roubarem aquilo que somos de verdade”, reflete a estrela, em conversa exclusiva com CARAS, na qual reflete sobre feminismo, autoconhecimento e o tempo.

Atriz, escritora, produtora, apresentadora e roteirista, Bruna traçou com firmeza cada passo de sua trajetória e, embora sua beleza seja inegável, sempre manteve sua essência e os pés no chão, sem deixar que ninguém guiasse seus passos. O exemplo veio de casa. “Nasci em uma família muito liberal, com mulheres fortes, que sempre foram donas do seu trabalho, da sua vida, das suas opiniões e nunca se encolheram. E, obviamente, ao longo da minha vida, aprendi muitas coisas e fui conceituando cada vez mais meus sentimentos. Isso nos dá a possibilidade de se estabelecer melhor como pessoa, se posicionar”, conta ela, casada com Carlos Alberto Riccelli (79), com quem tem Kim (44), os seus parceiros de vida e arte.

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– Manter-se fiel ao seu posicionamento no meio artístico foi um desafio?
– Nasci com esse sentimento de me posicionar, de não me permitir sentir coisas que não me traduzissem. No mundo artístico você tem que entrar com uma proteção e precisa se colocar para não cair em ciladas, porque elas acontecem muito. Mas, desde muito cedo, tive voz e não deixei que essa voz se alterasse. Para isso, tive que fazer escolhas claras, recusei muitos tipos de trabalhos e não me deixava envolver com gente que não tinha uma boa energia. Sempre fui muito atenta ao ambiente, às pessoas, ao campo magnético. Essa permanente atenção foi me posicionando na vida e me ajudando a falar não quando era preciso.

– E isso vale para a vida profissional e pessoal…
– Para tudo, trabalho, relacionamentos… mas é preciso compreender o que você quer. As pessoas se tornam interessantes quando elas são interessadas, então se você não se interessa pelas coisas, não lê, não adquire conhecimento, cultura, fica mais difícil ter um contorno seu como pessoa e ser verdadeira, ser genuína.

– Em algum momento as pessoas se incomodavam com sua autenticidade e postura?
– Pelo contrário. Quando você é verdadeira, deixa as pessoas mais à vontade. Quando você é autêntica, de certa maneira, elimina a mentira dos outros. É como fazer um acordo, a gente não precisa da fachada, vamos nos aceitar sem nenhum julgamento.

– O Walter Avancini chegou a dizer que você é uma mulher com audácia. Além de autêntica, se vê nesse lugar?
– Quando ele falou isso, não entendi muito bem o que ele queria dizer. Isso me fez raciocinar sobre a maneira como faço minhas escolhas e como me movimento na vida. Este ano relancei o livro Filmes Proibidos e ali as pessoas veem liberdade, uma mulher moderna, contemporânea, e ele foi escrito nos anos 1990. Essa atualidade, esse despertar de modernidade que esse livro provoca me associa a uma mulher livre, uma mulher que se joga nas coisas. É interessante ver que as pessoas fazem essa leitura.

– E você se sente uma mulher à frente do seu tempo?
– Não. Eu me sinto uma mulher vivendo o seu tempo, aqui e agora. Sempre fui muito presente, ligada ao instante que estou vivendo. Muitas vezes as pessoas se empenham no físico e, claro, o visual é importante, mas ele tem que vir acompanhado de outras coisas senão ele não se sustenta. Eu pratiquei tanto isso na minha vida, porque sempre trabalhei com foto, câmera, estúdio, isso é a história da minha vida. E, ao mesmo tempo, sempre trabalhei com literatura, como escritora, roteirista, então, essas duas correntes me definem.

– As pessoas sempre falam sobre sua beleza e você, em contrapartida, procura mostrar que o que nos define está muito além da estética…
– Acho que a busca do equilíbrio é fundamental, porque a aparência física é só um dos nossos aspectos e ela é muito relativa. Existem bilhões de tipos de beleza, não existe um padrão de beleza único. Que tristeza seria se o mundo tivesse uma cor só, se fosse monocromático. Existe uma explosão de cores, de frutas diferentes, de sabores, a natureza é a prova do excesso, mas nós, seres humanos, acreditamos na escassez. Temos que buscar ser o que a gente é, essa é a nossa verdadeira beleza.

– Você é atriz, escritora, roteirista e tudo isso te define. Sempre teve essa inquietude?
– Minha curiosidade sempre me orientou, sempre tive essa inquietação de saber mais, buscar conhecimento, me misturar com a natureza, isso é a base de quem eu sou. Sou uma pessoa que produz muito, estou sempre fazendo coisas e tenho muitos interesses, gosto de arte, das artes plásticas, literatura, ciência, física, faço cursos e fui até para o México fazer um curso de Física Quântica.

– Estar em constante aprendizado te ajuda a manter uma essência de jovialidade?
– Isso tem a ver com você estar vivendo o momento presente e cada momento te traz uma infinidade de informações. Acredito que a gente está sempre aprendendo. Sou uma eterna estudante e acho que o meu ‘coração de estudante’ me mantém assim.

– Você falou sobre estar sempre conectada ao presente. Como se manter assim diante de uma sociedade tão ansiosa?
– A ansiedade é o mal do século. Ansiedade é olhar para o futuro. O oposto é a depressão, quando se olha para o passado. Temos uma avalanche de informações e estamos diante de muitas transformações, e isso é mais uma razão para as pessoas se voltarem para a natureza, porque ela é nosso porto seguro. Se excluirmos a natureza e tudo virar tecnologia, nossa espécie não sobrevive. Por isso é importante estar no presente, conectado às coisas que você quer fazer e a quem você é.

– Seu discurso é atemporal, atinge gerações.
– Isso tem a ver com a energia. Não tenho um discurso que foge do discurso da geração Z, ao contrário, há uma troca permanente.

– E você quebra paradigmas com ele!
– Quebrar paradigmas é parte do nosso caminho. Você não pode deixar sua liberdade ser desafiada. Não dá para deixar de ser você para agradar ao outro. Por mais forte que seja seu amor por alguém, em primeiro lugar está o amor por você mesma. Você não vai passar a vida sendo coadjuvante de sua própria história e toda história é feita de altos e baixos.

– Já são quantos anos de carreira?
– Não sou uma pessoa de números, eu passo pela vida por outro canal. Um canal de sensações, de emoções. Não é a quantidade de anos que faço uma coisa que vai torná-la interessante. O importante é o olhar que você tem para as coisas, para as pessoas, o humor. Sem humor, aliás, as pessoas não sobrevivem. Ele é essencial para a gente segurar o tranco.

– É preciso saber rir de si mesma…
– É fundamental, assim como saber passar com fluidez pelas coisas. Pessoas rígidas quebram. Pessoas fluidas não.

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Tamara Gaspar é subeditora da revista CARAS e CONTIGO! Novelas. Formada em Jornalismo e Letras, possui extensão em Teoria da Comunicação e é especialista em monarquia. Escreve sobre celebridades, realeza, TV e novelas.