Uma lógica precisa existe no modo como Victor Luiz Bastos Corrêa exerce a medicina. Para o ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo radicado em Brasília, cada consulta começa antes do diagnóstico: começa na escuta, no exame físico detalhado e na disposição de transformar linguagem técnica em clareza acessível ao paciente. Para ele, tratar um ombro ou um cotovelo significa, antes de tudo, devolver a alguém a capacidade de viver com autonomia. “A minha proposta nunca é só voltar ao que era antes. É voltar de uma forma melhor ainda”, afirma.
Formação e trajetória
Victor Luiz graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). A residência em Ortopedia e Traumatologia foi realizada no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, seguida de especialização em cirurgia de ombro e cotovelo no Hospital Ortopédico de Belo Horizonte (HOBH). Para completar a formação, concluiu especialização em Ortopedia e Traumatologia do Esporte na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Antes de se fixar na prática privada, serviu à Aeronáutica como médico de esquadrão de voo. Nesse período, recebeu menção honrosa por atuação na Operação Acolhida, missão humanitária das Forças Armadas na fronteira do Brasil com a Venezuela. “Para fazer medicina bem feita, você precisa de muita dedicação, energia e tempo”, diz. Ele também menciona vínculo com entidades da área, como a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC).
A escolha pela especialidade
A definição pela ortopedia não foi imediata, mas, quando veio, foi inequívoca. A virada aconteceu durante uma madrugada de plantão, quando um ortopedista experiente com quem trabalhava fez uma avaliação direta de seu perfil clínico. Victor resistia, considerava outros caminhos. “Ele falou: você não vai fazer outra especialidade, você vai fazer ortopedia.”
Ao longo dos anos, a especialidade foi ganhando contornos mais precisos: ombro e cotovelo como foco central e uma compreensão crescente de que a cirurgia bem-sucedida é aquela que muda algo concreto na vida do paciente. “Uma qualidade de vida melhor envolve dormir bem, tomar bastante água, cuidar dos problemas de saúde de maneira rigorosa e fazer atividade física regularmente”, define.
Exame físico, diagnóstico e clareza
No consultório, o exame físico não é protocolo, é o centro do diagnóstico. “O ortopedista, quando coloca a mão no paciente, chega a 90% do diagnóstico.” O processo é sistemático. “Eu preciso tirar o paciente da cadeira, colocá-lo em pé, sentado, deitado, fazer vários testes, para que ele entenda o que está acontecendo”, descreve. A ressonância magnética entra como complemento e também é usada de forma pedagógica. “Eu mostro para o paciente o que é um exame normal e o que é um exame alterado, se for o caso dele.”
Ao distinguir dor muscular de dor tendínea, ele recorre a referências anatômicas simples. “O tendão é uma estrutura que liga o músculo ao osso, então geralmente vai estar próximo das articulações. O músculo, o ventre muscular, fica mais no meio do caminho.” O hobby do paciente também entra na equação. “Qual é o hobby dele? Eu gosto de jogar tênis. Como ele joga? Como movimenta o braço?” Para ele, o paciente que entende o que tem adere melhor ao tratamento. “Estando seguro e contemplado com as informações, ele consegue evoluir mais rapidamente.”

Ombro, cotovelo e tecnologia cirúrgica
Quando o assunto é o ombro, Victor descreve sinais de alerta como a dor noturna e a esquiva de movimentos. “Aquela dor desperta o paciente. Ele evita fazer o movimento para não sentir dor.” O manguito rotador, formado por quatro músculos que estabilizam a cabeça do úmero, está no centro de boa parte dos casos. As lesões podem ter origem traumática ou degenerativa. “Quimioterapia, radioterapia, todos esses componentes podem acabar ocasionando problemas nesses tendões”, afirma, ao citar fatores que podem influenciar o quadro.
Na cirurgia, ele incorpora tecnologia de planejamento pré-operatório. Em procedimentos como a prótese de ombro, utiliza softwares que integram imagens de tomografia para antecipar a seleção de componentes. “Antigamente, a gente via o tamanho adequado no intraoperatório. Hoje é possível ver previamente”, explica. O pós-operatório também é conduzido com protocolos individualizados, elaborados em conjunto com a fisioterapia. “A gente entra em um consenso e estabelece esse protocolo personalizado para o paciente.”
Ele também chama atenção para a falta de informação clara sobre indicação cirúrgica. “Às vezes, o paciente é cirúrgico, e nenhum profissional falou que aquilo pode ser resolvido dessa forma.”
No cotovelo, cita a epicondilite lateral, conhecida como cotovelo do tenista, e como a dor pode atravessar tarefas simples. “O paciente vai pegar uma xícara de café e acaba sentindo dor nessa região.”
Prevenção e autonomia na velhice
Victor defende a atividade física como aliada, desde que executada com critério. “Ao iniciar uma atividade, é importante não aumentar muito a carga de imediato. Aumente o número de repetições e faça o exercício com mais consciência corporal, de forma mais lenta, com melhor cadência.”
Sobre alongamento, ele mantém cautela, mas ressalta benefícios observados. “Quando a gente faz alongamento, melhora a circulação sanguínea local e a propriocepção. Muitas vezes, a dor no corpo está associada à falta de alongamento.” Ele também combate o mito de que a idade, por si só, impede cirurgia ou exercício. “Idade é um restritor muito pequeno.”
No cuidado ao idoso, resume o foco em uma frase: “Não é só o ombro, é o idoso.” A prevenção de quedas, segundo ele, começa no ambiente e no nível de atividade ao longo da vida. “O melhor tratamento para fraturas é a prevenção de quedas.”
Um dos casos que descreve com satisfação é o de um paciente que, após anos sem sair sozinho, voltou a caminhar no parque com independência. “Ele ganhou autonomia, independência funcional e melhorou a qualidade de vida.”
Planos e visão de futuro
Para os próximos anos, Victor menciona ampliar o suporte a esportistas e atletas e criar encontros com pacientes que retomam atividades após a recuperação. “Quando estamos próximos da alta, convido esses pacientes para encontros coletivos que promovam saúde, vitalidade, cultura e crescimento pessoal.”
Ele cita a Clínica BACOV, em Brasília, como espaço de atuação com equipe multidisciplinar e o apoio da esposa no projeto. “Eu não consigo resolver sozinho. Preciso do trabalho multidisciplinar para que o tratamento seja completo.”
O fio que une toda essa trajetória é a consciência do tempo como variável clínica e ética. “O tempo é um fator que a gente não consegue recuperar nem comprar, e está disponível para todos. Precisamos valorizar mais o tempo que temos e dedicá-lo à nossa saúde mental, física e espiritual.”
CRM 24884-DF | RQE 20059-DF
Instagram: @dr.victorluizortopedista
Site: https://www.drvictorluiz.com.br

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