Antes de ocupar salas cirúrgicas, liderar projetos de ensino e contribuir para a construção de espaços voltados à saúde da mulher, Monica Zomer Kondo aprendeu, ainda em Orleans, no interior de Santa Catarina, que o cuidado nasce da presença. Hoje, como ginecologista e cirurgiã especializada em técnicas minimamente invasivas, ela traduz esse aprendizado em uma prática que equilibra precisão técnica e escuta ativa.

Filha de comerciantes, cresceu em um ambiente onde o trabalho e a proximidade entre as pessoas moldaram seu senso de responsabilidade e constância. A mãe, uma das primeiras mulheres comerciantes da cidade, tornou-se referência de força e independência; do pai, herdou a disciplina.

“Venho de uma cidade pequena, onde todo mundo se conhece. Meus pais sempre trabalharam muito, e trago deles esse exemplo. Desde criança, quando colocava algo na cabeça, fazia de tudo para conseguir”, relembra.

O caminho até a medicina não foi linear. Antes, Monica cursou Farmácia, mas deixou a graduação a poucos meses da conclusão. A decisão de mudar de rota a levou a Buenos Aires, onde iniciou a formação médica, posteriormente concluída na Universidade do Sul de Santa Catarina.

Durante a graduação, chegou a considerar a psiquiatria, pela afinidade com a escuta. No entanto, a cirurgia já ocupava um espaço importante em sua trajetória. A ginecologia surgiu como o ponto de encontro entre essas duas vocações.

“Eu sempre gostei muito de conversar, mas meu coração sempre foi da cirurgia. Quando pensei na ginecologia, entendi que poderia cuidar das mulheres e, ao mesmo tempo, fazer aquilo que mais gosto, que é operar”, conta.

Operar sem deixar de ouvir

A residência em Ginecologia e Obstetrícia foi realizada na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville (SC). Paralelamente, Monica buscou especializações em ultrassonografia, colposcopia e videolaparoscopia, consolidando uma atuação pautada por atualização constante.

Hoje, seu trabalho é direcionado principalmente às cirurgias ginecológicas benignas, incluindo o tratamento de endometriose, miomas, pólipos, adenomiose, sangramentos uterinos anormais e dor pélvica crônica, além de procedimentos como histeroscopia, laparoscopia e cirurgia robótica. Para ela, o termo “benigno” não reduz o impacto dessas condições na vida das pacientes.

“Doenças benignas não são doenças sem importância. Muitas vezes, não colocam a vida em risco como um câncer, mas tiram qualidade de vida. Quando isso acontece, a paciente precisa conhecer suas opções com clareza”, afirma.

Nesse contexto, a decisão cirúrgica é sempre individualizada. Sintomas, exames, idade, desejo reprodutivo e histórico clínico são considerados com cuidado, em um processo que prioriza a autonomia da paciente.

“Quem manda no corpo é a paciente. Eu estou ali para esclarecer, mostrar caminhos e explicar o que pode acontecer em cada decisão. A mulher precisa sair da consulta com informação, não com medo”, ressalta.

A endometriose ocupa papel central em sua atuação. Com mestrado voltado ao estudo da doença, especialmente em casos com acometimento intestinal, Monica chama atenção para o tempo que muitas mulheres levam até receber o diagnóstico adequado.

“Sentir dor não é normal. Quando uma mulher sente dor, ela precisa ser investigada. Não deve aceitar que digam que é psicológico ou que faz parte da vida”, alerta.

Para ela, o cuidado deve ser integral. Mudanças de hábitos, nutrição, atividade física, fisioterapia pélvica e tratamento hormonal podem fazer parte da conduta, além da cirurgia, quando indicada.

“Antes de indicar uma cirurgia, é preciso entender o contexto. Nem tudo é cirúrgico. Às vezes, a paciente precisa de outras abordagens que também são fundamentais para o resultado”, explica.

A tecnologia, embora essencial, é tratada como ferramenta, não como protagonista.

“A cirurgia robótica veio para ficar e traz benefícios importantes para quem opera. Mas a tecnologia não substitui raciocínio cirúrgico. O mais importante é que a paciente seja bem assistida”, avalia.

Maternidade e recomeços

A maternidade trouxe uma nova dimensão à sua trajetória. Em meio à rotina intensa da medicina, ela passou a enxergar o cuidado de forma ainda mais ampla, especialmente ao atender mulheres que conciliam múltiplos papéis.

“A maternidade me ensinou uma dimensão de cuidado que nenhuma formação técnica alcança. Meu filho ampliou meu olhar para a vida e para a importância de estar presente”, reflete.

Sem romantizar, Monica reconhece os desafios dessa fase, mas também o aprendizado que ela proporciona. Para jovens médicas que desejam conciliar carreira e maternidade, ela destaca a importância da rede de apoio e da permanência na profissão.

“Não é fácil conciliar, mas é possível. A fase da criança passa, mas a construção profissional também precisa continuar”, afirma.

A força de quem faz acontecer

Ao longo dos anos, Monica se consolidou como uma profissional capaz de transformar conhecimento em projetos. Ao lado do marido, William Kondo, desenvolveu iniciativas voltadas à cirurgia ginecológica, à educação médica e à estruturação de serviços especializados em saúde da mulher.

Essa atuação se desdobra tanto na prática clínica quanto na formação de outros profissionais, por meio de cursos e treinamentos que priorizam técnica, raciocínio cirúrgico e segurança.

“Ver um médico ganhar segurança e evoluir tecnicamente é muito gratificante. Quando ele volta para sua cidade mais preparado, o cuidado chega a outras mulheres”, comenta.

A criação da WM Saúde da Mulher marca uma nova fase em sua trajetória. Idealizada fora do ambiente hospitalar, a clínica nasceu da percepção de que muitas pacientes buscavam um espaço mais acolhedor e próximo.

“A ideia foi criar um ambiente onde a mulher se sinta confortável, ouvida e acompanhada em todas as fases da vida”, explica.

A fase em que escolher também é avançar

Aos 50 anos, Monica enxerga o futuro com mais equilíbrio, sem abrir mão da atuação cirúrgica e do ensino. Depois de anos de rotina intensa, entre cirurgias, cursos e projetos, ela passa a priorizar também a qualidade de vida e o tempo com a família.

“A medicina me ensina a ser cada vez mais humana. Acredito que precisamos oferecer ao outro aquilo que gostaríamos de receber: escuta, clareza e cuidado.”

CRM: 27893/PR | RQE Nº: 718 Dra. Monica Tessmann Zomer Kondo | Diretora Tecnica

Instagram: @dramonicazomerkondo

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