A saúde da mulher exige mais do que diagnóstico e conduta. Exige tempo para ouvir dores que, muitas vezes, foram silenciadas por anos. É nesse encontro entre técnica, atenção e responsabilidade que Willian Teruo constrói sua atuação em Curitiba (PR), com foco em ginecologia, obstetrícia, cirurgia ginecológica minimamente invasiva, endometriose, miomas, histeroscopia, videolaparoscopia e cirurgia robótica.

Natural de Londrina, no norte do Paraná, Willian cresceu distante da rotina médica que hoje define sua vida profissional. A escolha pela Medicina surgiu ainda na adolescência e veio acompanhada de um objetivo claro: estudar em uma universidade pública. O caminho o levou a Curitiba, onde cursou medicina na Universidade Federal do Paraná entre 2012 e 2018.

No início da formação, a ginecologia não parecia o destino mais provável. A cirurgia geral despertava maior interesse. Depois da graduação, porém, a experiência no Exército e o trabalho em clínicas com atendimento majoritariamente feminino aproximaram o médico de uma área que reunia prevenção, vínculo, cuidado contínuo e atuação cirúrgica.

“Eu já tinha o desejo de trabalhar com cirurgia, mas comecei a perceber o quanto a saúde da mulher exigia cuidado, orientação e presença. A ginecologia me permitiu unir esse olhar para a paciente com a possibilidade de atuar também no tratamento cirúrgico”, relembra Willian Teruo.

Da formação à cirurgia ginecológica minimamente invasiva

A residência em ginecologia teve início em 2020, na Maternidade Santa Brigida, em Curitiba. Durante esse período, Willian passou a acompanhar serviços voltados à cirurgia ginecológica e ao tratamento da endometriose. Em busca de aperfeiçoamento constante, também realizou formação e treinamento em São Paulo e Rio de Janeiro, direcionando sua prática para abordagens minimamente invasivas.

Hoje, sua atuação reúne videolaparoscopia, histeroscopia e cirurgia robótica em casos selecionados, especialmente no cuidado de mulheres com endometriose, miomas e dificuldades relacionadas à fertilidade. Para ele, porém, a técnica só faz sentido quando está conectada à história da paciente.

A cirurgia costuma chegar ao consultório acompanhada de receio. Muitas mulheres têm medo do procedimento, da anestesia, da recuperação e das possíveis consequências para a fertilidade ou para a saúde hormonal. Por isso, Willian acredita que a primeira etapa não é explicar a técnica, mas compreender o que aquela paciente teme.

“Ninguém quer operar e ninguém quer se sentir doente. A primeira barreira é acolher. Antes de falar em conduta, é preciso entender o que preocupa aquela mulher, o que ela já ouviu e quais dúvidas carrega”, explica.

O cuidado começa pela escuta

A palavra humanização aparece com frequência na medicina, mas Willian prefere tratá-la como parte essencial da consulta. Para ele, um atendimento cuidadoso envolve escuta ativa, clareza, conhecimento técnico e responsabilidade para orientar os próximos passos.

Na ginecologia, essa postura se torna ainda mais necessária. O consultório recebe queixas sobre dor, sangramento, sexualidade, libido, infertilidade, gestação e medo de cirurgia. Nem todas aparecem de imediato. Muitas surgem apenas quando a paciente encontra segurança para falar.

“Às vezes, a mulher chega com uma queixa principal e, no decorrer da consulta, revela outras dúvidas. Questões ligadas à libido, à relação sexual e à fertilidade ainda carregam tabus. O ambiente precisa permitir que ela fale sem constrangimento“, comenta.

Essa forma de conduzir a consulta também transforma a relação da paciente com o próprio diagnóstico. Quando compreende o que sente e entende as possibilidades de tratamento, ela participa mais ativamente das decisões sobre sua saúde.

Para Willian, acolher não significa apenas confortar. Significa oferecer informação para que a mulher se reconheça no cuidado e compreenda que seus sintomas merecem atenção.

Endometriose, miomas e sinais que não devem ser ignorados

Entre os temas mais presentes em sua rotina estão a endometriose e os miomas. São condições diferentes, mas que podem impactar significativamente a qualidade de vida, provocando dor, sangramento intenso, alterações na rotina e, em alguns casos, dificuldades para engravidar.

No caso da endometriose, um dos maiores desafios ainda é a normalização da dor. Muitas pacientes chegam ao consultório depois de anos convivendo com cólicas incapacitantes, dor pélvica, desconforto durante a relação sexual ou alterações intestinais e urinárias relacionadas ao período menstrual.

“A endometriose não se apresenta da mesma forma em todas as mulheres. Uma paciente pode ter dor importante, outra pode ter dificuldade para engravidar e outra pode não perceber sintomas. Por isso, a avaliação precisa considerar a história, os exames e o momento de vida de cada uma”, afirma.

Os miomas também exigem análise individualizada. Dependendo da localização e do tamanho, podem causar sangramento aumentado, cólicas, alterações na cavidade uterina ou impacto na fertilidade. Ainda assim, o diagnóstico não significa automaticamente a necessidade de cirurgia.

“Muitas mulheres associam o diagnóstico de mioma à retirada do útero, mas a conduta depende de diversos fatores, como sintomas, idade, desejo reprodutivo e características específicas de cada caso”, explica.

Fertilidade e planejamento individualizado

Quando o desejo de engravidar entra na consulta, o cuidado ganha novas camadas. Endometriose e miomas podem interferir na fertilidade em alguns casos, mas a abordagem não deve partir de generalizações. Idade, reserva ovariana, tempo de tentativa para engravidar, presença de dor e planos reprodutivos influenciam diretamente na tomada de decisão.

Willian defende que esse planejamento deve ser construído de forma personalizada e, quando necessário, em conjunto com especialistas em reprodução humana e outras áreas do cuidado.

“Não adianta propor um tratamento sem entender onde a paciente está na vida. Ela pode querer engravidar agora, preservar fertilidade para o futuro, tentar de forma natural ou apenas tratar a dor. Esse contexto muda a condução e precisa ser respeitado”, pontua.

Tecnologia a serviço do cuidado

A cirurgia minimamente invasiva ocupa papel importante na atuação de Willian Teruo. A videolaparoscopia permite realizar procedimentos por pequenas incisões, enquanto a histeroscopia possibilita avaliar e tratar alterações dentro da cavidade uterina em situações específicas.

Já a cirurgia robótica pode representar uma ferramenta adicional em casos selecionados, oferecendo precisão e amplitude de movimentos ao cirurgião.

Apesar dos avanços tecnológicos, o médico evita simplificações. Para ele, a tecnologia não substitui a indicação correta, a experiência da equipe ou o planejamento cuidadoso.

“A cirurgia robótica não significa que um robô opera sozinho. O cirurgião permanece no comando durante todo o procedimento. O recurso oferece precisão e estabilidade, mas a escolha da técnica deve sempre priorizar a segurança e a necessidade de cada paciente”, esclarece.

Nos casos de endometriose, essa avaliação torna-se ainda mais importante. A doença pode comprometer estruturas próximas ao útero, exigindo preparo técnico e planejamento multidisciplinar.

“A cirurgia de endometriose pode variar bastante em complexidade. A equipe precisa estar preparada para diferentes cenários. Segurança, preparo e acompanhamento também fazem parte do tratamento”, afirma.

O impacto que permanece além do procedimento

Para Willian, os momentos mais marcantes da profissão acontecem depois da cirurgia. Estão no retorno da paciente que volta a viver sem dor, na mulher que recupera qualidade de vida após anos de sangramento intenso ou naquela que finalmente realiza o sonho da gestação.

“Cada caso emociona de uma forma. Quando a paciente retorna diferente, com mais qualidade de vida, entendemos o impacto do cuidado. A medicina também é resolver problemas, mas isso precisa vir acompanhado de orientação, acolhimento e responsabilidade”, reflete.

Ao falar sobre como gostaria de ser lembrado, ele não destaca uma técnica específica, mas a forma como conduziu cada atendimento.

Olhando para o futuro

Entre seus próximos passos está uma experiência em Bordeaux, na França, para acompanhar um serviço especializado em endometriose e trazer novos aprendizados para sua prática no Brasil.

Também pretende fortalecer sua atuação em cirurgia minimamente invasiva, sempre baseada em indicações individualizadas e em uma medicina centrada na paciente.

No fim, a mensagem que deixa vai além dos procedimentos cirúrgicos. Ela passa pelo reconhecimento de sinais que ainda são frequentemente normalizados.

“É importante quebrar o tabu de que dor é normal. Dor intensa durante a menstruação, dor na relação sexual, sangramento aumentado ou dificuldade para engravidar precisam ser investigados. Buscar avaliação é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e encontrar caminhos para viver com mais qualidade de vida.”

CRM 39367 | RQE 31917

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