Casada com o empresário Jeff Bezos, dono de uma fortuna de R$ 1,15 milhão, a jornalista Lauren Sánchez Bezos fez desabafo sobre como é viver com diagnóstico que a atrapalhou no aprendizado. Ela foi diagnosticada com dislexia e TDAH. Tanto que ela cresceu sem conseguir ler um livro inteiro.
Em um depoimento durante a fase de lançamento do seu livro sobre dislexia, ela confidenciou que precisou desenvolver soluções para conseguir estudar mesmo sem ler os livros que a escola pedia na adolescência. Ela contou que recorria a resumos na internet para aprender o assunto de forma rápida, já que a concentração na leitura era uma dificuldade que fazia parte de sua rotina de aprendizado.
“Quando eu estava no Ensino Médio, terminar um livro… isso nunca acontecia. Vocês se lembram dos resumos na CliffsNotes? Eu usava os resumos e agora consigo terminar um livro inteiro graças ao audiolivros”, disse ela.
A superação na vida profissional
Mesmo com a dificuldade de leitura, Lauren se tornou jornalista e foi trabalhar na TV. Na rotina profissional, ela precisava memorizar os roteiros para não se atrapalhar na hora de ler ao vivo. “Como repórter, antigamente, você tinha que escrever um roteiro e depois memorizá-lo porque a entrada era ao vivo. Muita gente conseguia simplesmente memorizar e entrar em frente às câmeras imediatamente. Eu tinha que escrever três vezes para que meu cérebro conseguisse processar todas aquelas palavras e realmente assimilá-las”, contou.
Inclusive, Lauren já contou que temia não conseguir ter uma carreira no jornalismo. “Eu não sabia ler nem escrever, e pensei que talvez eu fosse burra mesmo. Achei que esse seria meu destino. Sempre quis ser jornalista, mas pensei: ‘Como posso, se nem consigo escrever?‘”, afirmou.
Outro recurso que ela aprendeu ao longo da vida foi o uso de brinquedos antiestresse, que a ajudam a ter mais foco no presente. Inclusive, a família virou uma rede de apoio para ela, que sempre contou com os filhos para se manter focada. “Outra coisa que me ajuda com meu TDAH são meus filhos. Porque se eu me distraio, eles dizem: ‘Mamãe, mamãe’. E se isso não chamar a atenção deles, eles me chamam pelo meu primeiro nome, meu primeiro nome de verdade, que é Wendy. Levei anos para descobrir o que funciona para o meu cérebro. (E ainda estou aprendendo novas maneiras.)”, contou.
Por fim, a jornalista confidenciou que precisou de uma resiliência para chegar onde está hoje. “Acho que a dislexia me deu resiliência. Quando você tem dislexia, está tão acostumado a falhar nas coisas que isso pode ser extremamente humilhante. Principalmente quando criança. Mas depois que você supera isso, nada pode te parar“, afirmou.

O que é dislexia?
A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem que afeta principalmente a leitura, a escrita e a compreensão das palavras, mesmo quando a pessoa possui inteligência, acesso à educação adequada e oportunidades de aprendizado. O quadro está relacionado ao modo como o cérebro processa os sons da fala e associa letras e palavras, o que pode causar dificuldades para identificar sílabas, interpretar textos, escrever corretamente e ler com fluidez. Os sinais costumam aparecer ainda na infância, durante a alfabetização, mas muitas pessoas só recebem diagnóstico na adolescência ou na vida adulta.
Apesar dos desafios, a dislexia não está ligada à falta de capacidade intelectual e pode ser acompanhada com estratégias pedagógicas, apoio familiar e acompanhamento de profissionais especializados, como psicopedagogos, fonoaudiólogos e neurologistas. Com métodos adaptados e estímulos adequados, pessoas com dislexia conseguem desenvolver habilidades acadêmicas, profissionais e criativas de forma plena. Em muitos casos, elas também apresentam características positivas, como pensamento criativo, facilidade para resolver problemas e boa capacidade de raciocínio visual.
Principais sintomas da dislexia
- Dificuldade para aprender a ler.
- Leitura lenta e com muitos erros.
- Troca, inversão ou omissão de letras e sílabas ao ler ou escrever (por exemplo, “p” por “b” ou “pra” por “par”).
- Dificuldade para associar letras aos seus sons.
- Problemas para soletrar palavras.
- Escrita com muitos erros ortográficos, mesmo após ensino adequado.
- Dificuldade para compreender textos devido ao esforço excessivo na decodificação das palavras.
- Confusão com palavras parecidas ou de pronúncia semelhante.
- Dificuldade para memorizar sequências, como dias da semana, meses do ano ou tabuada.
- Problemas para aprender idiomas estrangeiros.
- Lentidão para copiar conteúdos da lousa ou de livros.
- Dificuldade para encontrar a palavra certa durante uma conversa.
- Problemas de organização e planejamento em algumas situações.
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