Fechamento de ciclos e novas possibilidades. É isso que 2026 tem representado para Marcus Majella (47). O ator e comediante encerra a trilogia Um Tio Quase Perfeito nas telonas, que estreou essa semana, e também se despede do fenômeno Vai Que Cola. Na bagagem, ele avisa que leva muita gratidão pelos dois projetos e, em papo exclusivo e cheio de emoção com CARAS, fala da força da amizade e das memórias.
– Como dar vida a esse tio te transformou como pessoa?
– O Tony me aproximou muito do universo das crianças e me fez entender melhor a responsabilidade e a energia que é estar perto delas. Mas, neste momento, filhos não são a prioridade. Acho que já estou exercitando bastante a paternidade nos meus personagens. Na vida real, já tenho o meu filhinho pet, o Thanos, que dá trabalho suficiente!
– Você também encerrou outro ciclo importante neste ano, que foi o Vai que Cola. Qual foi o maior aprendizado?
– O Vai Que Cola me ensinou muito, na prática, ao longo de toda essa jornada. Foram tantos momentos vividos com aquela equipe que, em algum momento, todo mundo virou quase uma família. E família de comédia, você pode imaginar, tem sempre alguém fazendo alguma besteira. Quando eu ia imaginar que teria a oportunidade de contracenar com tanta gente que eu admirava? E, no meio disso tudo, ainda ganhei amigos para a vida, como Katiuscia Canoro, Marcelo Medici, Pedroca Monteiro, Catarina Abdala e Nanny People. Aprendi que comédia é muito coletiva. Você precisa ouvir, jogar junto e saber a hora de deixar o outro brilhar.
– Como sente que sua relação com o público brasileiro evoluiu ao longo dos anos?
– Foi tudo muito gradual. Eu comecei no teatro, depois me joguei na internet com o Porta dos Fundos e o 220 Volts, depois o Vai Que Cola, o cinema… Quando percebi, já tinha gente me reconhecendo na rua. E isso é muito curioso para mim, porque cada pessoa me conhece de um lugar diferente. Eu acho muito bonito perceber que, de alguma maneira, fui entrando na vida das pessoas sem nem perceber. Toda essa proximidade com o público é uma das coisas de que mais gosto.
– Sua amizade com o Paulo Gustavo também fica guardada na memória. Como ele ainda se faz presente na sua vida?
– O Paulo está muito presente na minha vida: nas lembranças, nas histórias que vivemos, nas amizades que construímos e até nas pessoas que ele colocou no meu caminho. É impossível falar da minha trajetória sem falar dele, porque, durante muitos anos, nossas vidas profissional e pessoal se misturaram completamente. Entre os vínculos que ele me deixou, um dos mais bonitos é a amizade com a Juju Amaral, irmã dele. Nós somos muito parceiros e estamos construindo uma relação de irmãos, com carinho, cumplicidade e presença. Isso me emociona porque, de alguma maneira, também mantém vivo o vínculo tão especial que eu tinha com o Paulo. Eu ainda sinto o Paulo presente nas coisas bonitas que encontro pelo dia a dia, e eu acho que é assim que algumas pessoas continuam de alguma forma com a gente.
– Vamos falar da jornada de transformação com seu corpo. O que te motivou a mudar e como isso impactou sua vida?
– Foi uma decisão pessoal. Eu queria ter mais saúde, mais disposição e me sentir melhor no meu próprio corpo. Não foi uma decisão tomada pensando em um padrão estético. O processo acabou mudando várias coisas na minha vida, inclusive a maneira como eu me relaciono com alimentação, exercício e rotina. No fim, era menos sobre mudar a aparência e mais sobre qualidade de vida.
– A sociedade ainda é muito gordofóbica e reforça padrões destrutivos. Como se blindar?
– A gente vive em uma sociedade que opina sobre o corpo dos outros o tempo inteiro e quem trabalha com exposição pública acaba ainda mais sujeito a isso. Não tem como me blindar totalmente. Seria mentira dizer que não afeta, mas também procuro não dar importância para comentários. Entendo que as pessoas acabam colocando expectativa em mim ou comentam baseadas em padrões que não determinei e que não fazem sentido para a minha
vida. Ter isso em mente é importante para também manter a minha saúde mental.
– Estamos vendo uma glorificação da magreza e a popularização de métodos polêmicos de perda de peso. Isso te assusta de alguma forma?
– Me preocupa um pouco quando a busca pelo corpo ideal passa a ser colocada acima da saúde. É perigoso transformar tendência em regra. O importante é ter orientação médica para ter um cuidado individualizado, o que funciona para um pode não funcionar para outro.
– O que espera do futuro?
– Eu quero continuar trabalhando, me experimentando. Se aparecer um personagem que me provoque de outra maneira, vou adorar fazê-lo. Ano que vem, eu planejo voltar a fazer teatro. O palco é um lugar onde me sinto muito feliz. Depois de tantos anos de carreira, o mais gostoso é perceber que tenho muita curiosidade.
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