Há histórias profissionais que começam com um projeto. Outras, com uma mudança de endereço. A trajetória da arquiteta venezuelana Lorena Anselmi reúne os dois movimentos. Ao chegar ao Brasil, em janeiro de 2020, ela precisou reconstruir caminhos, adaptar referências e transformar o desafio de começar novamente em parte de uma arquitetura cada vez mais ligada à identidade, ao pertencimento e à memória.

Seis anos depois, o recomeço deu lugar à consolidação de uma linguagem própria. Com uma atuação voltada para projetos sofisticados, personalizados e atemporais, Lorena vem construindo sua assinatura em diferentes espaços, entre eles sua participação no Morar Mais Rio 2026 e uma residência de aproximadamente 700 m² para um jogador de futebol.

Uma arquitetura que começa pelas pessoas

A experiência de deixar a Venezuela e construir uma nova vida profissional no Brasil também influenciou a maneira como Lorena entende os espaços. Para ela, uma casa não deve funcionar apenas como uma vitrine de tendências, mas como uma extensão da personalidade de quem vive nela.

Essa visão aparece na atenção dedicada à marcenaria, iluminação, proporção, funcionalidade, materiais atemporais e curadoria de acabamentos. O objetivo é criar ambientes sofisticados sem abrir mão da personalidade, encontrando nos detalhes parte importante da identidade de cada projeto.

Sua experiência profissional também ultrapassa a criação arquitetônica. Lorena possui especialização e vivência prática com móveis planejados e marcenaria, experiência que ampliou sua compreensão sobre diferentes etapas de um projeto, desde o conceito e o detalhamento até a escolha de materiais, fabricação e execução.

À frente da Blue Studio Planejados, também acumulou experiência em projetos, atendimento, negociação, gestão, relacionamento com fornecedores e acompanhamento de obras. A passagem pelo empreendedorismo contribuiu para uma característica que hoje faz parte de seu trabalho: a participação próxima em diferentes etapas do processo.

Memória transformada em arquitetura

Uma das expressões mais pessoais de sua linguagem aparece no Morar Mais Rio 2026. Dentro do conceito “Luxo Consciente”, Lorena desenvolveu uma biblioteca em homenagem à avó, Maria Teresa, a Mariate.

O ambiente parte de uma memória familiar para criar uma experiência espacial e apresenta o conceito “O luxo que ninguém vê”. A proposta amplia a ideia tradicional de sofisticação ao

valorizar elementos que não necessariamente estão relacionados a preço ou ostentação, como memória, tempo, qualidade, conforto e permanência.

O projeto traduz uma convicção que acompanha o trabalho da arquiteta: a arquitetura também pode preservar histórias. Ao transformar uma lembrança pessoal em ambiente, Lorena cria um espaço em que afeto e estética convivem e no qual a sofisticação aparece de maneira mais subjetiva.

Grandes projetos, diferentes histórias

Se o Morar Mais permite que Lorena explore uma arquitetura mais conceitual e afetiva, os projetos residenciais de maior escala mostram como essa mesma linguagem pode ser aplicada a demandas complexas e personalizadas.

Entre os trabalhos que marcam sua trajetória está uma residência de aproximadamente 700 m² para um atacante do Vasco da Gama, reunindo arquitetura, interiores, marcenaria, materiais e execução de maneira integrada.

A relação com o universo do futebol também aparece em outros projetos. Lorena já realizou trabalhos para alguns jogadores de nome de times do Rio de Janeiro.

Em diferentes escalas, os trabalhos mantêm uma característica em comum: a busca por compreender as necessidades e a personalidade de quem irá ocupar cada espaço. Mais do que reproduzir tendências, a proposta é construir ambientes que façam sentido para seus moradores.

O luxo que permanece

A trajetória de Lorena Anselmi reúne arquitetura, empreendedorismo, marcenaria e gestão, mas é na combinação dessas experiências que sua identidade profissional ganha força.

Sua busca está em criar ambientes visualmente sofisticados, mas que também carreguem significado. Para a arquiteta, uma casa pode ser contemporânea sem abrir mão da memória, elegante sem depender do excesso e sofisticada sem precisar anunciar o próprio luxo.

Para alguém que precisou reconstruir a carreira longe do país de origem, conceitos como pertencimento, identidade e permanência ganharam uma dimensão que ultrapassa o campo profissional. Eles também fazem parte de sua própria história e, naturalmente, encontram espaço na arquitetura que desenvolve no Brasil.

É nessa relação entre estética e afeto que Lorena vem construindo sua assinatura: uma arquitetura personalizada, atemporal e pensada para permanecer. Afinal, para ela, o verdadeiro luxo não está apenas naquilo que se vê, mas principalmente naquilo que permanece.

Arquiteta formada pelo Instituto Universitario Politécnico Santiago Mariño, na Venezuela, com título registrado sob o nº 11921, Folio 461, Tomo VI.

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