A relação de Isabella Santoni com a própria carreira mudou ao longo dos últimos anos. Se no início de sua trajetória na televisão a atriz sentia que precisava provar seu valor e se preocupava em manter uma sequência de trabalhos de destaque, hoje, ela consegue enxergar a profissão com mais tranquilidade. Em entrevista à CARAS Brasil, a artista reflete sobre esse amadurecimento e os aprendizados que acumulou com personagens marcantes.

Ao relembrar Charlotte, personagem que interpretou em Orgulho e Paixão (2018), Isabella também se recorda da profissional que era naquele período. Na época, ela ainda lidava com uma forte cobrança em relação aos próximos passos da carreira.

“Acho que, hoje, consigo olhar para a minha carreira com muito mais tranquilidade. Em 2018, eu ainda estava muito naquele lugar de querer provar, de achar que não poderia errar, de me cobrar o tempo inteiro”.

A preocupação não estava restrita à entrega diante das câmeras. A atriz conta que também pensava no futuro e sentia a necessidade de manter a carreira em movimento.

“Eu ainda não tinha feito tantos trabalhos e, de certa forma, cada personagem parecia uma oportunidade de firmar meu espaço, não só pensando no momento presente e entregar o melhor, essa ideia sempre permaneceu, mas de já meio que prospectar futuro, achar que precisaria emendar em outra boa personagem rápido para seguir num momento movimentado e positivo”.

Amadurecimento

Com o passar dos anos, a atriz passou a enxergar a profissão de outra maneira. Em vez de medir a trajetória por uma sequência de projetos de grande exposição, ela afirma ter compreendido a importância do processo por trás de cada trabalho.

“Hoje entendo que uma carreira é muito mais uma construção do que uma sucessão de projetos que tragam visibilidade do trabalho. É um processo, feito de encontros, escolhas, erros, aprendizados e, principalmente, de tempo. A gente sempre tem o que aprimorar no caminho, nenhum personagem nasce pronto”, reflete.

Charlotte ocupa um lugar importante nesse processo. Ambientada no início do século XX, Orgulho e Paixão apresentou a atriz como uma jovem que questionava as limitações impostas às mulheres de sua época. Para Isabella, a busca da personagem por fazer as próprias escolhas também encontrou identificação em sua vida.

“A Charlotte me ensinou muito sobre isso. Ela era uma mulher inserida em uma época em que as mulheres tinham pouquíssimo espaço para escolher os próprios caminhos, mas que, ainda assim, estava sempre tentando encontrar o seu. E ela mesmo cresceu muito durante a trama”, relembra.

Hoje, a principal diferença está justamente na segurança adquirida para lidar com suas decisões profissionais. “A maior diferença daquele momento para agora é que hoje eu consigo respeitar mais processos e me sinto ainda mais segura para fazer escolhas. Aprendi a entender que cada fase tem o seu tempo e que até aquilo que parece controverso, muitas vezes, está construindo a profissional que você vai ser lá na frente”.

Confira uma publicação recente de Isabella Santoni nas redes sociais:

O que Karina e Letícia ensinaram à atriz?

Outras personagens também contribuíram para a construção de sua maneira de atuar. Karina, de Malhação: Sonhos (2014), exigiu uma entrega diferente daquela necessária para viver Letícia, em A Lei do Amor (2016). Ainda assim, ambas deixaram aprendizados sobre a disponibilidade necessária para assumir um papel.

“Acho que essas duas personagens me ensinaram, de maneiras muito diferentes, que se entregar a um trabalho é estar verdadeiramente disponível para ele. Não é só decorar o texto ou chegar ao set e fazer a cena. É estudar, preparar o corpo, entender a cabeça daquela pessoa, ouvir a direção, estar aberta ao que acontece no momento e, principalmente, não se prender à ideias pré-concebidas, deixar que o personagem diga quando se abrem outras janelas e caminhos possíveis, afinal, novela é obra aberta”, explica.

Karina, segundo a atriz, exigia uma atuação marcada principalmente pelo aspecto físico. “A Karina me ensinou muito sobre presença física, espontaneidade e sobre confiar no impulso. Era uma personagem que pedia uma energia muito particular, uma entrega muito corporal, reatividade”, conta.

Já Letícia trouxe outro tipo de aprendizado para a atriz. “Já a Letícia me ensinou a olhar sem o julgamento inicial de avaliar atitudes sem se aprofundar em contexto. A entender que, mesmo quando você não concorda com as escolhas daquela pessoa, precisa encontrar dentro dela uma verdade que faça sentido”.

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