A apresentadora e influenciadora digital Rafa Kalimann voltou a falar sobre saúde mental ao revelar que entrou em um período de burnout após uma sequência intensa de compromissos profissionais e pessoais. Em um desabafo nas redes sociais, ela contou que, depois de um mês movimentado, sentiu uma queda de energia e se viu perdida diante da quantidade de tarefas que precisava administrar.

Ao tentar organizar a própria rotina, Rafa fez listas com diferentes áreas de sua vida e percebeu que havia deixado a si mesma fora das prioridades. “Eu me dei conta que eu não sou um pilar da minha própria vida. Isto, mais uma vez, não é uma queixa, tá? É um sinal de alerta. Eu não sou um pilar da minha própria vida”, afirmou.

O relato da apresentadora chama atenção para um comportamento que pode aparecer em situações de sobrecarga. Para a médica especialista em saúde mental Dra. Luana Carvalho, o esgotamento pode se instalar de forma gradual, especialmente quando a pessoa passa a considerar a aceleração constante como parte normal da rotina.

Muitas vezes, a pessoa passa tanto tempo funcionando no modo de urgência que começa a considerar aquele estado de aceleração como normal. Ela vai acumulando compromissos, responsabilidades e cobranças e deixa o autocuidado sempre para depois. O problema é que o organismo também tem limites.

Nem todo cansaço é burnout

Embora o termo “burnout” tenha se popularizado, a médica ressalta que um período de cansaço não necessariamente significa que uma pessoa esteja passando pela síndrome. “Estar cansado depois de uma semana difícil é diferente de viver um processo persistente de esgotamento relacionado ao trabalho. No burnout, existe uma combinação de exaustão, distanciamento ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional. É algo que merece atenção e não deve ser banalizado.

No relato, Rafa associou o momento ao excesso de demandas. Além dos compromissos profissionais, ela citou responsabilidades familiares, domésticas, empresariais, sociais e relacionadas a diferentes imóveis. Ao visualizar todas essas áreas reunidas, a apresentadora percebeu que praticamente não havia espaço reservado para si mesma.

Segundo Dra. Luana, reconhecer esse padrão pode ser importante para identificar a sobrecarga antes que ela se agrave. “Um dos sinais de alerta é justamente perceber que tudo na sua vida é prioridade, menos você. Quando a pessoa não consegue descansar sem culpa, está constantemente pensando na próxima tarefa, sente que precisa dar conta de tudo e começa a apresentar alterações no sono, irritabilidade, dificuldade de concentração ou perda de prazer nas atividades, é importante parar e olhar para isso.

Quando a rotina intensa vira um sinal de alerta?

Rafa também descreveu a sensação de viver em um ritmo acelerado, no qual diferentes situações pareciam exigir uma resposta imediata. “Tudo requer muito de mim, tudo é com muita urgência, tem que ser tudo muito rápido, muito acelerado”, afirmou a apresentadora.

Para a especialista, entretanto, a quantidade de compromissos não é necessariamente o principal problema. O que merece atenção é a falta de momentos de recuperação. “O problema não é necessariamente ter uma rotina cheia. Existem pessoas com muitas responsabilidades que conseguem se organizar e preservar momentos de recuperação.

O sinal de alerta aparece quando não existe mais espaço para pausa, quando a pessoa não consegue se desligar e passa a viver em um estado constante de cobrança e produtividade.

O que acontece quando a pessoa vive no modo “urgência”?

A sensação de que tudo precisa ser resolvido imediatamente pode fazer com que a aceleração deixe de ser percebida como algo fora do normal. “Muitas vezes, a pessoa passa tanto tempo funcionando no modo de urgência que começa a considerar aquele estado de aceleração como normal.

Nesse cenário, responsabilidades e cobranças podem se acumular enquanto o descanso e o autocuidado são constantemente adiados. “Ela vai acumulando compromissos, responsabilidades e cobranças e deixa o autocuidado sempre para depois. O problema é que o organismo também tem limites.

Colocar o próprio nome na lista também é cuidado

Depois de perceber que não estava entre suas próprias prioridades, Rafa questionou quais atividades poderia incluir na rotina para cuidar de si. Entre as possibilidades, mencionou hobbies e atividades que lhe proporcionassem prazer. A apresentadora também reconheceu que talvez precisasse abrir mão de algumas responsabilidades.

Para Dra. Luana, o caminho não deve ser transformar o autocuidado em mais uma obrigação. “Autocuidado não deve ser mais uma obrigação na lista. Às vezes, a pessoa já está sobrecarregada e transforma até o descanso em uma meta que precisa cumprir.

A médica destaca que cuidar da saúde mental também pode significar reduzir demandas e estabelecer limites. “Cuidar da saúde mental também significa rever prioridades, estabelecer limites, aprender a dizer não e entender que abrir mão de algumas coisas não significa fracasso.

Quando procurar ajuda profissional?

A busca por ajuda especializada não precisa acontecer somente quando a pessoa chega ao limite do esgotamento. “Não é preciso esperar chegar ao limite para procurar ajuda.

Para a médica, algumas mudanças na rotina e no bem-estar podem indicar que chegou o momento de conversar com um profissional de saúde mental. “Quando o sofrimento começa a interferir no sono, nos relacionamentos, no trabalho ou na capacidade de sentir prazer pelas coisas, esse já é um bom momento para conversar com um profissional de saúde mental.

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