Nos últimos meses, a influenciadora digital Virginia Fonseca (27) compartilhou uma angústia bastante comum na maternidade: o desenvolvimento da comunicação do filho caçula. Aos 1 ano e 11 meses, José Leonardo — fruto de seu casamento com Zé Felipe (28) — faz tentativas, mas ainda não desenvolveu a fala completa, o que motivou a família a buscar acompanhamento especializado.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tempo certo da linguagem infantil, a CARAS Brasil conversou com a fonoaudióloga Adriana Fiore. A especialista analisa o quadro do menino, que está em acompanhamento fonoaudiológico desde 1 ano e 7 meses, e alerta que o foco dos pais não deve estar apenas na contagem do vocabulário.
“Nessa idade, não é importante observar apenas quantas palavras a criança já fala, mas também o que ela vem construindo internamente para que a linguagem possa acontecer.”
O repertório vem antes das palavra
Segundo Adriana, o ambiente e as vivências moldam a capacidade de comunicação da criança muito antes de a primeira palavra ser dita.
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“Eu costumo dizer que ‘para falar, é preciso ter do que falar’. Antes de transformar experiências em palavras, a criança precisa construir repertório: conhecer pessoas, objetos, ações, situações, compreender o que acontece à sua volta, estabelecer relações, guardar essas experiências na memória e atribuir significado a elas. Se esse repertório é muito reduzido, sobre o que essa criança irá falar?”
Sinais de comunicação além da fala
A especialista detalha quais habilidades os pais e cuidadores devem monitorar na rotina para entender se a comunicação está no caminho certo.
“Por isso, antes e junto da fala, observamos muitas outras habilidades: a intenção de se comunicar, o olhar compartilhado, os gestos, o apontar, a imitação, a compreensão da linguagem, a troca de turnos e a capacidade de dividir experiências e interesses com o outro. É esse conjunto que nos mostra como a comunicação está sendo construída.”
Intervenção precoce e o papel fundamental da família
O acompanhamento fonoaudiológico na primeira infância age diretamente no estímulo, focando no desenvolvimento e não em rótulos fechados.
“Quando identificamos que alguma dessas habilidades não está evoluindo como esperado, a intervenção precoce permite atuar justamente nesse período de intensa aprendizagem e desenvolvimento. O objetivo não é antecipar diagnósticos, mas favorecer as bases necessárias para que a linguagem avance e acompanhar de perto como a criança responde aos estímulos oferecidos.”
O sucesso desse processo, no entanto, depende da continuidade do estímulo dentro de casa.
“E esse trabalho não acontece apenas durante a sessão. A família tem participação fundamental. Pais e cuidadores são orientados sobre o que observar, como reconhecer as tentativas de comunicação da criança e como ampliar seu repertório nas situações mais simples da rotina: durante uma brincadeira, no banho, na alimentação, em um passeio ou na leitura de um livro.”

A verdadeira pergunta que os pais devem fazer
Com os estímulos corretos, a evolução terapêutica reduz significativamente os riscos de dificuldades no futuro. Adriana conclui com uma reflexão essencial para famílias que vivem a mesma situação:
“À medida que a criança responde à intervenção, os objetivos terapêuticos vão sendo revistos e ampliados. Uma boa resposta pode favorecer sua trajetória de desenvolvimento e reduzir riscos para dificuldades posteriores de linguagem. Por isso, diante de uma criança pequena, a pergunta não deveria ser somente ‘quantas palavras ela fala?’, mas também: ‘quanto ela já compreende, experimenta, compartilha e tem de repertório para transformar tudo isso em palavras?’”
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