Em agosto, o zagueiro André Ramalho, do Corinthians, virou desfalque após ser diagnosticado com um quadro divulgado como labirintite. O problema impediu o jogador de entrar em campo contra o Cruzeiro, no domingo, dia 16 do mês passado, pelo Campeonato Brasileiro.
O caso chama atenção para sintomas como tontura, vertigem e alterações do equilíbrio, que podem aparecer de maneira intensa. Para um atleta profissional, cujo desempenho depende diretamente de movimentos rápidos, equilíbrio e orientação espacial, uma crise pode inviabilizar a prática esportiva.
Segundo o neurologista Dr. Saulo Nader, conhecido por sua atuação em tontura e distúrbios do equilíbrio, é importante entender que o termo “labirintite” é utilizado popularmente para diferentes situações.
“Uma crise de vertigem pode ser extremamente incapacitante. Imagine um jogador que depende de equilíbrio, visão, movimentos rápidos e mudanças bruscas de direção. Se esse sistema não está funcionando adequadamente, não existem condições seguras para uma atividade esportiva de alta performance”.
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Toda tontura é labirintite?
Não. Esse é justamente um dos principais alertas feitos pelo neurologista. De acordo com Dr. Saulo Nader, existem diferentes causas possíveis para a tontura e identificar a origem do sintoma é essencial para definir como o paciente deve ser tratado.
“As pessoas costumam chamar qualquer tontura de labirintite, mas existem inúmeras causas para esse sintoma. O diagnóstico correto é fundamental porque o tratamento depende da origem do problema”.
Entre as possibilidades citadas pelo especialista estão a soltura dos cristais do labirinto, condição chamada de VPPB, enxaqueca vestibular, queda de pressão e AVC, além de outras condições que precisam ser diferenciadas durante a investigação médica.
Por isso, o neurologista também alerta contra a ideia de recorrer simplesmente a medicamentos popularmente associados à labirintite sem descobrir o que provocou o sintoma.
“Cada doença tem um tratamento totalmente diferente da outra – não tem esse da remedinhos pra ‘labirintite’ e pronto. Isso é um perigo, pois mascara a tontura sem realmente a tratar. O que precisa é o tratamento específico para causa da tontura que a pessoa está tendo, para parar de ter e não voltar a ter no futuro”.
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Quando a tontura é um sinal de alerta?
O neurologista também chama atenção para situações em que a tontura exige avaliação médica imediata. O alerta é especialmente importante quando o sintoma aparece acompanhado de outras manifestações neurológicas.
Entre os sinais mencionados por Dr. Saulo Nader estão fraqueza ou dormência de um lado do corpo, dificuldade para falar, visão dupla, perda importante de coordenação, desmaio ou uma dor de cabeça súbita e muito intensa.
“O mais importante é não banalizar uma tontura intensa e também não assumir automaticamente que se trata de labirintite. É preciso entender a causa”.
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