As recentes críticas ao corpo de Jenna Ortega reacenderam o debate sobre pressão estética, imagem corporal e os limites dos comentários sobre a aparência de pessoas públicas. A repercussão fez com que Aliyah Ortega, irmã da atriz, se manifestasse nas redes sociais e pedisse que as pessoas ‘deixem ela em paz’.
O episódio envolvendo Jenna Ortega também chama atenção para uma questão que ultrapassa a vida das celebridades: os possíveis impactos que a cobrança constante sobre o corpo pode provocar na saúde física e emocional.
Comentários sobre peso, formato corporal e aparência podem contribuir para insatisfação com o próprio corpo, ansiedade e comportamentos alimentares inadequados. Ao mesmo tempo, especialistas reforçam que não é possível determinar se uma pessoa está saudável apenas observando sua aparência.
Para entender os efeitos da pressão estética sobre o corpo e os riscos de transformar padrões de beleza em supostos indicadores de saúde, a CARAS Brasil conversou com o nutrólogo Rubem Regoto.
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Críticas ao corpo podem afetar a saúde?
A exposição constante a opiniões sobre aparência pode fazer com que a percepção que uma pessoa tem de si mesma seja influenciada pelo julgamento externo. Para Rubem Regoto, esse processo pode afetar diretamente a relação com o próprio corpo e com a alimentação.
“Quando milhares de pessoas opinam sobre seu corpo, o espelho pode deixar de mostrar você e começar a mostrar o julgamento dos outros. Isso pode aumentar de maneira absurda a ansiedade, insatisfação corporal e levar a comportamentos alimentares inadequados. O ser humano tende a buscar a aceitação e aprovação dos outros seres humanos, com artistas não é diferente. Mas o mais perigoso é quando a busca pela aceitação e aprovação dos outros começa a custar a saúde.“
O alerta do especialista ajuda a contextualizar a repercussão envolvendo Jenna Ortega. Para além da opinião sobre padrões de beleza, a discussão envolve a maneira como comentários repetidos sobre o corpo podem interferir na autoestima e na percepção que uma pessoa desenvolve sobre a própria aparência.
Aparência física revela se alguém está saudável?
Outro ponto importante levantado pelo nutrólogo é a associação entre aparência e saúde. Um corpo que se encaixa em determinado padrão estético não significa, necessariamente, que esteja saudável.
“A sua aparência e forma física pode até ser a que você julga a ideal, ou a que julga ser a ideal para ‘apresentar’ para os outros. Mas não, aparência não é um exame médico. Uma pessoa magra, assim como uma obesa, pode apresentar alterações metabólicas, deficiência nutricional ou perda muscular. Transformar aparência em diagnóstico pode trazer transtorno alimentar, preconceitos e pode normalizar comportamentos perigosos em nome de um padrão estético.“
A avaliação da saúde nutricional depende de diferentes fatores e não pode ser feita apenas a partir de uma fotografia ou das características visíveis do corpo. Por isso, julgamentos sobre peso e aparência podem ser especialmente problemáticos quando são tratados como diagnósticos.
No caso de figuras públicas como Jenna Ortega, a exposição ainda pode ampliar a quantidade de comentários recebidos diariamente, fazendo com que a aparência se torne um assunto recorrente mesmo quando não há informações sobre o estado de saúde da pessoa.
Como ter uma relação mais saudável com o próprio corpo?
As redes sociais também têm papel importante na forma como as pessoas enxergam o próprio corpo. Fotografias, vídeos e conteúdos cuidadosamente selecionados podem estimular comparações constantes e criar a impressão de que existe um único modelo de aparência considerado aceitável.
Para Rubem Regoto, uma mudança importante começa justamente na pergunta que cada pessoa faz sobre o próprio corpo.
“Talvez o primeiro passo seja entender se o que você busca é um corpo que te agrade mas que também seja saudável ou se é um corpo que agrade aos outros e para isso, se perder saúde não é um limite.“
O nutrólogo sugere ainda uma mudança de perspectiva ao avaliar o próprio corpo. Em vez de concentrar a atenção exclusivamente na aparência, a pessoa pode considerar aquilo que seu corpo possibilita realizar no dia a dia.
“Entendido e esclarecido isto, o próximo passo seria trocar a pergunta: ‘Como meu corpo parece?’, Por: ‘O que meu corpo me permite fazer?’ Força, energia, sono, autonomia e saúde também precisam entrar nessa conta.“

Redes sociais podem aumentar as comparações?
A comparação com outras pessoas também merece atenção, principalmente nas redes sociais. O conteúdo publicado nesses ambientes costuma representar apenas uma parte selecionada da rotina e da aparência de alguém.
Por isso, segundo o especialista, comparar a própria realidade com aquilo que é mostrado nas redes pode gerar uma percepção distorcida.
“Nas redes sociais, lembre-se: frequentemente comparamos nossa vida real com o recorte mais que editado da vida dos outros. É uma comparação injusta para o cérebro humano entre o ‘palco’ dos outros e o ‘bastidor’ do dia a dia que só você conhece!“
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