José Loreto convive com o diabetes tipo 1 desde a adolescência. Diagnosticado aos 14 anos, o ator precisou aprender desde cedo a adaptar a rotina aos cuidados necessários para controlar a doença. Mais de duas décadas depois, ele afirma que encara a condição de forma natural e decidiu, inclusive, deixar o sensor de glicose visível durante as gravações de Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo.
“Eu levo a diabetes tão de boa… Sabe o míope que usa óculos e esquece que é míope? A diabetes pra mim faz parte [da minha vida] há mais de 20 anos”, declarou o artista em entrevista ao Gshow.
Em outro momento, explicou a decisão de não esconder mais o dispositivo: “Depois de muitos anos fazendo novela e escondendo esse chip, botando em lugares menos visíveis, agora na minha décima novela eu pensei: ‘Deixa eu normalizar esse chip’”.
A experiência do ator também ajuda a levantar discussões sobre uma doença que exige atenção e cuidados constantes. Para entender melhor o diabetes tipo 1, os sinais que merecem atenção, os riscos e as possibilidades de tratamento, a Dra. Camila Ribeiro, endocrinologista, explica à CARAS Brasil quais são os principais pontos sobre a condição.
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Tire suas dúvidas sobre o diabetes, doença que acomete o dia a dia de José Loreto
Segundo a endocrinologista, alguns sintomas do diabetes tipo 1 podem aparecer de maneira bastante evidente, principalmente quando surgem em conjunto. “Os sinais mais comuns são aumento da sede, vontade de urinar com muita frequência, perda de peso sem causa aparente, fome excessiva, cansaço, fraqueza e visão embaçada. Em crianças, um sinal que pode chamar atenção é voltar a urinar na cama depois de já ter adquirido esse controle”, explica.
A médica alerta que, no diabetes tipo 1, a evolução dos sintomas pode ser rápida. “No diabetes tipo 1, esses sintomas podem surgir e evoluir rapidamente. Por isso, quando aparecem de forma associada, principalmente sede excessiva, aumento da urina e perda de peso, é importante procurar avaliação médica o quanto antes. O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como a cetoacidose diabética.”
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Por que a doença pode surgir sem histórico familiar?
Apesar de muitas pessoas associarem o diabetes à hereditariedade, a ausência de casos na família não impede que uma pessoa desenvolva o tipo 1. “Porque o diabetes tipo 1 é uma doença autoimune e não depende apenas da hereditariedade. O sistema imunológico passa a atacar as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, levando progressivamente à deficiência desse hormônio”, esclarece Camila.
“Existe uma predisposição genética, mas outros fatores também participam desse processo. Portanto, não é necessário ter pai, mãe ou outro familiar com diabetes tipo 1 para desenvolver a doença”, completa.
Quais sintomas indicam que o diabetes está descompensado?
Entre as complicações que exigem atenção imediata está a cetoacidose diabética. De acordo com a endocrinologista, o quadro pode apresentar diferentes sinais e precisa ser tratado como uma emergência.
“Um dos quadros mais importantes é a cetoacidose diabética. O paciente pode apresentar náuseas, vômitos, dor abdominal, desidratação, fraqueza intensa, respiração rápida e profunda, sonolência, confusão mental e alteração do nível de consciência”, afirma.
“É uma complicação potencialmente grave e que necessita de atendimento médico imediato. Em algumas pessoas, inclusive, a cetoacidose pode ser a primeira manifestação do diabetes tipo 1”, alerta a especialista.
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Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela identificação da hiperglicemia, mas a diferenciação entre os tipos de diabetes pode exigir uma investigação mais ampla. “O diagnóstico do diabetes é feito pela identificação da hiperglicemia, utilizando exames como glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, em situações específicas, teste oral de tolerância à glicose ou glicemia ao acaso na presença de sintomas clássicos”, explica.
Quando existe a necessidade de descobrir qual tipo de diabetes o paciente apresenta, outros fatores também são levados em consideração. “Quando é necessário esclarecer qual é o tipo de diabetes, o médico considera a história clínica, a idade e a forma de apresentação e pode solicitar exames complementares.”
“A pesquisa de autoanticorpos relacionados às células pancreáticas ajuda a identificar o processo autoimune característico do diabetes tipo 1, enquanto o peptídeo C pode auxiliar na avaliação da produção de insulina pelo próprio organismo”, acrescenta Camila.
Os desafios de conviver com o diabetes tipo 1
Embora Loreto diga que aprendeu a encarar a doença com naturalidade, o diabetes tipo 1 exige uma série de cuidados ao longo do dia. “O diabetes tipo 1 exige cuidado diário e contínuo. É necessário administrar insulina, monitorar a glicose, entender a influência da alimentação e da atividade física e saber prevenir e tratar tanto a hipoglicemia quanto a hiperglicemia”, destaca a endocrinologista.
Além das questões relacionadas diretamente ao tratamento, existe também um impacto emocional. “Além disso, existe uma carga emocional importante, porque o paciente precisa tomar decisões relacionadas à doença várias vezes ao longo do dia. Por isso, educação em diabetes, apoio familiar e acompanhamento por uma equipe multidisciplinar são tão importantes quanto o próprio tratamento medicamentoso”, afirma.
Como os sensores de glicose ajudam?
O sensor utilizado por José Loreto é uma das tecnologias que podem facilitar o acompanhamento da doença. Esses dispositivos permitem que o paciente tenha acesso mais frequente às informações sobre os níveis de glicose e suas variações.
“As novas tecnologias trouxeram um avanço muito importante para quem vive com diabetes tipo 1. Os sensores de monitorização da glicose permitem acompanhar os níveis de glicose ao longo do dia e da noite e, principalmente, observar tendências de subida ou queda”, explica Camila.
“Alguns sistemas também emitem alertas para episódios de glicose muito baixa ou muito alta. Existem ainda bombas de insulina e sistemas que integram a bomba ao sensor, permitindo maior automatização da administração de insulina”, continua.
“Quando bem indicadas e acompanhadas, essas tecnologias podem aumentar a segurança, facilitar o controle da doença e reduzir parte da sobrecarga do tratamento diário”, completa a especialista.
Diabetes tipo 1 é causado pelo consumo de açúcar?
Um dos principais mitos relacionados à doença é a ideia de que o consumo excessivo de doces seria responsável pelo desenvolvimento do diabetes tipo 1. A endocrinologista esclarece que não é assim.
“Talvez o principal mito seja dizer que uma pessoa desenvolveu diabetes tipo 1 porque comeu muito açúcar. Isso não é verdade. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune e não é causado pelo consumo de doces”, afirma.
Outro equívoco é acreditar que o diabetes tipo 1 seja exclusivamente uma doença infantil. “Outro mito é acreditar que ele acontece somente em crianças. Apesar de ser frequentemente diagnosticado na infância e adolescência, pode surgir em outras fases da vida.”
Camila também ressalta que o uso de insulina não representa uma falha no tratamento. “Também é importante esclarecer que utilizar insulina não significa que o tratamento ‘falhou’. No diabetes tipo 1, a insulina é essencial porque existe deficiência na produção desse hormônio.”
Quais cuidados garantem qualidade de vida?
Depois do diagnóstico, a educação sobre a doença passa a ser uma parte fundamental do tratamento. “O mais importante é que o paciente receba educação adequada sobre a doença desde o diagnóstico. Ele precisa aprender a utilizar corretamente a insulina, monitorar a glicose, reconhecer e tratar uma hipoglicemia, compreender como alimentação e atividade física interferem nos níveis glicêmicos e manter acompanhamento médico regular”, orienta a endocrinologista. “Também é fundamental realizar o rastreamento periódico das possíveis complicações associadas ao diabetes”, acrescenta.
Apesar da necessidade de cuidados contínuos, o diagnóstico não significa abrir mão de uma vida ativa. “Hoje, com tratamento adequado, educação e as tecnologias disponíveis, uma pessoa com diabetes tipo 1 pode estudar, trabalhar, praticar atividade física, viajar e ter uma vida ativa e com qualidade”, afirma Camila.
“O objetivo do tratamento não é apenas controlar um número no exame, mas permitir que o paciente tenha segurança, autonomia e qualidade de vida”, finaliza a especialista.
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