Recentemente, o jornalista e apresentador Alex Escobar revelou ter sido diagnosticado com Miastenia Gravis, uma doença autoimune e neuromuscular que causa fraqueza muscular flutuante e fadiga extrema. A condição se desenvolve quando o próprio sistema imunológico interfere nos sinais enviados pelos nervos aos músculos, comprometendo movimentos cotidianos.

Para conter o avanço dos sintomas e estabilizar o quadro, o comunicador da Globo passou por uma cirurgia de retirada do timo (timectomia), intervenção decisiva no tratamento que traz à tona a relevância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico especializado.

Em entrevista à CARAS Brasil, a Dra. Thaise Serra, neurologista da Rede Mater Dei de Saúde, com área de atuação em doenças neuromusculares, explicou detalhes da Miastenia Gravis, esclarecendo as causas da condição, como funciona a cirurgia de retirada do timo e quais são os caminhos para garantir o controle dos sintomas e a qualidade de vida do paciente.

Alex Escobar - Foto: Reprodução / Instagram
Alex Escobar – Foto: Reprodução / Instagram

O que é a Miastenia Gravis?

A Miastenia Gravis é uma doença autoimune que causa fraqueza muscular. Para movimentarmos o corpo, o cérebro envia comandos através dos nervos até os músculos. Na Miastenia Gravis, o próprio sistema imunológico produz anticorpos que atrapalham essa comunicação, fazendo com que o músculo não receba o comando de forma adequada“, explica a especialista.

É como se a mensagem enviada pelo nervo tivesse dificuldade para chegar ao músculo. Por isso, é comum que a pessoa apresente uma fraqueza que piora após esforços ou movimentos repetidos e melhora com o repouso. Ainda não sabemos exatamente por que o sistema imunológico passa a agir dessa maneira, mas sabemos que o timo, uma glândula relacionada ao sistema imunológico, pode ter participação nesse processo“, completa Dra. Thaise Serra.

Quais são os principais sintomas da Miastenia Gravis?

No caso do apresentador Alex Escobar, a alteração da fala foi um dos sintomas que mais ficaram evidentes. Em junho deste ano, o comunicador sentiu um mal-estar ao vivo durante a cobertura da Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Na ocasião, enquanto conversava com Patricia Poeta no programa Encontro, Escobar apresentou dificuldades na fala e acabou preocupando os telespectadores. De acordo com a Dra. Thaise Serra, é comum que a Miastenia Gravis afete músculos da face, pálpebras, voz e mastigação.

É muito comum que a Miastenia Gravis afete os músculos dos olhos e da face, podendo causar queda das pálpebras, visão dupla e alterações na fala, na mastigação e na deglutição. A voz também pode ficar mais fraca depois de algum tempo falando. Uma característica importante da doença é que a fraqueza costuma piorar com o esforço e melhorar após o repouso“, esclarece.

Por isso, uma pessoa pode estar bem em determinado momento do dia e apresentar mais dificuldade depois de repetir uma atividade por algum tempo. A doença também pode afetar braços e pernas, causando dificuldade para caminhar, subir escadas ou manter os braços elevados. Nos casos mais graves, pode comprometer os músculos responsáveis pela respiração, situação que necessita de atendimento médico imediato“, acrescenta a médica.

Alex Escobar
Alex Escobar – Foto: Reprodução / Instagram

Como costuma ser a jornada até o diagnóstico correto?

Segundo a Dra. Thaise Serra, entender a trajetória dos pacientes até a identificação da Miastenia Gravis é fundamental para compreender a complexidade da condição. Diante das oscilações dos primeiros sinais e da facilidade com que são confundidos no dia a dia, a especialista detalhou como funciona esse processo na prática:

A Miastenia Gravis é uma doença neuromuscular rara. Como os sintomas podem aparecer e desaparecer ou variar de intensidade ao longo do dia, o diagnóstico nem sempre acontece logo no início. Muitas vezes, a pessoa percebe apenas que está mais cansada ou que determinadas atividades estão ficando mais difíceis e pode atribuir isso ao estresse, à rotina ou à falta de condicionamento físico“, explica.

Além disso, como a fraqueza pode melhorar após o repouso, o paciente pode estar praticamente sem sintomas no momento da consulta. Por isso, reconhecer esse padrão de fraqueza que piora com o esforço e melhora com o descanso é muito importante para levantar a suspeita da doença e procurar avaliação com um neurologista“, completa.

Qual é o papel do timo na Miastenia Gravis?

Em 6 de agosto deste ano, o apresentador Alex Escobar passou por uma cirurgia para a retirada de um tumor no timo, glândula localizada no tórax. Sobre a influência dessa região no desenvolvimento da doença autoimune, a neurologista detalhou como o órgão atua no organismo e por que exige investigação médica.

O timo é uma glândula localizada no tórax que participa do desenvolvimento e da regulação do nosso sistema imunológico. Ele pode ter um papel importante na Miastenia Gravis, porque alterações no seu funcionamento podem contribuir para que o sistema imunológico passe a atacar estruturas do próprio organismo. Alguns pacientes apresentam alterações no timo e uma parcela deles pode apresentar um tumor chamado timoma. Por isso, após o diagnóstico de Miastenia Gravis, o neurologista pode solicitar exames de imagem do tórax para avaliar essa glândula“, esclarece ela.

A cirurgia de remoção do timo ajuda a controlar ou até ‘reverter’ os sintomas da miastenia?

A respeito do procedimento cirúrgico ao qual Alex Escobar foi submetido, a médica esclarece o papel da intervenção e o que se pode esperar dos resultados no tratamento da doença: “Quando existe um timoma, a retirada cirúrgica do timo geralmente é indicada por causa da presença do próprio tumor“, conta.

Mas, mesmo quando não existe um tumor, a cirurgia pode ser recomendada para alguns pacientes com Miastenia Gravis, pois pode ajudar no controle da doença. A melhora nem sempre acontece imediatamente e pode ocorrer gradualmente ao longo do tempo. Alguns pacientes apresentam redução dos sintomas e da necessidade de medicamentos e podem até alcançar períodos de remissão. No entanto, a cirurgia não é indicada para todos os pacientes e não pode ser considerada uma garantia de cura“, explica a especialista.

Como é o tratamento adequado para a Miastenia Gravis?

Em relação às possibilidades terapêuticas e às expectativas de rotina após a descoberta da condição, a Dra. Thaise Serra ressaltou como funcionam os cuidados médicos contínuos e o impacto do acompanhamento adequado na rotina do paciente:

Atualmente, existem diferentes opções de tratamento para a Miastenia Gravis, e a escolha depende dos sintomas, da gravidade e das características de cada paciente. Existem medicamentos que ajudam diretamente na força muscular e outros que atuam no sistema imunológico para controlar a doença. Nos últimos anos, também surgiram novas opções de tratamento para determinados grupos de pacientes“, destaca.

Com o tratamento adequado, muitas pessoas conseguem manter a doença bem controlada, trabalhar, praticar atividades físicas e realizar normalmente suas atividades pessoais e profissionais. No entanto, não é possível afirmar que todos terão uma vida ‘100% normal’, porque a doença se manifesta de maneira diferente em cada pessoa e alguns pacientes podem apresentar períodos de piora ou necessitar de tratamentos mais intensivos“, completa a médica.

A Miastenia Gravis tem cura ou apenas controle?

Por fim, ao abordar as perspectivas de longo prazo e a possibilidade de remissão da doença, a neurologista destaca os cuidados essenciais para manter o quadro estável ao longo da vida: “Atualmente, a Miastenia Gravis é considerada uma doença crônica, ainda sem cura definitiva, mas com diversas opções de tratamento que evoluíram muito nos últimos anos“.

Com o acompanhamento e o tratamento adequados, muitos pacientes conseguem manter a doença bem controlada e alguns podem até apresentar períodos de remissão, com poucos ou nenhum sintoma. Ao longo da vida, é importante manter acompanhamento regular com o neurologista, utilizar corretamente as medicações prescritas e manter o cartão vacinal atualizado, já que algumas infecções podem desencadear uma piora dos sintomas. Além disso, alguns medicamentos podem agravar a Miastenia Gravis e, por isso, o paciente deve sempre informar o diagnóstico aos profissionais de saúde antes de iniciar uma nova medicação“, conclui Dra. Thaise Serra.

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