A ex-BBB Kerline chamou atenção ao revelar, em entrevista ao gshow, que recebeu o diagnóstico de lipedema após anos convivendo com dores nas pernas, inchaço, hematomas frequentes e dificuldade para realizar exercícios físicos.
“Quando recebi o diagnóstico de lipedema, isso me fez entender muito mais sobre o meu corpo. Sentia muitas dores nas pernas, tinha um inchaço fora do normal, roxos que apareciam do nada e dificuldade para executar alguns exercícios. Fui buscar uma solução, mas o lipedema não tem cura. O tratamento é contínuo e multidisciplinar”, afirmou a ex-BBB.
Segundo a Dra. Heloise Manfrim, cirurgiã plástica especializada no tratamento do lipedema, o relato reúne diversos sinais característicos da doença, que ainda permanece subdiagnosticada. “Muitas pacientes chegam ao consultório dizendo que finalmente encontraram uma explicação para sintomas que carregam há anos. O diagnóstico representa um alívio porque elas entendem que a dor, o peso nas pernas, o inchaço desproporcional e os hematomas frequentes não são exagero nem consequência exclusiva do excesso de peso. Existe uma doença por trás desses sintomas que precisa ser reconhecida e tratada”, comenta a Dra. Heloise.
Do que se trata a doença?
A especialista explica que o lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, caracterizada por alterações na gordura subcutânea associadas a inflamação crônica de baixo grau, fibrose, alterações da microcirculação e da matriz extracelular. Essas modificações tornam o tecido mais doloroso, sensível e funcionalmente comprometido. “Não é apenas um acúmulo de gordura. O tecido apresenta alterações estruturais que favorecem dor, aumento da sensibilidade, edema e maior fragilidade vascular. Muitas pacientes relatam dor ao simples toque, sensação constante de peso, dificuldade para permanecer longos períodos em pé e piora dos sintomas ao longo do dia”.
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Por que aparecem tantos hematomas?
Entre os sintomas mais frequentes estão os hematomas espontâneos ou após pequenos impactos. “Os capilares presentes no tecido acometido apresentam maior fragilidade. Por isso, pequenos traumas do dia a dia — como esbarrar em um móvel ou uma pressão mais intensa da roupa — podem provocar hematomas com facilidade”.
Dor, exercício físico e perda de função
Outro ponto citado por Kerline foi a dificuldade para praticar exercícios. Segundo a Dra. Heloise, a dor, o aumento da sensibilidade e a sensação de peso podem reduzir a capacidade funcional, criando um ciclo negativo.
“A paciente sente dor para se movimentar, reduz sua atividade física, perde força muscular e condicionamento e isso acaba aumentando ainda mais as limitações. Hoje sabemos que preservar e desenvolver massa muscular é um dos pilares mais importantes do tratamento, porque melhora a função, auxilia o metabolismo e contribui para o controle dos sintomas”, diz a Dra. Heloise.
Ela explica que não existe um único exercício ideal para todas as pacientes. “A atividade física deve ser individualizada, respeitando o estágio da doença, a presença de dor, a capacidade funcional e as características de cada paciente. Exercícios de fortalecimento muscular, atividades de baixo impacto e exercícios aquáticos costumam ser excelentes opções em muitos casos”.
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O tratamento vai muito além do diagnóstico
Assim como destacou Kerline, o tratamento do lipedema é contínuo e exige acompanhamento multidisciplinar. “O tratamento precisa ser individualizado. Não existe uma única estratégia capaz de controlar todos os aspectos da doença”, comenta a Dra. Heloise.
Além do acompanhamento com cirurgião plástico, outros profissionais podem participar do cuidado, como cirurgião vascular, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico e psicólogo, conforme as necessidades de cada paciente. A médica ressalta que o tratamento conservador envolve muito mais do que controlar o peso. “Hoje sabemos que fatores como inflamação sistêmica, gordura visceral, composição corporal, massa muscular, qualidade do sono, estresse e saúde intestinal também influenciam diretamente a intensidade dos sintomas. Por isso, o tratamento precisa olhar para a paciente como um todo”, destaca.
Diagnóstico precoce transforma a jornada da paciente
Para a Dra. Heloise, reconhecer precocemente os sinais do lipedema pode evitar anos de sofrimento e permitir intervenções mais eficazes. “Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores são as possibilidades de controlar seus sintomas, preservar a funcionalidade e evitar a progressão das limitações. Mais do que tratar pernas, tratamos pessoas. Nosso objetivo é devolver qualidade de vida, autonomia e saúde de forma individualizada”, finaliza.
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