Médico explica lesão que deixou atriz de Vale Tudo meses sem andar: ‘Impossibilidade’
No ar em Vale Tudo, Ingrid Gaigher revela lesão grave que a deixou três meses sem andar; ortopedista explica os riscos e cuidados na recuperação

A atriz Ingrid Gaigher, intérprete de Lucimar no remake de Vale Tudo, contou em recente entrevista que enfrentou um período delicado após sofrer um acidente doméstico que resultou na ruptura do tendão patelar — lesão grave que a deixou sem conseguir andar por três meses. Para entender melhor sobre o caso e os cuidados envolvidos na recuperação, a caras Brasil conversou com o ortopedista Dr. Caio Zamboni, diretor da Sociedade Brasileira do Trauma Ortopédico.
O que é o tendão patelar e como ocorre a lesão?
O especialista explicou que o tendão “faz parte do mecanismo extensor do joelho. Ele é super importante no braço de alavanca, nesse mecanismo de esticar a perna. E as lesões do tendão patelar, assim como do próprio ligamento patelar, um fica em cima e o outro fica embaixo da patela, quando você tem uma lesão, você perde esse aparelho extensor e a perda do aparelho extensor significa a impossibilidade de você esticar a perna e sustentar o peso, então a pessoa praticamente não consegue nem ficar em pé.”
Tratamento é cirúrgico
Segundo o especialista, não há tratamento clínico eficaz para esse tipo de lesão: “Nas rupturas do tendão patelar, o tratamento é cirúrgico. Você precisa restaurar a anatomia e o braço de alavanca para a pessoa conseguir esticar a perna de novo. Você mantendo essa lesão ou você não reparando isso cirurgicamente, consertando isso daí, a pessoa não consegue subir uma escada, descer uma escada, correr, sustentar o peso, caminhar, chutar. Você simplesmente não consegue esticar o joelho.”
“Se você não tratar cirurgicamente, a principal complicação é fraqueza, dor e impossibilidade de subir e descer a escada e fazer esses movimentos que eu comentei, esticar o joelho”, alertou.
Complicações e cuidados no pós-operatório
O pós-operatório exige atenção. “Nós temos as complicações como degeneração do tendão, re-ruptura, que é ele voltar a romper novamente se o tratamento cirúrgico não for realizado com sucesso, se a reabilitação não for bem feita, então o tendão pode romper novamente, infecção, dependendo do material do fio que é utilizado para fazer essa reinserção do tendão patelar também, processos alérgicos locais por conta do fio também são bastante comuns, porque o fio que se usa para fazer essa sutura é um fio inabsorvível, e esse fio pode ficar incomodando depois, e reações alérgicas ali são bastante comuns.”
Recuperação
Dr. Caio também destacou que a reabilitação é um processo individualizado: “O período de recuperação ele varia muito de pessoa para pessoa e os cuidados em relação a esse período de fisioterapia e reabilitação para ganho da amplitude novamente, do movimento da articulação e também para um fortalecimento e reforço evitando que problemas adicionais ou recidiva da ruptura aconteça.”
Ele complementou: “Então, sobre essa recuperação, o que eu posso dizer é que deve ser feita de forma progressiva, calma e constante para que você, como eu disse, ganhe primeiro a amplitude do movimento e depois o fortalecimento da musculatura. Mas tem um período a ser respeitado de imobilização.”
Tudo depende também do tamanho da lesão e do sucesso do procedimento cirúrgico. “Se você consegue uma sutura eficiente, você está liberado ou se sente mais confortável para liberar uma fisioterapia um pouco mais agressiva e mais rápida. Por outro lado, se esse tendão está muito machucado e bastante degenerado e a lesão é muito grande ou passou-se muito tempo até o tratamento cirúrgico, você precisa fazer uma reabilitação um pouco mais demorada e parcimoniosa para que a reabilitação seja eficiente e ela demore um pouco mais”, pontuou.
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