Após revelar o diagnóstico de endometriose, Juliette Freire contou aos seguidores que iniciou uma nova etapa de cuidados para controlar a doença. A ex-BBB, que recebeu o diagnóstico em junho deste ano, também explicou que pretende realizar um tratamento com o objetivo de interromper o ciclo menstrual.

Ao falar sobre a condição, a cantora destacou que ainda está entendendo melhor a doença e ressaltou que o tratamento pode variar de acordo com cada mulher. “É uma doença muito complexa, o tratamento varia muito de mulher para mulher”, declarou Juliette.

A ginecologista Dra. Ana Paula Fonseca explica que a individualização é uma característica importante no tratamento da endometriose. Segundo ela, a escolha da estratégia deve considerar fatores como sintomas, localização e extensão da doença, idade, planos de gravidez e resposta da paciente aos tratamentos disponíveis.

Quando a Juliette fala que é uma doença complexa e que o tratamento varia de mulher para mulher, ela traz uma informação muito importante. A endometriose pode se apresentar de formas muito diferentes e o tratamento precisa levar em consideração não apenas os exames, mas principalmente os sintomas e o impacto da doença na vida daquela mulher”, explica.

Por que o tratamento pode interromper a menstruação?

De acordo com a médica, interromper a menstruação por meio de tratamento hormonal é uma das estratégias que podem ser utilizadas para controlar a endometriose. “Quando interrompemos a menstruação por meio de um tratamento hormonal, conseguimos reduzir o estímulo hormonal sobre os focos de endometriose e, consequentemente, controlar sintomas, principalmente a dor. É uma estratégia bastante utilizada, mas a indicação e o tipo de hormônio precisam ser definidos individualmente”, afirma Dra. Ana Paula.

A especialista ressalta, porém, que interromper o ciclo menstrual não significa eliminar definitivamente a doença. “É importante deixar claro que o objetivo é controlar a doença e melhorar a qualidade de vida. Não estamos falando necessariamente em uma cura. A endometriose é uma condição crônica e, por isso, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento ao longo do tempo”, explica.

Toda mulher com endometriose precisa de cirurgia?

O diagnóstico da endometriose também não significa que a paciente necessariamente precisará passar por uma cirurgia. Segundo Dra. Ana Paula, algumas mulheres conseguem controlar os sintomas por meio de tratamento clínico.

Existem pacientes que apresentam excelente controle dos sintomas com tratamento clínico. A cirurgia é avaliada em situações específicas, principalmente quando há doença mais avançada, comprometimento de determinados órgãos, sintomas persistentes apesar do tratamento ou outras indicações individualizadas”, afirma.

A decisão também deve levar em consideração os planos reprodutivos de cada paciente. Para mulheres que desejam engravidar, por exemplo, a questão da fertilidade precisa ser considerada desde o início do planejamento terapêutico.

Uma mulher que deseja engravidar tem necessidades diferentes de uma paciente que não pretende engravidar naquele momento. A fertilidade precisa fazer parte da conversa desde o início, porque algumas decisões terapêuticas podem interferir na reserva ovariana ou no planejamento da gestação”, acrescenta.

Cólicas fortes podem ser um sinal de endometriose

O relato de Juliette também chama atenção para a importância de reconhecer os possíveis sintomas da doença. A endometriose pode provocar cólicas menstruais intensas, dor pélvica, dor durante as relações sexuais e alterações intestinais ou urinárias relacionadas ao ciclo. Em alguns casos, também pode estar associada a dificuldades para engravidar.

Por outro lado, algumas mulheres apresentam poucos sintomas ou até mesmo nenhum sinal evidente da condição. Para a ginecologista, um dos problemas é a tendência de considerar a dor menstrual intensa algo normal. “Uma cólica que incapacita a mulher, faz com que ela falte ao trabalho, deixe de estudar, de praticar exercícios ou precise tomar medicamentos constantemente não deve ser considerada simplesmente uma menstruação normal. É um sinal de que essa mulher merece uma investigação”, alerta.

O diagnóstico e o acompanhamento devem considerar a história clínica da paciente e os exames adequados, principalmente quando existe suspeita de doença profunda ou de comprometimento de outros órgãos.

Tratamento da endometriose deve ser individualizado

O fato de Juliette ainda estar buscando compreender a própria condição também pode representar o momento vivido por muitas mulheres após receberem o diagnóstico. De acordo com a especialista, a variedade de manifestações da endometriose faz com que não exista uma sequência de tratamento que seja igual para todas.

“É muito comum a paciente receber o diagnóstico e imediatamente querer saber qual será o próximo passo. Mas não existe uma sequência igual para todas. Primeiro precisamos entender onde está a doença, quais sintomas ela provoca, qual é o impacto na qualidade de vida e quais são os objetivos daquela mulher. A partir daí, construímos o tratamento”, conclui Dra. Ana Paula.