A cantora Aila Menezes, ex-participante do The Voice Brasil, passou por uma transformação após perder cerca de 90 kg com a cirurgia bariátrica. Depois do emagrecimento expressivo, ela também realizou uma abdominoplastia para retirar o excesso de pele e compartilhou nas redes sociais a evolução do abdômen apenas 20 dias após o procedimento.

Além dos resultados estéticos, a recuperação após uma grande perda de peso exige atenção à saúde. Deficiências de vitaminas e minerais, anemia e ingestão insuficiente de proteínas podem interferir na cicatrização e na recuperação dos tecidos, especialmente em pacientes que passaram por uma cirurgia bariátrica.

Mas quais nutrientes são essenciais nesse processo? E quais cuidados devem ser tomados antes de uma cirurgia reparadora? Para esclarecer essas dúvidas, a CARAS Brasil conversou com o nutrólogo Rubem Regoto, que destacou a importância de avaliar as condições nutricionais de cada paciente.

Perder 90 kg não significa, necessariamente, estar saudável

De acordo com o nutrólogo, a perda expressiva de peso não deve ser analisada apenas pelo número que aparece na balança. É necessário avaliar como o organismo reagiu ao emagrecimento e se houve preservação da massa muscular e dos nutrientes essenciais.

“Existe um erro comum: achar que perder muito peso significa necessariamente estar metabolicamente saudável. Uma pessoa pode perder 90 quilos e também perder músculo, proteína, vitaminas e minerais”, explica Rubem Regoto.

O especialista ressalta que pacientes submetidos à bariátrica precisam de acompanhamento para identificar possíveis deficiências nutricionais. Entre os nutrientes que merecem atenção estão ferro, vitamina B12, folato, vitamina D, cálcio e zinco, além da ingestão adequada de proteínas.

“E cicatrizar exige matéria-prima. Anemia e deficiências nutricionais podem prejudicar a recuperação dos tecidos“, afirma.

Por isso, o nutrólogo defende uma abordagem que considere não apenas a redução do peso, mas também a preservação da saúde durante o processo.

“Por isso defendo o emagrecimento metabólico: não importa apenas quantos quilos foram perdidos, mas o que foi preservado enquanto se emagreceu, músculo, força e saúde metabólica.”

Quais nutrientes ajudam na cicatrização após a abdominoplastia?

A recuperação de uma cirurgia reparadora envolve processos internos que vão além da aparência da cicatriz. A alimentação e a disponibilidade de nutrientes são fatores importantes para a reparação dos tecidos e o funcionamento adequado do organismo.

“A cicatriz que vemos por fora é apenas uma parte da enorme obra acontecendo por dentro. E obra sem matéria-prima atrasa“, compara o médico.

Segundo Regoto, as proteínas são fundamentais para a recuperação dos tecidos. Outros nutrientes também podem ser importantes, conforme as necessidades individuais, como vitamina C, vitamina A, zinco, ferro, vitaminas do complexo B e vitamina D.

O acompanhamento nutricional também deve considerar a preservação da massa muscular, que exerce funções importantes para além da estética.

“Outro ponto é preservar massa muscular, que não é apenas estética: músculo é reserva funcional e metabólica”, destaca.

O especialista alerta que a suplementação não deve ser feita indiscriminadamente. O ideal é investigar possíveis deficiências e definir a necessidade de reposição de acordo com os exames, o histórico clínico e a avaliação médica.

“O objetivo não é tomar dezenas de suplementos. É investigar o que realmente está faltando e corrigir individualmente. O mesmo princípio vale para hormônios: reposição hormonal segura significa indicação correta, individualização e acompanhamento médico.”

Como se preparar para uma cirurgia reparadora após a bariátrica?

Antes de realizar uma abdominoplastia ou outro procedimento reparador, pacientes que passaram pela cirurgia bariátrica podem precisar de uma avaliação nutricional mais detalhada. Isso porque alterações na absorção de nutrientes e dificuldades para atingir as necessidades nutricionais podem persistir mesmo após a perda de peso.

“O paciente pode parecer recuperado por fora e ainda apresentar carências importantes por dentro“, afirma Regoto.

De acordo com o médico, a avaliação pré-operatória pode incluir hemograma, dosagem de ferro e ferritina, vitamina B12, folato, vitamina D, cálcio, proteínas e albumina. Outros exames podem ser solicitados conforme o histórico e as condições de cada pessoa.

Também é importante avaliar a alimentação, a massa muscular e a estabilidade do peso antes de definir a realização do procedimento.

Em determinadas situações, a reposição de nutrientes por via endovenosa pode ser considerada, especialmente quando há deficiência documentada, problemas de absorção ou intolerância à via oral. A escolha depende da avaliação individual e não significa que todos os pacientes submetidos à bariátrica precisem receber nutrientes dessa maneira.

“Não se trata de ‘soro milagroso’. É investigar a deficiência e escolher a melhor forma de corrigi-la“, enfatiza o especialista.

Recuperação exige acompanhamento individualizado

O caso de Aila Menezes chama a atenção para uma etapa importante após o emagrecimento expressivo: os cuidados necessários para a recuperação de uma cirurgia reparadora. Embora a evolução do abdômen possa ser observada nas primeiras semanas, o tempo de cicatrização e a recuperação completa variam de acordo com o procedimento e as condições de saúde de cada paciente.

Por isso, o acompanhamento com a equipe responsável pela cirurgia e com profissionais de saúde é fundamental para orientar a alimentação, avaliar a necessidade de suplementação e identificar possíveis complicações.

“Porque uma boa recuperação não começa no centro cirúrgico. Começa preparando o organismo para se recuperar e cicatrizar bem”, conclui Rubem Regoto.

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