O lifting facial voltou a despertar interesse após Denise Richards falar novamente sobre sua experiência com a cirurgia de rejuvenescimento e Monique Evans compartilhar detalhes de seu pós-operatório. Os relatos das famosas levantam uma dúvida comum entre pessoas que desejam suavizar os sinais do envelhecimento: como melhorar a aparência sem perder as características naturais do rosto?

Em entrevista à CARAS Brasil, o Dr. Marcelo Moreira explica que o resultado depende de um planejamento individualizado, que considera a anatomia, a distribuição dos tecidos e as necessidades de cada paciente. Segundo ele, o objetivo não é transformar a fisionomia, mas proporcionar uma aparência mais descansada.

“Um resultado natural é aquele em que a pessoa apresenta uma aparência mais descansada e rejuvenescida, mas continua se reconhecendo no espelho. Para isso, precisamos respeitar suas proporções, características e expressões”, afirma o profissional.

O médico destaca que o envelhecimento envolve diferentes camadas da face, e não apenas a pele. Com o passar dos anos, os tecidos perdem sustentação e mudam de posição, o que pode alterar o contorno facial.

Como o lifting facial promove o rejuvenescimento?

Entre as estruturas que podem ser tratadas está o SMAS, sigla para sistema músculo-aponeurótico superficial. Localizada abaixo da gordura mais superficial, essa camada participa da sustentação dos tecidos e está relacionada aos músculos da expressão facial.

“Uma das estruturas trabalhadas é o SMAS, sigla para sistema músculo-aponeurótico superficial. Ele é uma camada de tecido localizada abaixo da gordura mais superficial, integrada aos músculos da expressão e conectada à pele. Para facilitar, podemos imaginá-lo como uma rede que participa da sustentação dos tecidos do rosto”, comenta o médico.

De acordo com o Dr. Marcelo Moreira, o tratamento dessa estrutura permite reposicionar os tecidos, reduzindo a dependência de uma tração superficial da pele. A técnica escolhida, no entanto, varia conforme as características do paciente e a extensão das alterações.

O lifting facial mais abrangente pode tratar a flacidez de diferentes regiões do rosto e, quando necessário, do pescoço. Já o mini lifting costuma ser direcionado a alterações mais localizadas, especialmente na parte inferior da face e no contorno da mandíbula.

Apesar do nome, o mini lifting não significa necessariamente uma cirurgia simples ou limitada ao excesso de pele. Existem abordagens que também trabalham as estruturas profundas, incluindo o SMAS. Uma das técnicas possíveis é o deep plane, que envolve a liberação de ligamentos de retenção para permitir maior mobilidade dos tecidos.

“É importante esclarecer que tratar o SMAS não é uma novidade recente: isso já é feito há décadas. A diferença está entre abordagens limitadas à pele e aquelas que tratam também os planos profundos, além da evolução na maneira de realizar esse reposicionamento. Nem todo mini lifting é deep plane”, diz Marcelo.

LEIA TAMBÉM: Médico revela o que esperar da recuperação de Aila Menezes, que fez abdominoplastia após perder 90 kg

Qual é a diferença do lifting endoscópico?

Outra possibilidade é o lifting com auxílio do endoscópio, equipamento que possui câmera e iluminação e permite visualizar estruturas internas por pequenas incisões. A técnica é utilizada principalmente no terço superior da face, que inclui a testa e as sobrancelhas, e pode ser aplicada ao terço médio em abordagens específicas.

“Entre as vantagens estão a visualização ampliada da anatomia e a possibilidade de tratar regiões selecionadas por acessos menores. A indicação depende da posição das sobrancelhas, da queda dos tecidos e da quantidade de pele excedente”, afirma.

O médico ressalta que o endoscópio não substitui todas as técnicas de lifting. Quando há excesso importante de pele na região da mandíbula ou do pescoço, por exemplo, pode ser necessário recorrer a outras abordagens. Em alguns pacientes, diferentes técnicas podem ser combinadas para tratar necessidades específicas de cada região.

Mini lifting tem recuperação mais rápida?

A extensão da cirurgia pode influenciar o tempo de recuperação e o tamanho das cicatrizes. Entretanto, esses resultados não são determinados apenas pelo nome do procedimento.

“Em pacientes bem selecionados, uma cirurgia de extensão mais limitada pode permitir cicatrizes menores e recuperação inicial mais breve. Mas isso não pode ser prometido apenas porque o procedimento recebe o nome de mini lifting”, declara.

Segundo o Dr. Marcelo Moreira, a recuperação também depende das técnicas utilizadas, das condições de saúde e da resposta individual. Por isso, a escolha deve considerar o grau de flacidez e o tratamento necessário, em vez de priorizar exclusivamente incisões menores.

A idade, da mesma forma, não é o único critério para a indicação da cirurgia. Pessoas da mesma faixa etária podem apresentar necessidades diferentes, dependendo da qualidade da pele, da posição dos tecidos e das características do envelhecimento.

“Não existe uma idade única para indicar um lifting. O grau de flacidez, a posição dos tecidos, a qualidade da pele, as condições de saúde e as expectativas do paciente são mais importantes do que o número de anos”, comenta o especialista.

CONFIRA: Qual o segredo da aparência de Léo Pereira? Médico revela: ‘O objetivo não é transformar o rosto’

Quais são os riscos e como funciona a recuperação?

Como qualquer cirurgia, o lifting facial apresenta riscos. Entre as possíveis complicações estão hematomas, infecção, alterações na cicatrização, assimetrias, mudanças de sensibilidade e problemas na circulação da pele. Também podem ocorrer lesões de nervos responsáveis pelos movimentos faciais, além de complicações relacionadas à anestesia e eventos tromboembólicos.

“A segurança começa com um cirurgião plástico com registro de especialidade, avaliação clínica e anestésica e uma estrutura adequada para o procedimento. Controlar a pressão arterial, interromper o tabagismo conforme orientação e informar todos os medicamentos, hormônios e suplementos utilizados também são cuidados importantes”, explica.

O período de recuperação varia conforme a extensão da cirurgia e a associação com outros procedimentos. Em muitos casos, o retorno às atividades leves ocorre em aproximadamente duas a três semanas, enquanto exercícios físicos e esforços dependem de liberação médica individualizada.

Nos primeiros dias, o inchaço e as manchas roxas podem deixar o rosto com uma aparência diferente da esperada. O resultado não é imediato: a evolução acontece ao longo das semanas e dos meses seguintes, e uma avaliação mais estável costuma ser possível entre três e seis meses. As cicatrizes continuam amadurecendo por mais tempo.

É possível reproduzir o resultado de uma celebridade?

As experiências de Denise Richards e Monique Evans podem servir de referência para quem busca informações sobre rejuvenescimento facial. No entanto, o resultado de uma cirurgia depende das características individuais, e as fotografias não permitem determinar, por si só, quais técnicas foram utilizadas.

“A referência de uma celebridade pode ajudar a identificar o que o paciente deseja: uma mandíbula mais definida, uma aparência descansada ou a preservação das expressões. A partir daí, precisamos traduzir essa expectativa para as características daquele rosto”, destaca.

O Dr. Marcelo Moreira reforça que a consulta deve esclarecer as possibilidades e os limites do procedimento, além dos cuidados necessários durante a recuperação. A escolha da técnica precisa partir de uma avaliação individual, considerando tanto as expectativas quanto as condições clínicas de cada paciente.

O objetivo, portanto, é buscar um rejuvenescimento compatível com a anatomia e a expressão de cada pessoa, sem tratar uma cirurgia realizada por uma celebridade como modelo obrigatório para todos.

+Siga os canais da CARAS Brasil no Instagram e no Whatsapp para receber as principais notícias dos famosos em tempo real: Clique aqui para seguir no Instagram e Confira aqui o canal no Whatsapp.