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Ronaldo Nazário faz gol de esperança e constrói legado que transforma vidas

À frente da Fundação Fenômenos, o eterno ídolo dos gramados e sua Celina Locks focam no impacto social e falam de família e Copa do Mundo

Celina Locks e Ronaldo Nazário
Celina Locks e Ronaldo Nazário - Foto: Manu Scarpa/BrazilNews
Após colecionar feitos dentro dos gramados e se tornar um dos maiores ídolos da história do futebol, Ronaldo Nazário (49), o Fenômeno, segue fazendo gols, agora, fora de campo! Gols que não mudam o placar, mas que transformam vidas. À frente da Fundação Fenômenos, o ex-jogador se orgulha ao falar sobre os 15 anos do projeto. “A Fundação nasce de um sentimento muito genuíno de devolver para o Brasil um pouco de tudo que eu recebi. O futebol me deu oportunidades que mudaram completamente a minha história, e eu sempre soube que não podia guardar isso só para mim. Mais do que números, é sobre esperança, sobre abrir portas para quem, muitas vezes, nunca teve uma chance!”, diz o eterno craque, em conversa com CARAS.
Para dar conta de tamanha responsabilidade, Ronaldo conta com a ajuda e o apoio da amada, Celina Locks (36), que vestiu a camisa da Fundação e deu novos contornos para o projeto. “Encaro como uma missão de vida. Estar em contato com tantas realidades faz a gente mudar nossa visão, rever prioridades e ampliar o olhar. Eu sempre tive envolvimento com causas sociais desde muito jovem, mas a Fundação me trouxe uma vivência ainda mais prática e profunda sobre desigualdade, potência humana e urgência de ação”, fala a top, presidente do Conselho Curador da entidade. “Celina foi responsável pelo salto de maturidade que a Fundação deu nos últimos anos. Além disso, existe uma sensibilidade muito grande no olhar dela para as pessoas. Ela não faz nada pela metade e tem uma capacidade impressionante de transformar intenção em estrutura”, elogia Ronaldo, no Festival Fenômenos, evento que transforma vidas por meio do tênis, em SP. O casal, é claro, fez questão de entrar em quadra com as crianças, se arriscar com a raquete e, o mais importante, inspirar os pequenos!
– Como se sente sendo uma referência para tantas crianças?
Ronaldo – É uma responsabilidade enorme e, ao mesmo tempo, emocionante. Quando olho para essas crianças, me vejo um pouco nelas. Vejo sonhos,  vontade, talento, mas também vejo barreiras. Saber que a minha trajetória pode inspirar alguém a acreditar que é possível já faz tudo valer a pena. E o mais bonito é entender que a inspiração não precisa ser só dentro do futebol, ela pode ser na perseverança, na disciplina, na resiliência de continuar.
– E você, Celina, sai transformada a cada evento da Fundação?
Celina – Sempre. Saio diferente de como entrei. Esses encontros nos lembram do que é essencial, nos tiram da superficialidade e nos recolocam em contato com o que realmente importa: presença, escuta, afeto, oportunidade. É impossível não voltar para casa refletindo e com as carinhas daquelas crianças na mente!
– Isso, de certa forma, aumenta as responsabilidades?
Ronaldo – Quando você entende o alcance da sua história, percebe que cada atitude comunica algo. Procuro usar a visibilidade de forma construtiva, por meio da Fundação. A responsabilidade é grande, mas encaro de maneira natural, porque é sincero.
– Como pessoas públicas, vocês fazem a diferença…
Ronaldo – Ser uma pessoa pública não deveria ser só sobre exposição, mas sobre influência positiva. A gente tem a chance de mobilizar, de trazer visibilidade para projetos sérios, de sensibilizar pessoas e empresas a se envolverem. Se minha imagem consegue abrir portas para que mais oportunidades cheguem a quem precisa, então está cumprindo um papel muito maior.
Celina – Visibilidade sem propósito fica vazia. Se tenho acesso a espaços de fala, a marcas, a pessoas e a empresas, sinto que preciso usar isso para gerar conexões que tenham relevância social. Eu gosto de pensar  dessa forma.
– Seus filhos estão sempre presentes! A família se envolve…
Ronaldo – Mais do que qualquer patrimônio, quero deixar valores. Quero que eles cresçam entendendo a importância de olhar para o outro, de reconhecer privilégios e de assumir responsabilidade com a sociedade. Eles sempre participam, convivem, enxergam de perto todas essas realidades, isso vai formando consciência. Esse talvez seja o legado mais bonito que eu posso construir como um pai.
– E toda essa união também ajuda a renovar laços…
Celina – Muito. Porque nos conecta em torno de valores comuns. Quando a família compartilha experiências que vão além da rotina e do conforto, existe um amadurecimento coletivo. A gente se aproxima por um lugar de consciência e propósito.
– Por falar em família, ser mãe é algo que passa por sua cabeça?
Celina – Sim, passa pela minha cabeça, porque família é algo importante para mim. Mas acredito que tudo tem seu tempo e gosto de respeitar os processos da vida com tranquilidade.
– Na rotina da Fundação, você acaba lidando com muitas crianças e elas te adoram! Acaba exercendo o lado materno com elas?
Celina – Eu acho que sim e de forma muito espontânea. Criança desperta na gente cuidado, proteção, ternura. Eu me envolvo, converso, abraço, observo. Existe um afeto muito natural nesse contato e eu me sinto profundamente tocada por essa troca.
– Celina, aliás, abraçou a Fundação como um filho…
Ronaldo – Ela vê a Fundação como empresa, insiste na ideia de investimento social: não basta ajudar, é preciso acompanhar, monitorar, entender o impacto real daquele projeto na vida de quem recebe e no território em volta. A Fundação ganhou muito com a chegada dela, e eu ganhei uma parceira extraordinária nessa missão.
– No dia a dia da Fundação, como você faz para equilibrar vida pessoal e profissional?
Celina – Não é simples, mas eu busco muita organização e, principalmente, presença inteira onde eu estou. Quando estou trabalhando, estou focada nisso. Quando estou com a família, tento estar verdadeiramente ali. Equilíbrio perfeito não existe, mas existe intenção e prioridade, tenho foco.
– Essa foi a primeira edição do Festival Fenômenos! Superou as expectativas de vocês?
Celina – Superou muito. Porque quando você vê as pessoas realmente engajadas, famílias presentes, parceiros comprometidos e principalmente as crianças vivendo aquilo com alegria, você entende que o evento ultrapassou sua missão. Virou encontro, pertencimento, mobilização.
– Ronaldo, você passou o dia com a câmera na mão, registrando tudo o que acontecia…
Ronaldo – Gosto de registrar porque são momentos verdadeiros. Quando revejo essas imagens, vejo sorrisos sinceros, abraços, troca, afeto. E isso me toca profundamente. São fotos que contam histórias sem precisar de legenda. Saio desses eventos abastecido de humanidade e lembrando do porquê de tudo isso existir.
– O esporte é um dos grandes pilares da Fundação. Ronaldo, a gente sabe, sempre foi ligado a esse universo. E você?
Celina – O esporte para mim sempre esteve ligado à disciplina, saúde mental e superação. Talvez eu não tenha a relação profissional que o Ronaldo teve, obviamente, mas eu reconheço completamente o poder transformador que ele tem, principalmente para crianças e adolescentes. O esporte ensina sem precisar falar.
– Por falar nisso, estamos próximos da Copa! Hoje, longe dos gramados, como é o Ronaldo torcedor? Teremos o hexa?
Ronaldo – Estou animado, mas menos ansioso do que o jogador era. Eu acompanho todos os jogos, analiso tudo, quero opinar em cada lance. Copa do Mundo mexe com a emoção de qualquer brasileiro e comigo não é diferente. Futebol é imprevisível, mas a Seleção sempre entra como candidata e torcer faz parte da nossa identidade de brasileiro.
Celina – Eu adoro acompanhar e viro uma torcedora bem intensa. Sofro, comemoro, fico nervosa, dou palpites… (risos). Copa do Mundo tem uma energia diferente, contagia o País inteiro e dentro de casa isso naturalmente ganha uma proporção ainda maior.
– Qual a maior lição que aprendeu com o futebol e o esporte como um todo?
Ronaldo – Resiliência. O futebol me ensinou que talento sozinho não sustenta uma trajetória. Você precisa cair, levantar, se reinventar, aprender com a derrota e continuar. Essa capacidade de adaptação e disciplina eu levo para absolutamente tudo na minha vida.
– Diante dessa história tão bonita, do que mais se orgulha do Ronaldo?
Celina – Do coração dele. As pessoas enxergam o ídolo, o empresário, o fenômeno, mas eu vejo diariamente um homem extremamente generoso, simples e preocupado em fazer diferença real. O que mais me orgulha é essa capacidade dele de continuar se emocionando e se envolvendo de verdade.
– E qual a maior lição que aprendeu com ele ao longo desses anos?
Celina – A resiliência. O Ronaldo tem uma força admirável para recomeçar, para não se acomodar e para seguir construindo novos capítulos com a mesma entrega. Isso me inspira muito.
– Diante de tantas conquistas profissionais, pessoais e sociais, ainda há grandes sonhos a serem realizados?
Ronaldo – Tenho muitos. A gente não pode parar de sonhar! Mas hoje meu maior sonho está muito ligado a impacto: quero ver a Fundação crescendo cada vez mais, alcançando mais jovens, formando mais lideranças e criando oportunidades reais por meio da rede que mobilizamos. Se eu puder ajudar a transformar o futuro de muita gente, vou sentir que nosso papel foi cumprido.
Celina – Meu sonho é conseguir conciliar tudo aquilo que amo de uma maneira cada vez mais consciente: família, trabalho, impacto e presença. E, claro, ver a Fundação crescendo, alcançando mais vidas e deixando o legado do Ronaldo para que ultrapasse a nossa geração.

Tamara Gaspar é subeditora da revista CARAS e CONTIGO! Novelas. Formada em Jornalismo e Letras, possui extensão em Teoria da Comunicação e é especialista em monarquia. Escreve sobre celebridades, realeza, TV e novelas.