Ricardo Waddington, diretor de Avenida Brasil, dirige ex-mulher e filho em montagem inédita no Brasil
Em retorno a nova fase no teatro, Ricardo Waddington conduz espetáculo que aborda dor, escuta e pertencimento entre jovens

Após mais de quatro décadas dedicadas à teledramaturgia brasileira, Ricardo Waddington (65), diretor do sucesso Avenida Brasil – em reprise atualmente na Globo – volta às origens e assina a direção de #malditos16, espetáculo que estreia nesta quinta, dia 16 de abril, às 20h, no Teatro FAAP, em São Paulo. A montagem, que conta com sua ex-mulher, Helena Ranaldi (59), e seu filho, Pedro Waddington (28), no elenco, marca a primeira versão brasileira do texto do dramaturgo espanhol Nando López (48) e propõe uma reflexão sensível e urgente sobre a saúde mental na adolescência.
Com a frase “O silêncio pode ser tão perigoso quanto a dor que ele tenta esconder” como ponto de partida, a peça mergulha em histórias inspiradas em relatos reais de jovens em sofrimento emocional. O texto nasceu a partir de oficinas conduzidas por López em instituições psiquiátricas, o que confere à obra um caráter ainda mais íntimo e potente.
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Uma história sobre dor, identidade e pertencimento
A trama acompanha quatro jovens que se conheceram ainda adolescentes, entre 15 e 16 anos, durante internações após tentativas de suicídio. Anos depois, já na fase adulta, eles se reencontram ao serem convidados pela psiquiatra Violeta, vivida por Helena Ranaldi, para integrar um projeto de apoio a outros jovens que enfrentam situações semelhantes.
Esse reencontro desencadeia memórias, conflitos e questionamentos sobre família, relações afetivas e o sentimento de pertencimento — temas centrais da montagem.

Elenco e equipe
Além de Helena Ranaldi, o elenco reúne nomes como Pedro Waddington, Sara Vidal (25), Benjamín (27), Julia Maez (24) e Matheus Sousa (36). A equipe criativa conta ainda com cenografia de André Cortez, figurino de Anne Cerruti, iluminação de Cesar Pivetti (49) e trilha sonora de Rafael Thomazini.
Um tema tratado com responsabilidade
Para Ricardo Waddington, o maior desafio do espetáculo foi abordar um tema historicamente silenciado de forma responsável e consciente. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o suicídio está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos, o que reforça a importância de ampliar o debate.
“O desafio não é silenciar o tema, mas encontrar uma forma responsável de falar sobre ele. Precisamos de empatia, escuta e consciência de quem está do outro lado”, afirma o diretor.
Waddington também destaca que a proposta da peça não é romantizar a dor, mas sim lançar luz sobre ela com humanidade: “Para nós, o suicídio aparece como aquilo que realmente é: o ápice de um sofrimento profundo. A peça não é sobre suicídio, é sobre identidade e pertencimento”.

Encontro dentro e fora do palco
A montagem também carrega um significado especial nos bastidores. O diretor divide o projeto com nomes próximos, como Helena Ranaldi, sua ex-mulher, e seu filho, Pedro Waddington.
“Trabalhar com a Helena e com o Pedro é um luxo. Tem sido uma troca cheia de afeto e uma experiência que guardarei para a vida”, revela.
Com #malditos16, Ricardo Waddington reafirma o papel da arte como espaço de escuta e reflexão, propondo um olhar mais atento para questões muitas vezes invisibilizadas — e cada vez mais urgentes na sociedade contemporânea.