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Longevidade motiva energia de Cassio Scapin: ‘Minha vontade de seguir evoluindo é a mesma’

Com mais de 40 anos de carreira, Cassio Scapin faz do tempo seu grande aliado e comenta sobre nova fase em entrevista à Revista CARAS

O ator Cassio Scapin | Foto: Matheus Martini
O ator Cassio Scapin | Foto: Matheus Martini

Aos 61 anos, Cassio Scapin vive sua fase mais potente. Longe de se agarrar ao passado, o ator transforma a arte em filosofia de vida e a própria energia em uma disciplina que o mantém no auge. Com quase quatro décadas de carreira, ele celebra sua longevidade com a mesma curiosidade e disposição do início da trajetória, como se o tempo não tivesse passado.

A minha vontade de seguir evoluindo é a mesma, minha energia é a mesma e meu posicionamento é o mesmo. Parece que não tem muita diferença de quando eu saí da Escola de Arte Dramática para quem sou hoje“, confessa ele, que se reconhece na leveza de quem permitiu que as coisas acontecessem.

Eternizado na memória de muitos como o inconfundível Nino do Castelo Rá-Tim-Bum —programa infantil lançado pela TV
Cultura nos anos 1990— , Cassio conta que nunca esteve muito preocupado em construir um legado. Na verdade, ele buscou manter-se em movimento. “Nunca fiquei agarrado em um só lugar. Quando a gente caminha junto com as transformações, tudo flui. Só depois a gente percebe o quanto o mundo mudou“, avalia.

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Assim como a mente, o corpo está longe de ser um fardo por conta da idade, e se mantém como seu instrumento mais afiado. Hoje, inclusive, a rotina de Cassio é como a de um atleta: ele faz quatro aulas semanais de balé clássico avançado, musculação e mantém uma alimentação regrada. Para o ator, a disciplina não é uma punição, mas um privilégio.

Eu costumo dizer que o ator é como uma antena da sociedade. Nós precisamos estar prontos para tudo. Além disso, a minha profissão me permite que eu envelheça bem, me abre o pensamento e essa possibilidade de estar vivo e com o olhar mais atento“, avalia ele.

Motivado pela maturidade, Cassio mergulhou em uma reflexão ainda mais profunda, que resultou no projeto Reflexões no Meu Divã, lançado em suas redes sociais. O ator, antes discreto, decidiu abrir um diálogo franco sobre temas que a sociedade prefere silenciar: o envelhecimento, a sexualidade e a finitude da vida.

Percebi que muitas pessoas se identificam com o que vivo. Falar sobre envelhecimento, liberdade e sexualidade é importante. São assuntos que a sociedade ainda tem dificuldade de aceitar, mas que fazem parte da vida de todos“, pontua ele, que encara o envelhecimento de forma consciente e o vê como uma grande oportunidade de aprendizado. “Eu acredito que envelhecer é conversar com a finitude. É perceber que o tempo é finito, mas entender que o nosso olhar pode continuar sempre curioso“, entrega.

Com a mesma leveza que encara a rotina, Cassio permeia suas relações. Solteiro, ele vive na companhia dos cachorros Argos e Odes, sem a pressão de buscar um novo modelo de vida a dois. “Se acontecer, beleza. Se não acontecer, beleza também“, afirma ele, que não tem problemas em falar abertamente sobre sua sexualidade. “Envelhecer na comunidade LGBTQIAPN+ ainda é tabu. Não nos ensinaram a imaginar o depois, mas ele existe. E pode ser pleno“, garante.

E embora o afeto do público sempre o encontre na figura de Nino, o que o inspira é o presente. “Não dá para ficar bravo quando alguém lembra de um personagem antigo. É afeto. Isso é lindo e faz parte da minha carreira“, diz ele, que segue inspirando gerações. “Hoje quero inspirar. Falar de persistência, da beleza que vem do tempo, de como a arte salva e de como a vida continua plena, curiosa e rica depois dos 60. Quero ser voz para quem tem medo do futuro. Porque eu também tive. E continuo aprendendo todos os dias“, garante o artista.

Com novos projetos em mente, Cassio mantém o entusiasmo. “Às vezes, o teatro é meu descanso. Entro em cena e tudo se encaixa. É quando paro de brigar comigo e consigo viver o momento“, entrega ele, que vai estrear o pocket show Noel
Rosa – O Malandro Erudito, em dezembro, no Teatro da Pinacoteca, em São Paulo. “Noel foi um poeta antes de ser um músico. Toda a obra dele é estruturada nas letras das canções e nelas está um olhar sobre o Brasil que continua muito atual“, afirma o ator, animado. “A arte tem o poder de permitir um trânsito social“, completa ele.

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