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Marina Ruy Barbosa encara papel desafiador e fala sobre discrição no amor: ‘Movimento’

Capa da CARAS, a atriz Marina Ruy Barbosa abre o coração sobre amadurecimento, vida amorosa e novos desafios na atuação

Marina Ruy Barbosa
Marina Ruy Barbosa estrela papel marcante na série Tremembé (Foto: Manuela Scarpa)

No ano em que celebra a chegada dos 30 anos de idade, Marina Ruy Barbosa encara um grande desafio profissional: viver Suzane von Richthofen (41) — responsável por planejar o assassinato dos pais em 2002 — na série Tremembé, da Prime Video. O papel coroa uma fase de descobertas para a estrela, que pela primeira vez embarca em uma produção fora da Globo. “Quero continuar me desafiando, me mantendo fiel ao que me move: evoluir como artista e mulher”, avisa Marina, que mantém um noivado sólido e discreto com o empresário Abdul Fares (40). Em meio à maratona de premières da série pelo Brasil, ela falou com CARAS.

– O que a desafiou a aceitar viver essa personagem?

– A oportunidade de atuar em um gênero diferente e explorar uma personagem complexa, cheia de camadas, que me interessaria mesmo que não fosse baseada em uma pessoa real. O perfil também estava fora daquilo que as pessoas me enxergam e estou aberta a despertar esse interesse no público. Busco personagens que exijam uma entrega profunda e disponibilidade para me remodelar.

– Sente que as pessoas têm alguma ideia equivocada de você?

– Existe uma tendência de simplificar a imagem pública do artista. O que corrige isso é o tempo e o trabalho. Hoje, deixo meus projetos falarem por mim. As escolhas que faço já são, por si só, uma resposta às ideias pré-concebidas.

– Como foi mergulhar em um universo tão diferente?

– Foi um processo intenso. A imersão nesse universo exigiu dedicação, estudo e muita entrega. Essa série é envolta em um ambiente completamente diferente de outras personagens da minha trajetória. Uma penitenciária tem suas próprias dinâmicas e seus códigos. Durante as filmagens, o foco era seguir o roteiro e as diretrizes de direção, deixando de lado qualquer pudor ou opinião pessoal para garantir que o resultado fosse fiel à proposta narrativa.

– Qual o desafio de dar vida a uma personagem da vida real? Como não se deixar afetar pelo peso de suas ações e sua história?

– O desafio é manter o distanciamento necessário e não me deixar contaminar pelas minhas próprias crenças ou pelo imaginário coletivo. O trabalho é técnico e está baseado em pesquisa e roteiro, não no meu olhar. O foco é a execução: compreender o texto, a estrutura da história e a visão da direção. O objetivo é entregar uma interpretação coerente com o projeto, sem que aspectos externos interferissem no processo.

– Essa personagem marca uma nova era na sua carreira?

– Creio que sim. Representa mais um ponto de virada na minha trajetória e me coloca em um território artisticamente novo. Depois de 22 anos de carreira, é natural buscar papéis que desafiem e tirem a gente do lugar onde os olhos do público encontram conforto. Tremembé me permitiu explorar outro registro. É um movimento de expansão. Queria mostrar que estou pronta para novos tipos de narrativa e para um olhar diferente sobre o meu trabalho.

– Explorar o true crime na ficção brasileira ainda é tabu. O que espera da reação do público?

– Que o público mergulhe no recorte que a série propõe. Tremembé não discute ou questiona os crimes. O ponto de partida são as dinâmicas do ambiente da penitenciária e as relações interpessoais. O true crime desperta interesse porque aborda temas que fazem parte da realidade social. Produções bem estruturadas ajudam a consolidar o gênero, além de abrir possibilidades narrativas.

– Hoje, vemos o sucesso de produções, especialmente no streaming, fora da Globo. Como é fazer parte desse movimento?

– É um momento interessante para o audiovisual. O streaming ampliou o mercado e permitiu novas abordagens criativas. Ter liberdade para escolher projetos em diferentes formatos e equipes é algo que valoriza o trabalho de todos e amplia o alcance das produções.

– Qual foi o impacto da chegada dos 30 anos para você?

– Foi como ajustar o foco. Tudo ficou mais nítido… O que quero, o que não quero, onde quero estar e aonde quero chegar. É uma fase de escolhas mais conscientes sobre coerência e de criar ainda mais profundidade para a vida como um todo. ‘Trintar’ não é uma mudança drástica, mas um amadurecimento natural. Hoje, priorizo o que tem sentido, o que me movimenta de verdade. É uma etapa de protagonismo para escolhas intencionais.

– Você mantém um noivado discreto com Abdul. Quais os desafios para conseguir isso?

– O maior desafio é fazer com que o privado continue privado. A exposição faz parte da minha profissão, mas não precisa se estender a todas as áreas da vida. Levei um tempo para entender isso e encontrar um equilíbrio. Hoje, essa escolha é natural para mim. Essa divisão me traz estabilidade e ajuda a preservar a minha saúde mental.

– Como você limita o que mantém público e privado?

– Nem tudo precisa ser mostrado para existir. Divido o que agrega, dialoga com o que acredito ou com o meu trabalho. O resto, preservo. A exposição em excesso pode trazer um desgaste e, com o tempo, você entende o valor de manter algumas coisas só para si.

– A fama e a exposição já geraram algum incômodo ou até mesmo dificuldade para que as pessoas se aproximassem de você?

– A visibilidade e a imagem pública criam preconcepções. As pessoas, às vezes, chegam com uma ideia formada, antes de te conhecer. No começo, isso me incomodava; hoje não mais. O tempo e a convivência se encarregam de ajustar essa distância. Sigo sendo quem sou e deixo que as relações se construam de forma orgânica, sem tentar controlar a percepção dos outros.

– Como encara as pressões que ainda afetam tantas mulheres em relação à estética, casamento, maternidade?

– Essas pressões existem para todas nós, infelizmente. Já foi mais difícil, mas procuro não deixar isso ditar o ritmo da minha vida. Tenho consciência das minhas escolhas, do meu tempo e do que faz sentido para mim. Já me cobrei mais, mas hoje entendo: não existe um modelo a seguir. Cada mulher tem o próprio compasso, as próprias escolhas e isso precisa ser respeitado.

– O que 2025 significou para sua trajetória e o que planeja daqui para frente?

– Foi um ano de consolidação. Um ano em que muitas decisões que venho tomando têm gerado lindos frutos: na forma como escolho meus projetos, nos papéis que aceito, nas parcerias que construo. Foi um período de confirmação e de amadurecimento. Quero continuar me desafiando, experimentando novas linguagens e, acima de tudo, me mantendo fiel ao que me move: o desejo de evoluir enquanto artista e mulher.