Cobrança pública sobre mães e pais: Por que Virgínia Fonseca é alvo de expectativas que não recaem sobre Zé Felipe?
A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo analisa a diferença de cobrança e comenta como Virgínia Fonseca enfrenta expectativas desiguais nas redes sociais

Desde que Virgínia Fonseca e Zé Felipe anunciaram a separação em maio deste ano, a empresária e influenciadora tem sido alvo de uma enxurrada de comentários nas redes sociais. Enquanto ela viaja para Madri, entre rumores de que estaria se aproximando de Vinícius Júnior, e é vista em eventos e compromissos profissionais, o cantor também vem sendo citado em boatos envolvendo a cantora Ana Castela. A diferença está no peso das reações: as atitudes de Virgínia geram julgamentos intensos sobre sua postura como mãe, enquanto as de Zé Felipe despertam apenas curiosidade.
Raízes culturais de uma cobrança desigual
Para a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, essa disparidade tem raízes históricas e culturais profundas. “A cobrança em cima da mãe sempre é maior do que a cobrança do pai, e isso por motivos culturais. A gente vive em um patriarcado… Até o século XVII, as mulheres podiam cometer infanticídio ou abandonar bebês em conventos… Mas a partir do século XVII começa a imposição de uma maternidade compulsória… A mulher tem que se dedicar à família e aos filhos e, se quiser trabalhar, tem que dar conta da família, dos filhos e das atividades do lar. É uma imposição histórica milenar”, explica.
A especialista lembra que, ao longo dos séculos, a figura da mulher foi associada ao papel de cuidadora, enquanto o homem manteve a posição de provedor. Essa divisão, reforçada pela religião e pela cultura, consolidou a ideia de que a mãe é a principal responsável pelos filhos. “A palavra família vem de famulus, que significa escravos de um mesmo homem. O homem tinha várias mulheres que eram dele e ele engravidava essas mulheres para que os filhos fossem dele também. Assim, tinha um acúmulo maior de riqueza”, detalha Rafaela, ao traçar o início dessa lógica de poder que ainda reverbera na sociedade moderna.
Quando o machismo vem de outras mulheres
No caso de Virgínia, a psicóloga observa que as próprias mulheres também reproduzem o machismo estrutural quando criticam o comportamento de outras mães. “O caso da Virgínia mostra bem essa imposição social. As próprias mulheres, que passam pela exaustão materna e toda essa situação, acabam reproduzindo esse machismo também, fazendo críticas”, afirma. Segundo Rafaela, o julgamento sobre a maternidade feminina é um reflexo de expectativas internalizadas e difíceis de romper. “A crença é que as mulheres devem ser as principais responsáveis pelos filhos, e não os homens. É uma reprodução social de expectativas, e fica difícil pensar fora dessa caixa”, completa.
Culpa materna e o peso da perfeição
Essa cobrança constante pode ter efeitos psicológicos significativos. Ao exigir que a mulher cumpra papéis sobre-humanos, ser mãe exemplar, profissional dedicada e parceira presente, a sociedade reforça um padrão inatingível que alimenta o sentimento de culpa materna. Para Rafaela, “a repetição dessas ideias cria uma rigidez. O mesmo acontece com a maternidade: tudo que foge da regra causa estranheza, e aí vêm as críticas”.
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