O que está por trás da vitalidade de Laura Cardoso aos 98 anos? Especialista explica

Aos 98 anos, Laura Cardoso mostra vitalidade e inspira debate sobre longevidade, saúde mental e qualidade de vida na terceira idade

Laura Cardoso - Foto: Instagram

Aos 98 anos, Laura Cardoso começou 2026 cercada pelo carinho da família e mostrou que continua sendo um dos maiores símbolos de vitalidade da televisão brasileira. A atriz compartilhou momentos especiais ao lado dos familiares e encantou admiradores ao aparecer sorridente, esbanjando disposição e afeto.

Com uma trajetória histórica na dramaturgia nacional, Laura Cardoso segue inspirando diferentes gerações não apenas pela carreira consolidada, mas também pela forma como atravessa o envelhecimento com autonomia, presença e conexão com as pessoas que ama.

O cenário exibido pela veterana chamou a atenção para um tema cada vez mais debatido: qual é o impacto da convivência familiar e do apoio emocional na longevidade? Para responder à questão, a CARAS Brasil conversou com a médica Roberta França, especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental.

Apoio familiar pode ser decisivo para a longevidade

Segundo a especialista, pessoas que envelhecem de forma saudável costumam estar inseridas em redes de apoio sólidas, compostas tanto pela família quanto pelos vínculos afetivos construídos ao longo da vida.

“Todos esses artistas que seguem ativos, atuando nas redes sociais e não apenas nas novelas, demonstram de forma muito nítida que fazem parte de uma ampla rede de apoio. Eles contam com convivência familiar, apoio emocional e uma fortaleza afetiva que os envolve. São pessoas que mantêm laços fortes, que têm alguém presente no dia a dia, aplaudindo, fortalecendo, apoiando e validando aquilo que fazem, mostrando que suas ações têm valor e valem a pena.”

A médica explica que o sentimento de pertencimento exerce papel fundamental para a saúde emocional dos idosos: “Para o idoso, é extremamente importante sentir-se pertencente. Essa sensação de pertencimento gera propósito. Toda pessoa que possui um núcleo familiar forte, e quando falamos de núcleo familiar não nos referimos apenas à família de sangue, mas também às famílias de afeto, formadas por pessoas que escolhemos ao longo da vida, tende a ter uma base emocional mais sólida.”

Ela acrescenta que uma rede de apoio fortalecida pode refletir diretamente na qualidade de vida: “Quando existe uma rede de apoio ampla e fortalecida, que proporciona essa sensação de pertencimento, essas pessoas tendem a apresentar mais qualidade de vida, melhor saúde física e também maior equilíbrio emocional.”

A atriz Laura Cardoso
A atriz Laura Cardoso – Foto: Reprodução/Instagram @atrizlauracardoso

O segredo do envelhecimento ativo

Para Roberta França, um dos principais diferenciais das pessoas que alcançam a longevidade com qualidade está na capacidade de permanecerem ativas e conectadas com novos projetos.

“Para que o idoso mantenha a vitalidade, é fundamental que ele conte com uma rede de apoio, como já mencionado. Essa rede contribui para que ele tenha propósito para continuar vivendo, aprendendo, crescendo, expandindo horizontes, conhecendo novas pessoas, explorando novas possibilidades e criando coisas novas.”

A especialista destaca que o envelhecimento saudável passa por não abandonar sonhos e objetivos: “Acredito que todo idoso que não estaciona, ou seja, que não se aposenta da vida, é aquele que se mantém ativo. Quando deixamos de usar a idade como desculpa para não fazer mais nada, continuamos engajados e em movimento. E o movimento é vida.”

Segundo ela, os exemplos de idosos ativos que conquistam espaço nas redes sociais mostram que é possível viver novas experiências em qualquer fase.

“Os idosos longevos que vemos nas redes sociais, com 80, 90, 100 ou até 105 anos, esbanjando vitalidade, são pessoas que escolheram manter-se ativas. Elas não permitiram que a idade cronológica fosse uma justificativa para se aposentar da vida. Pelo contrário, transformaram sua idade e toda a experiência acumulada em propósito para continuar aprendendo, fazendo, construindo e sonhando.”

Saúde mental, autoestima e autonomia na terceira idade

Outro ponto destacado pela médica é que envelhecer bem não significa necessariamente estar livre de doenças: “O envelhecimento ativo refere-se ao idoso que, independentemente da idade cronológica ou da presença de patologias, mantém sua autonomia e uma vida ativa. Esse é um ponto muito importante a ser destacado. Envelhecer bem não significa ausência de doenças.”

Ela explica que muitos idosos longevos convivem com condições crônicas, mas conseguem preservar a independência por meio do acompanhamento adequado.

“É comum encontrarmos idosos extremamente longevos e ativos que convivem com hipertensão, doenças cardíacas, diabetes, insuficiência renal crônica ou até mesmo algum tipo de tumor ou câncer. Ainda assim, essas pessoas mantêm suas condições sob controle, cuidam da saúde e administram adequadamente as doenças crônicas, o que lhes garante autonomia e qualidade de vida.”

A autoestima também aparece como peça-chave para uma longevidade saudável: “Precisamos entender que o envelhecimento saudável é construído a partir de escolhas diárias. É necessário olhar-se no espelho, reconhecer e aceitar a idade que se tem, sem se sentir diminuído. Rugas, cabelos brancos e pele mais flácida não devem ser vistos como sinais de baixa autoestima. Muito pelo contrário, cada idade possui sua própria beleza.”

A especialista reforça que aceitar a própria trajetória contribui para a saúde mental e cognitiva: “Não devemos nos comparar com o passado, com o que já foi. A comparação precisa ser feita sempre em direção à nossa melhor versão futura. Isso também favorece a saúde cognitiva. O desejo constante de aprender, adquirir novas habilidades, manter a curiosidade, inserir-se nas redes sociais, aprender sobre tecnologia e novas formas de comunicação amplia os horizontes do idoso.”

Por fim, ela deixa uma reflexão inspiradora sobre o envelhecimento: “Dessa forma, ele compreende que pode e deve estar inserido nas novas formas de viver e se comunicar. É importante lembrar que o seu tempo é o presente, o tempo que está sendo vivido agora. Quando nos desprendemos do passado, entendendo-o como aprendizado e não como um peso, permanecemos abertos ao novo. E enquanto houver esse frescor, esse desejo e esse sonho, a idade continuará sendo apenas um número.”

Atriz da Globo
Atriz veterana da Globo Laura Cardoso – FOTO: Reprodução/Globo

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Dra. Roberta França é médica geriatra e psiquiatra (CRM: 52744859), com 22 anos de formação pela Universidade Gama Filho. É pós-graduada em Geriatria e Gerontologia pela Universidade Estácio de Sá e em Psiquiatria. Membro da Comissão de Direito da Pessoa Idosa (OAB/RJ), integra também a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a Sociedade Brasileira de Psiquiatria e a Sociedade Brasileira de Neuropsiquiatria Geriátrica. Professora da ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer) e palestrante em temas voltados à medicina geriátrica e psiquiátrica, é idealizadora do projeto social Cantinho da Geriatria, que impacta mais de 250 mil pessoas com conteúdo diário para a terceira idade nas redes sociais. Coautora do livro Estratégia de Vencedores, foi condecorada com a Medalha Pedro Ernesto e homenageada com Moção Honrosa pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelos relevantes serviços prestados aos idosos. Em 2023, foi reconhecida como Medicina Destaque pela mesma instituição.