Wagner Moura revela como se sente ao voltar para o teatro após 16 anos
Estreando peça em Salvador, Wagner Moura destaca a importância da reflexão sobre a verdade em tempos atuais e comenta seu retorno aos palcos

Após 16 anos afastado dos palcos desde Hamlet, Wagner Moura está de volta ao teatro com a peça Um julgamento — Depois do inimigo do povo, que estreia em Salvador no Trapiche Barnabé. A montagem marca um reencontro do ator com suas origens artísticas e com um formato que considera fundamental para sua trajetória.
Sobre o retorno, Wagner explicou: “Sou do teatro, me formei no teatro. Quando volto, entendo por que faço o que faço, lembro ‘ah, é por isso!’. Sempre parece que fico mais inteligente quando faço teatro.”, revelou em entrevista o O Globo.
Na trama, Moura interpreta um médico que descobre que as águas do balneário da cidade estão contaminadas. Ao tentar alertar as autoridades, acaba acusado de prejudicar economicamente o município. A história, inspirada em Henrik Ibsen e adaptada por Christiane Jatahy, discute temas atuais como fake news, polarização e democracia.
O espetáculo tem um modelo interativo que envolve o público diretamente. Em cada sessão, 11 pessoas da plateia formam um júri para decidir se o protagonista é ou não considerado “inimigo do povo”. Dois finais diferentes foram escritos, e a votação secreta define o desfecho de cada apresentação.
Reflexão sobre a verdade
Para Wagner, a peça reflete uma preocupação que ele também compartilha fora do palco. “O que mais me assusta hoje é o ocaso da verdade, a relativização dela com polarização, fake news, tecnologia, que faz com que a gente veja uma coisa que não é. Parece que tira o chão da gente. Esse julgamento é sobre a verdade e as consequências dela.”
Além da verdade, o ator destaca que a obra também discute contradições humanas e a falta de diálogo em tempos de polarização. “Todos os meus personagens são eu, as minhas emoções, como vejo as coisas. O que a gente quer ver na arte não é política. Ela está por trás. Queremos é ver o humano, nos identificar.”
Mesmo em uma fase intensa da carreira, marcada por premiações e possíveis indicações ao Oscar pelo filme O Agente Secreto, Wagner fez questão de reservar espaço para o teatro, arte que considera essencial: “Como artista, somos o resultado do conjunto de coisas que vamos fazendo. Essa peça conversa com tudo o que já fiz, do cinema à forma como me coloco no mundo.”
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