O ator Gustavo Mendes está de volta aos palcos com uma nova comédia, chamada Amor Que Não se Mexe, na qual atua ao lado da atriz Glaura Lacerda. Em entrevista exclusiva à CARAS Brasil, ele contou sobre como é contar uma história de traição nos palcos, os desafios do novo projeto e seus novos projetos.

– Gustavo, poderia nos dar detalhes de “Amor que Não se Mexe”?
Amor que Não se Mexe é uma comédia espetacular. Parece clichê dizer isso, mas, para mim, é realmente um presente. Primeiro porque estou em cena ao lado da Glaura Lacerda, que considero uma das maiores atrizes do país. Ela é uma comediante brilhante, genial e uma verdadeira mestra do improviso. A peça acompanha o casal Cecília e Rodolfo. Rodolfo desconfia de uma traição e contrata um detetive — aliás, o mesmo detetive de sempre, porque essa já é a terceira traição que ele investiga no terceiro casamento. Só que, desta vez, surge uma pergunta: o que aconteceu pode mesmo ser considerado uma traição? A história aborda temas como fetiches, fantasias, relacionamentos e os limites do amor, sempre com muito humor e inteligência. É uma comédia divertidíssima. A nossa estreia foi completamente lotada, e a expectativa era que o público se divertisse pelo menos 10% do que nós nos divertimos fazendo a peça. Felizmente, aconteceu exatamente isso: as pessoas gargalham do começo ao fim, e essa troca com a plateia é uma das coisas mais gratificantes desse projeto.

– Como é levar este tema aos palcos?
É um desafio, porque falar de traição, dos limites de um relacionamento, das intimidades de um casal e de fetiches sempre exige cuidado. Ainda mais em um momento em que percebo as pessoas um pouco mais conservadoras em relação a determinados temas. Mas a peça tem uma estética muito bonita e um texto primoroso do Hugo Keller, que trata tudo com inteligência e muito humor. Isso faz com que esses assuntos cheguem ao público de forma leve e divertida. É uma comédia assumidamente “comediona”, feita para provocar gargalhadas, mas que também faz as pessoas refletirem. E, claro, dividir o palco com a Glaura Lacerda torna tudo ainda mais fácil. Ela é uma atriz extraordinária e uma parceira de cena incrível. O mais bonito é ver como públicos completamente diferentes se identificam com a história. Temos desde casais jovens até senhoras, senhores e pessoas solteiras. Todo mundo acaba reconhecendo alguma situação, alguma insegurança ou alguma verdade da vida retratada no palco. Acho que esse é um dos grandes méritos da peça: ela diverte, mas também cria identificação.

– O que te fez aceitar participar deste projeto?
Foram vários fatores, mas o primeiro deles foi o convite da Glaura Lacerda. Eu tinha muita vontade de trabalhar com ela e dividir o palco com uma atriz desse nível era um desejo antigo. O segundo motivo foi o texto. Desde a primeira leitura, eu me apaixonei pela história. É um texto inteligente, divertido e, ao mesmo tempo, muito humano. Naquele momento eu tive a certeza de que queria contar essa história. Também havia um desafio pessoal. Eu nunca tinha interpretado um par romântico no teatro e senti que era a hora de me presentear com esse personagem e, ao mesmo tempo, presentear o público com um trabalho diferente dentro da minha trajetória. Além disso, reencontrar o diretor Carlinhos Machado foi um incentivo enorme. Nós já vínhamos de uma parceria muito bem-sucedida em O Marido da Minha Mulher, e voltar a trabalhar com ele, agora ao lado da Foco3, que também produziu aquele espetáculo e abraçou Amor que Não se Mexe, me deu muita segurança para embarcar nesse projeto.

– Como se define nesta fase da carreira?
Hoje eu me defino como ator, em toda a essência da palavra. Tenho 25 anos de carreira. Comecei muito cedo, saí de casa ainda adolescente e, alguns anos depois, tive uma projeção nacional com a personagem Dilma, que me levou a viajar o Brasil inteiro durante muitos anos. Vivi momentos extraordinários, bati recordes de público e tive a alegria de me tornar um dos artistas que mais venderam ingressos no país. Mas o sucesso também tem um lado silencioso. Passei muitos anos fazendo espetáculos solo. Era sempre eu, sozinho no palco, no camarim, na estrada. Em determinado momento, isso começou a me desanimar um pouco. Lembro de uma entrevista do Selton Mello em que ele dizia que, às vezes, é importante fazer algo menor para lembrar por que você escolheu essa profissão. Aquilo ficou na minha cabeça. Foi quando decidi voltar ao teatro. Hoje me sinto completo. Me sinto o ator que sonhei ser quando era criança e o comediante que imaginei que poderia me tornar. Estou vivendo, sem dúvida, um dos momentos mais especiais da minha carreira. Atualmente estou com três espetáculos em cartaz. Além de Amor que Não se Mexe, também faço a comédia O Marido da Minha Mulher e retomei meus shows solo com o espetáculo Mais Atrevido, em que reúno as melhores piadas da minha trajetória, improviso e, claro, a personagem Dilma, que marcou a minha carreira. Na vida pessoal também vivo um momento muito feliz. Estou noivo do advogado Lucas Arruda, que também é meu empresário e sócio, ao lado do meu irmão, João Mendes. Acho que, pela primeira vez em muitos anos, sinto que encontrei um equilíbrio entre a vida profissional e a pessoal. E isso faz toda a diferença.

– Qual a importância de levar o humor aos palcos?
O humor é um grande lubrificante social. Com humor, a gente consegue falar de praticamente tudo. Porque quem ri escuta, e quem escuta pensa. A principal função do humor sempre será fazer rir. E isso, por si só, já tem um valor enorme. Como diz a música do Frejat, “rir é bom, rir de tudo é desespero”. Mas, além do riso, o humor também abre espaço para a reflexão. Ele nos permite dar opiniões, provocar debates, explicar questões complexas e, muitas vezes, fazer com que as pessoas enxerguem determinados temas por um ângulo que talvez não enxergassem de outra forma. Quando existe humor e leveza, até os assuntos mais difíceis ficam mais acessíveis. O público baixa a guarda, se diverte e, sem perceber, também leva alguma reflexão para casa. No fim das contas, eu gosto de pensar que o humor é um carinho na alma. E acho que, nos tempos em que vivemos, isso nunca foi tão necessário.

-Você tem algum projeto para a TV?
Ainda não tenho nenhum projeto confirmado para a televisão, mas adoraria voltar. Como contei, passei um período um pouco mais afastado dos palcos e da TV, e retomei esse trabalho no ano passado. Agora estou vivendo um momento de reconstrução da carreira, buscando os projetos certos e também organizando ideias autorais para apresentar ao mercado. Eu amo televisão. Foi um veículo muito importante na minha trajetória e tenho muita vontade de voltar a fazer parte desse universo. A TV proporciona algo muito especial: a oportunidade de trabalhar ao lado de grandes profissionais e de levar o humor para milhões de pessoas ao mesmo tempo. Neste momento ainda não existe nenhum convite fechado ou projeto confirmado, mas estou aberto às oportunidades e torcendo para que esse reencontro com a televisão aconteça em breve.

– O que o público pode esperar de novidades para 2026?
Estou vivendo uma fase muito intensa e feliz da carreira. Uma das grandes novidades é a volta do meu show solo de humor, Mais Atrevido, que estreia no dia 12 de agosto, no Teatro da Mooca, em São Paulo. O espetáculo ficará em cartaz às quartas e quintas-feiras durante todo o mês de agosto e, em seguida, deve ganhar uma turnê nacional. Também sigo em cartaz com O Marido da Minha Mulher, que chega ao Teatro Fernando Torres, em São Paulo, em setembro, além das novas temporadas que estamos preparando para Amor que Não se Mexe. E já existem outros projetos de teatro sendo desenvolvidos. Desde que voltei aos palcos, não consegui mais parar. O teatro realmente me alimenta como artista. Paralelamente, também estou vivendo o retorno da minha personagem mais conhecida, a Dilma, agora em um formato totalmente voltado para a internet. No YouTube, publico vídeos completos todas as terças e sextas-feiras, às 19h, seja ligando para personalidades que estão em evidência, seja comentando, com humor, os principais acontecimentos da semana. E, claro, sempre que acontece um fato importante e as pessoas pensam: “A Dilma precisa falar sobre isso”, ela aparece. Além disso, mantenho uma produção diária de conteúdo para Instagram, TikTok e Facebook, com vídeos inéditos todos os dias. Tenho trabalhado muito, mas estou muito feliz. Acho que estou vivendo uma fase de reencontro com a profissão e com o público, fazendo exatamente aquilo que sempre sonhei fazer: teatro, humor e comunicação.