Após quase uma década vivendo na Espanha e consolidando uma carreira internacional nos palcos europeus, Tiago Barbosa (41) fez as malas rumo ao Brasil para um reencontro especial. O ator e cantor, que protagonizou montagens como “El Rey León”, “Kinky Boots” e “Rent” e, mais recentemente, atuava como artista exclusivo do Grupo Mosh, em parceria com a Dolce & Gabbana, interrompe temporariamente essa fase para integrar o elenco de “Ópera do Malandro – Na visão de Jorge Farjalla”, que estreou dia 06 de agosto, em curta temporada no Teatro Multiplan, no Rio de Janeiro. Na montagem, ele se reveza com José Loreto (42) no icônico papel de Max Overseas.
Em entrevista exclusiva à CARAS Brasil, o artista fala sobre o momento em que recebeu o convite, a emoção de voltar ao país, a responsabilidade de interpretar um personagem criado por Chico Buarque (82) e os novos caminhos que pretende trilhar também no audiovisual.
O convite surgiu justamente quando Tiago vivia uma das fases mais intensas de sua trajetória internacional. Sem imaginar um retorno tão próximo ao Brasil, ele se preparava para protagonizar um novo desafio profissional em Paris, previsto para 2027.
“Eu realmente não esperava esse convite. A vida tinha me levado por outros caminhos na Europa. Eu estava trabalhando para a Dolce & Gabbana e para o Grupo Mosh como artista exclusivo em eventos privados para os sócios, fazendo um espetáculo com uma riqueza de detalhes que eu nunca tinha vivido. Parecia coisa de filme. Ao mesmo tempo, estava me preparando para protagonizar um trabalho em Paris, todo em francês. O momento foi perfeito. Gostaria muito de voltar ao Brasil para dar mais um até breve à minha família, recarregar as pilhas e iniciar uma nova jornada“, conta.
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Uma carreira construída dentro do teatro musical
Interpretar Max Overseas representa mais um marco em uma carreira construída dentro do teatro musical. Para Tiago, porém, o maior peso da experiência está na possibilidade de voltar aos palcos brasileiros em uma obra considerada um clássico da dramaturgia nacional.
“O peso importante é fazer esse personagem criado pelo Chico Buarque e voltar ao Brasil. Existe algo que só tem aqui: esse público, esse carinho e a forma como vemos a arte. Estou feliz em ser o primeiro malandro negro a interpretar essa obra no teatro. Também estou feliz em poder emprestar um pouco da minha vivência, da minha pesquisa e do meu estudo para esse trabalho, além de receber minha família na plateia.”
Na nova montagem dirigida por Jorge Farjalla, Tiago divide o personagem com José Loreto, que faz sua estreia no teatro musical. Em vez de buscar interpretações semelhantes, os dois optaram por construir caminhos distintos para Max.
“Somos dois artistas com vivências diferentes, mas com o mesmo amor por essa obra. Tem sido um processo de muita troca, muita conversa e parceria. Estabelecemos jogos cênicos distintos. Quem assistir comigo verá um Max; quem assistir com o José verá outra proposta. Isso deixa a obra ainda mais viva e quem ganha é o público.”

Acolhimento e liberdade criativa
Apesar de ter ingressado no elenco já na reta final do processo de ensaios, o ator destaca o acolhimento recebido pelos colegas e a liberdade criativa proporcionada pelo diretor.
“Cheguei já nos 45 minutos do segundo tempo. Somos seis novos artistas integrando essa obra. É um time de grandes artistas e uma companhia muito generosa. Não houve um momento em que eu olhasse para esse elenco e não pensasse: ‘Que sorte a minha’. O Jorge Farjalla tem sido meu braço direito nessa construção, me deixando muito livre para propor. Isso ajuda demais no processo.”
Embora tenha construído uma carreira sólida nos musicais, Tiago revela que também deseja ampliar sua presença no audiovisual. Antes de seguir definitivamente para a Europa, ele participou de Beleza Fatal, experiência que despertou ainda mais esse interesse.
“Antes de sair do Brasil, tive o privilégio de fazer Beleza Fatal. Foi uma experiência incrível, deliciosa. Adoraria fazer mais audiovisual.”
Acostumado aos grandes palcos do Brasil e da Europa, o artista, conhecido por protagonizar sucessos como O Rei Leão, Cinderella – O Musical da Broadway, Mudança de Hábito, Wicked e Clube da Esquina – Os Sonhos Não Envelhecem, admite que o frio na barriga antes de cada apresentação permanece o mesmo — e faz questão de cultivá-lo.
“Sou completamente apaixonado pelo meu trabalho. Até nos ensaios sinto aquele friozinho na barriga antes de entrar em cena. O palco, para mim, é um lugar sagrado. Tenho muito respeito por toda a minha trajetória e muita gratidão aos deuses do teatro por tudo o que vivi até aqui. Voltar ao Brasil para fazer esse personagem, no Rio de Janeiro, não tem preço.”
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