Aos 29 anos, quem é a atriz que vive reecontro ancestral ao interpretar Zezé Motta em musical
Estrela de Emergência Radioativa troca Enfermagem pelas artes e assume o desafio de homenagear a ícone negra nos palcos

A trajetória da atriz Larissa Noel é definida por coragem e um profundo respeito às suas raízes. Aos 29 anos, ela lidera o espetáculo Prazer, Zezé, onde interpreta a lendária Zezé Motta. Para Larissa, o papel vai além da atuação. “Pra mim é como um reencontro geracional e ancestral, só que dessa vez tendo mais força e voz pra falar, pra existir na arte e na vida”, revela a artista com exclusividade. Curiosamente, ela chegou a cursar Enfermagem antes de se entregar às Artes Cênicas, enfrentando inseguranças familiares semelhantes às que a própria Zezé viveu no início da carreira.
O encontro entre as duas atrizes foi descrito por Larissa como um momento mágico e emocionante. “Encontrar com ela foi materializar tudo o que eu vinha anotando e reproduzindo em cena”, conta. Para construir a versão jovem da ícone, Larissa Noel buscou trazer a inocência, leveza e alegria que a veterana mantém até hoje. Entretanto, o maior desafio técnico surge ao retratar a fase atual da homenageada. “Replicar ou traduzir essa energia dela nos palcos, tendo eu apenas 29 anos, tem sido um trabalho muito técnico e minucioso”, explica.
Do streaming da Netflix ao rigor do Teatro Musical
Antes de brilhar nos palcos do Sesc 14 Bis, Larissa Noel já havia deixado sua marca em grandes produções do audiovisual. Ela integrou o elenco de séries como 3%, da Netflix, e Desejos S.A., do Disney+. Recentemente, a atriz mergulhou no universo denso de Emergência Radioativa, produção que retrata o acidente com o Césio-137 em Goiânia. Na trama, ela interpreta uma das primeiras contaminadas e contracena com nomes como Johnny Massaro e Bukassa Kabengele. “Dividir cena com esses atores foi incrível. Foram 8 dias de gravações mergulhando nesse universo dos anos 80”, recorda.
A transição entre as câmeras e o teatro musical exige um preparo físico de maratonista. De acordo com a atriz, o cinema exige uma concentração decupada entre pausas e repetições. Já no teatro, a dinâmica é direta e ininterrupta. “No musical é tudo direto. Eu passo 99% do tempo em cena, não existe a possibilidade nem de desligar o interruptor pro xixi!”, brinca Larissa. Posteriormente a anos de estudo com Estrela Straus, a artista celebra o momento em que todo o seu aprimoramento técnico se materializa em grandes projetos.
A evolução do mercado para atrizes negras
Larissa iniciou sua caminhada em 2013, na companhia Cottal, e observa uma mudança gritante no mercado desde então. Naquela época, ela ouvia que não teria espaço por falta de referências negras em papéis de destaque. “O que se via antes era a cota em cada projeto, um ou dois atores negros nos espetáculos”, desabafa. Hoje, ela celebra a existência de projetos encabeçados e protagonizados por pessoas pretas.
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